Como tinha referido aquando da apreciação de Naruto 1, em agosto foi publicado o sexto volume de Death Note pela editora Devir, com o título Toma Lá, Dá Cá. Dezoito meses após o início da sua publicação em Portugal, metade da série está então editada. Por outro lado, segundo o plano editorial da Devir, em setembro chegará o 7.º volume, bem como o 2.º Naruto e o 1.º Blue Exorcist.

A minha experiência com Death Note tem sido francamente positiva, apesar de ter momentos de rendição e outros – mais raros, sublinhe-se – de aborrecimento. São pontos extremamente positivos:
a) apesar de ser um manga shōnen, ter uma história capaz de agradar a um público mais velho (compare-se, p.e., com o 1,º volume de Naruto, igualmente shōnen, onde tal não será tão provável);
b) o argumentista dominar perfeitamente o género policial/detetive, sendo capaz de prender por completo a nossa atenção com as deduções e reflexões dos dois antagonistas, em vez de hiperbolizar a ação;
c) embora alicerçada na fantasia, a história tem por base uma sociedade atual, credível q.b para nos relacionarmos com a mesma;
d) como efeito colateral, levanta questões éticas, devido ao relativismo moral em que se movimenta;
e) o desenho de Takeshi Obata é fluído e, conhecendo nós os prazos a que os capítulos de manga têm de ser entregues, a celeridade não prejudica a arte, apesar da habitual simplificação dos cenários e representação de alguns personagens.

Por vezes, o argumentista Tsugumi Ohba explora por demasiado tempo uma determinada questão, com aparentes hesitações quanto ao caminho a seguir. Em dois momentos diferentes isso ocorreu mas, com uma mestria impressionante, a sensação fastidiosa me começava a invadir interrompeu-se no momento em que o autor levou a narrativa para novos rumos, com um alargamento do leque dos personagens e dos contextos. Infelizmente, os volumes 5 e 6 não foram os que mais me interessaram, centrados no Grupo Yotsuba. Nesta tentativa óbvia de promover a empatia dos leitores por Light, perdeu-se, por enquanto, a relação entre o shinigami Ryuk e Light, bem como a de Misa com Rem, recuperada parcialmente no final deste livro. A dinâmica complexa dos shinigami – seres extradimensionais que se alimentam da morte dos seres humanos – com os detentores dos Death Notes é um dos atrativos da história, de que me vi, deste modo, privado.

Tudo aponta para que os próximos volumes evoluam para temáticas que mais me interessam. Farei questão de verificar se esta minha assunção está correta.

Como nota final e num registo mais macro, devido à história do manga e neomanga editado em Portugal se resumir a poucas linhas, deseja-se a maior felicidade à editora, a qual abraçou um novo capítulo no seu catálogo.

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nota: fui presenteado pela Devir com as imagens das páginas 34-35, 71, 130, 190 e 195 em exclusivo, as quais agradeço e que utilizei para ilustrar o texto.