Se a banda desenhada permite envolver o leitor mais rapidamente num mundo pictórico que a literatura não gráfica, o som permanece ausente em qualquer uma destas formas. No entanto, em Birchfield Close, os protagonistas são os sons naturais ou artificiais que fazem parte do nosso quotidiano, por oposição ao silêncio da anterior obra da Nobrow Press que abordámos neste espaço.

Estamos perante a primeira novela gráfica de Jon McNaught, publicada inicialmente em 2010 e com direito a segunda edição em 2012. Esta obra originou que o autor fosse nomeado em 2011 para os Ignatz Awards na categoria de novo talento promissor e a admiração de mestres como Seth e Chris Ware. Entretanto, McNaught, além de participações noutras obras, viu editadas mais 2 obras suas – Pebble Island e Dockwood.

Vislumbrem-se algumas páginas do interior de Birchfield Close:

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Com as dimensões reduzidas do formato A6 e com uma curiosa impressão a 3 cores, o autor propõe que reorientemos a nossa audição para a banda sonora que acompanha as nossas vidas e que teimamos em ignorar ou substituir por outros sons.

Paralelamente, o autor relembra-nos o quão a trivialidade é irreal perante um olhar mais atento à singularidade do que nos rodeia e de como a nossa imaginação é capaz de nos entreter e salvar do tédio. E, desse modo, o autor permite-se captar a beleza da vida e a tranquilidade tantas vezes menosprezada.

A técnica da descompressão sob a forma do grande número de vinhetas utilizadas, permite ao leitor um abrandamento do ritmo de leitura, originando uma maior atenção aos detalhes, perfeitamente alinhado com a imersão que se pretende no particular.

No final, após o término da narrativa, o autor apresenta quatro guias de campo da vida selvagem, representando com humor q.b. a biodiversidade animal britânica nos ambientes (sub)urbanos.

Não nos responsabilizamos se, após a leitura desta obra, o leitor colocar mais frequentemente em primeiro plano os sons cuja perceção automaticamente ignorava.