Nem todos saberão que sou um grande apreciador da banda desenhada britânica do início do século passado. Aos que se interessam por essa era, não será certamente estranho o nome de Walter Henry Booth, criador de Rob the Rover em 1920 para a lendária publicação Puck (principal hebdomadário britânico de banda desenhada a cores, editado pela Amalgamated Press), o qual foi publicado até 1940. Foi também em Puck que foram publicadas outras conhecidas obras da sua autoria, como Orphans of the SeaCruise of the Sea Hawk  ou Captain Moonlight.

Este Captain Moonlight foi recentemente publicado num fanzine nacional. Segundo Adolfo Dias, autor da introdução de Fandaventuras Especial 7, lançado em agosto de 2013, o responsável pelo nome luso Capitão “Meia-Noite” deverá ter sido Raul Correia, cofundador d’ O Mosquito, ou não tivesse o personagem sido publicado em Portugal pela primeira vez na série 1 da famosa revista de BD, tendo feito um vero sucesso entre os leitores.

Jorge Magalhães, num post do seu blog O gato alfarrabista na sua loja de papel, cujo artigo original repleto de bonitas ilustrações convido a visitar, faz uma excelente descrição do personagem, que humildemente transcrevo:

Muitos leitores se lembravam ainda da figura do galante e misterioso cavaleiro mascarado que, na melhor tradição dos heróis de capa e espada, protegia os pobres, os oprimidos, as viúvas e os órfãos, contra a arrogância e a perfídia dos poderosos, numa época em que muitos condados ingleses estavam nas mãos de uma aristocracia despótica e corrupta, que espezinhava sem escrúpulos as classes mais humildes. Mas alguém lhes fazia frente, em defesa do bem e da justiça, combatendo as suas leis e os seus actos iníquos, perseguindo-os sem tréguas pelas estradas e até no interior dos seus castelos, oferecendo protecção a todas as suas vítimas: o intrépido Capitão Meia-Noite, que montado no seu negro corcel, galopava à rédea solta em noites de luar, fazendo jus ao seu nome (em inglês, Captain Moonlight) — um furtivo e irónico justiceiro, destro no manejo da espada e das pistolas com que desafiava os seus inimigos, imune ao perigo e aos obstáculos que lhe surgiam no caminho, pois escapava, com espantosa agilidade, a todas as armadilhas, saindo sempre vencedor do confronto com os seus perseguidores.

Claro que para os leitores d’O Mosquito a sua identidade não era segredo: desde o princípio que todos sabiam que sob a mascarilha do Capitão Meia-Noite se escondia o rosto de Dick Martin, o respeitado ferreiro da aldeia de Portsea, cujo modesto e pacato ofício o afastava de qualquer suspeita. E essa dualidade entre o homem simples e o aventureiro, cuja audácia e galhardia lhe conferiam autênticos pergaminhos de nobreza (mais tarde consagrada num título de barão), nimbava este intrépido personagem com um halo ainda mais heróico, tornando-o um dos maiores ídolos da rapaziada desse tempo.

Se a esta descrição do mestre Jorge Magalhães, adicionarmos algumas imagens que nos remeteu o incansável editor de Fandaventuras, José Pires (a quem certamente nos referiremos também como autor neste espaço sobre BD), será difícil de resistir ao encanto da série.

Eis as capas e exemplos de algumas páginas dos volumes primeiro e segundo de Capitão “Meia-Noite” – O Justiceiro das Estradas do Rei, os quais correspondem respetivamente às publicações Fandaventuras Especial n.º 7 e n.º8:

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Segundo José Pires, os terceiro e quarto volumes estão já adiantados e está prevista a sua publicação ainda este ano, dos quais também se faz a antevisão:

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Com um formato generoso (30 x 21 cm) e papel de boa gramagem, cada volume de 66 páginas, tem o PVP de 10,00€. Para os adquirir, os interessados devem contactar o faneditor via e-mail:

gussy[ponto]pires[arroba]sapo[ponto]pt. (substituir “[ponto]” por “.” e “[arroba]” por “@”).

Previne-se que a tiragem é limitada.

nota: agradecem-se os esclarecimentos de José Pires, bem com as imagens que gentilmente remeteu, as quais ilustram o texto.