Quando abordei a ilustração da Obra Poética Completa de Edgar Allan Poe por Filipe Abranches, o Geraldes Lino teve a gentileza e perspicácia de me recomendar a obra  O Poema do Velho Marujo / The Rime of the Ancient Marine / El Poema del Viejo Marino de  Samuel Taylor Coleridge, ilustrado por Gustave Doré e editado pela Libri Impressi.

O nome do prolífero Gustave Doré não será desconhecido de todos aqueles que se interessam pela ilustração em geral e as gravuras francesas do século XIX em particular. Aquando da proposta de Geraldes Lino, ocorreu-me que a rubrica dedicada à ilustração poderia abordar dois dos volumes que tenho em minha posse ilustrados por Doré:

Fábulas de La Fontaine (Moderna Editorial Lavores, 2001; a título de curiosidade refira-se que a ilustração da capa é de Santos Costa, que citei ontem neste espaço);
O Corvo, de Edgar Allan Poe, traduzido para português por Fernando Pessoa (Libri Impressi, 2010).

Terão ambas as obras certamente direito à sua própria entrada. No entanto, é meu desejo sublinhar de antemão, em especial para os bedéfilos que não tenham tido contato com O Corvo editado pela Libri Impressi, que a qualidade de restauro de Manuel Caldas nas ilustrações de Doré nessa edição em nada ficou a dever ao trabalho de excelência a que nos habituou com as bandas desenhadas que publica, ou não fosse aquela uma das publicações da Libri Impressi com exemplares mais vendidos. A verdade é que não concebo a existência de um apreciador de arte que fique indiferente à associação Doré/Caldas, que transcende o próprio tempo, tal como já tinha acontecido com Coleridge/Doré.

Habituado ao selo de qualidade Manuel Caldas, entrei em contacto com o editor, de modo a poder manusear a obra que tem lançamento oficial previsto nas livrarias para o final deste mês, apesar de na ficha técnica constar a data de junho de 2013.

Foi também ao ler a ficha técnica que me apercebi que Geraldes Lino foi o revisor ortográfico dos textos em português, algo que, como o próprio me relembrou, já tinha realizado aquando do livro Foster e Val de Manuel Caldas.

Abre parêntesis. As revisões de Geraldes Lino não estranharão a ninguém ligado ao mundo bedéfilo, mas sempre que deparo com o seu nome com estas funções na ficha técnica, lembro-me do fim de um período nas minhas atividades ligadas à BD e do início de outro. Por puro acaso, o último post do meu primeiro blog (quase) exclusivamente dedicado à BD, foi dedicado a Caz Roman: Paisagens Americanas (Caz Roman: Un Américain Paysage, 2001) de Joe G. Pinelli, editado pela Polvo / Bedeteca de Lisboa em 2002, no qual fiz uma breve referência ao Geraldes Lino ter sido o revisor da tradução, o que viria mais tarde a originar um comentário de agradecimento da sua parte pela minha menção a tal. Esse foi, sem aviso, o último post do blog bedê, um espaço com direito a quase ano e meio de vida e tendo chegado a merecer destaque na imprensa. No entanto, há cerca de 3 meses que às atualizações diárias do blog se adicionavam as múltiplas atividades no portal BDesenhada.com e, a certo momento, não me foi possível manter esse projeto pessoal. O curioso é que sempre que me apercebo que o Geraldes Lino fez mais uma tradução, recordo esse acontecimento, ao fazer a associação com esse momento marcante enquanto divulgador de BD. Fecha parêntesis.

Nas primeiras páginas de O Poema do Velho Marujo, consta também um novo logótipo para a editora, que desconhecemos se se manterá em edições futuras. E no final do livro é explicado o processo de xilogravura e a identificação dos gravadores das ilustrações de Doré na madeira (o que me recorda que também ainda não divulguei neste espaço bandas desenhadas em xilogravura, que tanto aprecio; fica registada a intenção, e nessa altura o mote pertencerá ao Manuel Caldas).

Mas, sem mais delongas, e com a devida autorização do editor, eis uma antevisão das ilustrações da obra, onde está patente a genialidade de Doré. Solicito ao leitor que clique nas imagens, e posteriormente solicite para as visualizar no tamanho maior.Tentei disponibilizar a imagem com um tamanho adequado à internet, mas fazendo justiça ao original. Acredito que, dado o grau de pormenor, seja tarefa impossível. Caso não tenha ficado boquiaberto(a), a culpa será certamente da minha redução da imagem e não do material que no livro é oferecido. Se se interessar pelo que aqui vislumbra, dirija-se a uma livraria no final do mês e folheie a obra. Previno-o(a) , no entanto, que poderá não se conseguir separar da mesma…

Estas imagens têm maior qualidade, pelo que poderá ser mais demorada a sua visualização:

E, como se sabe, a culpa de este texto ser escrito é, mais uma vez, do Geraldes Lino. Para conhecer mais textos cujo mote foi dado pelo Lino, clique nesta etiqueta.

nota: fui presenteado pela Libri Impressi com as imagens das páginas 31, 33, 35, 37, 39, 43, 45 e 47 em exclusivo, as quais agradeço e que utilizei para ilustrar o texto.