Apesar de já o ter feito noutro local, ainda não tinha abordado este álbum neste espaço. Nesse sentido, para quem ainda não o leu, eis uma curta apresentação deste livro, o qual foi entretanto publicado no nosso país pela Asa e nomeado para melhor álbum de autor estrangeiro no contexto dos Prémios Nacionais de Banda Desenhada 2013.

O terceiro livro que li do autor francês Cyril Pedrosa foi Portugal. Este álbum de banda desenhada mistura a ficção com alguns elementos autobiográficos. Aquando da elaboração do livro, o autor realizou este vídeo, no qual nos transporta para o seu percurso e método na elaboração da obra que o fez questionar / pesquisar as suas origens:

Dividido em três partes, conforme a história se concentra no protagonista, no seu pai ou no seu avô (que emigrou para França), com o estilo gráfico a se modificar em cada uma das porções e as cores a se irem tornando cada vez mais quentes (numas aguarelas extremamente apetecíveis ao olhar), Portugal narra-nos a história de um lusodescendente francês sem contacto com o nosso país que se resolve a tentar saber mais sobre as suas origens, dado as conhecer tão mal.

Um seu primo português, professor de filosofia – que ao fim-de-semana trabalha num videoclube – a certo momento coloca a velha questão de quão parte do que somos está diretamente ligado ao ambiente em que vivemos… Ou, dito de outra forma, quão Portugal teria o protagonista dentro de si, após tantas décadas sem um contacto transversal das sucessivas gerações com o país e perante um desinteresse generalizado quanto às origens (citando-se inclusivamente a vergonha da pronúncia dos familiares portugueses mais idosos, apesar de viverem em França há duas gerações…).

Cativante!

Nota republicação revista do artigo publicado em 100mural, em 10 de março de 2013.