O francês Claude Serre (1938-1998) pertence a uma geração de desenhadores que surgiu nos anos 60 do século passado, em revistas como Hara-Kiri, Planète, Plexus, Lui e Periscope. Nesse período, dedica-se também a ilustrações para a publicidade, teatro e cinema.

A sua carreira sofre uma reviravolta com a publicação do presente livro, Humor Negro & Batas Brancas, em 1972. Inicialmente editado pelas Éditions du Grésivaudant numa edição luxuosa com uma tiragem limitada a 500 exemplares,  Jacques Glénat reedita o livro em álbum, iniciando uma colaboração que tem como frutos diversas publicações temáticas que vão fazendo aumentar sucessivamente a popularidade do autor.

Na realidade, Serre parece ter inventado um estilo de humor, no qual a observação do comportamento é completamente eficiente e o desenho de uma precisão atroz, elementos que provavelmente contribuíram para ter lhe ter sido atribuído o Prix de l’Humour Noir Grandville em 1973.

Serre tornou-se popular a nível mundial, estando os seus trabalhos publicados em 14 línguas, apesar da maioria dos seus desenhos não necessitar de legenda. Faleceu a uma sexta-feira, 13.

Quanto ao livro, dividido nos capítulos Bloco Operatório, Farmácia, Psiquiatria, Odontologia, Cinesiterapia e Clínica Geral, o humor negro de Serre não poupa as batas brancas, fazendo o leitor sorrir e, ocasionalmente, gargalhar. A ler, obrigatoriamente.

Humor Negro & Batas Brancas (Humour Noir & Hommes en Blanc, 1972)
Serre
coleção: Humor com Humor se Paga #19
Dom Quixote, 1985 (Portugal)
64 pp, brochado
DL 7363/84

 nota: republicação revista do artigo publicado em bedê, em 9 de junho de 2006