A editora Objectiva , após os livros do Gato Simon, volta a ter a atenção da comunidade bedéfila. Desta feita, a razão é um autor português anónimo e o livro A Criada Malcriada.

O primeiro cartoon de Needy Chicken & The Dog foi publicada na rede social Facebook em 13 de setembro de 2011. No entanto, aquela série do autor – atualmente, com a última publicação a datar de julho deste ano – com menos de 600 likes na altura em que se escrevem estas linhas, não goza do mesmo número de fãs que a sua segunda série, criada em dezembro de 2012, A Criada Malcriada (com 13789 likes na minha última consulta).

A data de dezembro do ano passado é algo a reter. Passados 7 meses, é publicado um livro que coleta uma seleção das tiras publicadas entre 10 de dezembro de 2012 e 2 de maio de 2013 (além de 10 tiras dedicadas a uma volta ao mundo). Isto obriga a reflexões sobre o quão rápido se deu o fenómeno de popularidade no Facebook apostado na capa do livro e o quão célere uma impressão consegue ser colocada à venda (equacione-se apenas o quão tardia é a publicação das antologias de tiras de BD nos EUA após a última delas ter sido impressa em jornal).

Por outro lado, este livro é a prova de quão diferentes são os percursos para se publicar um livro. Neste caso, a ideia aparentemente partiu da própria editora ou não existissem profissionais da Objectiva a visitarem e comentarem a página do Facebook.

Para os que esperam uma obra de arte… poderão ter uma excelente antevisão da mesma na capa do livro. Para os que esperam estar perante uma obra intemporal, saibam que por vezes a sátira aborda a atualidade, o que obrigará a notas de rodapé no futuro. No entanto, a relação entre as duas personagens principais assenta em algo universal, a relação entre classes, neste caso personalizada pela Criada e a Senhora.

A série, repleta de farpas, e com crueldade q.b., aposta na reação automática do leitor, que, conforme os casos, sorri ou gargalha com a malvadez que a Criada e a Senhora praticam uma na outra. Impoliticamente correta, a receita parece funcionar.

Como nota final, registe-se como curiosidade a aposta na edição de um livro cuja maior dimensão é a vertical, para ser posteriormente lido na horizontal, com a lombada virada para cima.

Termino com uma citação do livro: “Livros com bonecos é muito bom porque não cansa tanto a vista.”