Dado já me ter referido a esta pequena apreciação da obra mencionada em epígrafe neste espaço, reapresento-a para deleite de quem ainda desconhece o livro.

Joe G. Pinelli é um autor belga nascido em 1960, tendo sido um dos mais prolíficos autores publicados em fanzines de banda desenhada nos anos 80 do século passado. Desde essa altura, a sua produtividade não diminuiu, tendo, desde 1990, publicado mais de 40 obras.

O álbum Caz Roman: Paisagens Americanas foi a base para uma exposição do autor em Portugal, inserida no Salão Lisboa de Ilustração e BD 2001.

Com um narrador na primeira pessoa, a vida de um imigrante europeu em Nova Iorque, nascido no início do século XX, é contada através de pequenos flashes da sua memória que graficamente se traduzem em duplas páginas de traços imprecisos para os pormenores, mas representativos do que se passou, tal qual a memória.

Somos convidados a partilhar as suas recordações e considerações sobre um século que abandonou (sim, o narrador avisa-nos no primeiro instante ter falecido no final do século XX), sejam os seus diferentes trabalhos braçais (minas, construção civil ou pesca de baleias), sejam nos clubes noturnos de jazz.

A escrita poética em muito contribui para que o leitor se envolva naquilo que está a ser narrado, enquanto a mente divaga pelas imagens retratadas.

E no final entende-se a referência a Caz Roman, título de um álbum turco de jazz cigano, interpretado por Mustafa Kandirali.

A obra foi premiada com o Troféu dos Editores Independentes no Festival do Livro de Grenoble, em 2001.

A título de curiosidade, refira-se que a revisão da tradução foi de Geraldes Lino.

Caz Roman: Paisagens Americanas (Caz Roman: Un Américain Paysage,2001)
Joe G. Pinelli
80 pp, brochado
Polvo / Bedeteca de Lisboa, 2002 (Portugal)
ISBN 972-8440-42-1

nota 1: republicação revista do artigo publicado em bedê, em 11 de junho de 2006. A título de curiosidade, registe-se que foi a 238.ª publicação de BD por mim lida – e criticada – nesse ano.

nota 2: como bónus, eis o comentário de Geraldes Lino, datado de 28 de setembro de 2006: «Obrigado, Enanenes, pela referência que me fazes pelo simples facto de ter sido eu o responsável pela revisão do texto.Saudações bedéfilas.»