Para a revista de banda desenhada Minnie & Amigos #9 contribuí com a seleção de diversas histórias que seguem linhas editoriais bastante distintas e com um painel de autores que inclui, entre outros, Guido Martina, Romano Scarpa, Giorgio Cavazzano e Paolo Mottura.

Uma das preocupações foi apresentar a origem de algumas personagens Disney. Uma que já começou a fazer algum buzz na internet desde que a Goody anunciou os lançamentos de novembro foi Codino, o Cavalo Marinho.

Codino foi publicado pela primeira vez na véspera de Natal, em 24 de dezembro de 1961, na revista Topolino #317. Com argumento e desenho de Romano Scarpa e arte-final de Rodolfo Cimino era a única BD italiana na revista natalícia, apesar de não estar contextualizada no Natal.

Scarpa oferece aos leitores um novo personagem e cria um novo mundo subaquático para este cavalo-marinho, baseando-se no estilo das animações Silly Simphonies dos anos 30 do século XX. A história e a biologia cruzam-se com os valores, acabando por este ingénuo rapaz se ver forçado a crescer e encarar a realidade sob um novo prisma, de modo a poder salvar o seu amigo e honrar a sua palavra.

Esta personagem destinada a uma história única, tem vindo a ser acarinhada pelos fãs e autores ao longo das décadas subsequentes, tendo vindo a aparecer em diversas capas (como é o caso da Disney Comix #100) e ilustrações ou realizando esparsos e pequenos cameos. Trata-se de uma verdadeira personagem de culto, cuja banda desenhada se encontrava inédita em língua portuguesa.

E se os leitores já conhecem muito sobre a infância (possível) do Donald através das bandas desenhadas do Donald Menino, quão bem conhecem a infância da Clarabela? Este ano, em maio de 2014, a mesma começou a ser desvendada através de uma série de bandas desenhadas com a bonita arte de Blasco Pisapia. Nela são apresentadas duas novas personagens, o advogado Balky Headstrong e… a Tia Nena (aka Nerissa Cow). É a Tia Nena, que a certa altura, passa a ser a tutora da Clarabela, quando o Tio Camilo, com quem a Clarabela vivia numa quinta, partiu para o Egito. É uma altura de descobertas para a Clarabela ao chegar à cidade e a se confrontar com o excêntrico estilo de vida da sua Tia.

Clarabela e a Excêntrica Tia Nena é uma sátira do romance Auntie Mame: An Irreverent Escapade que o escritor norte-americano Patrick Dennis viu publicado em 1955. O livro foi um bestseller com direito a adaptação para uma peça de teatro na Broadway, um filme (Uma Tia dos Diabos, realizado por Morton DaCosta e com Rosalind Russell a reinterpretar o seu papel de Tia Mome na peça de teatro), um musical com Angela Lasbury como protagonista e um filme musical realizado por Gene Saks com Lucille Ball.

O livro foi publicado pela primeira vez em Itália em 1958, com bastante sucesso, e conheceu republicação nos anos 70 do século passado. Com a republicação em língua inglesa da obra de Patrick Dennis na viragem do milénio, uma editora italiana decidiu apostar na reedição da obra em 2009, tornando-se um bestseller durante muitos meses, algo bastante incomum numa reedição. E eis que 5 anos depois, em maio de 2014, a Aunt Mamie inspira a criação da Tia Nena em Itália, sendo Portugal o primeiro país a publicar esta subsérie após a sua estreia italiana.

Mas nem todos os personagens cuja origem se mostra são desconhecidos dos leitores da Goody. Na Disney Comix #11, a Goody tinha apresentado aos leitores Rosolio, o eterno apaixonado pela Maga Patalójika. No épico Maga Patalójika e a Pedra Pantarba, da autoria de Francesco Artibani e Lello Arena no argumento e Giorgio Cavazzano na arte, estamos perante não só a sua primeira aparição, mas também a primeira vez que a Disney italiana utiliza a Vovó Patalójika. Criada em 1966 para as histórias destinadas ao mercado externo (código S) por George Davie e Jim Fletcher, viria a ser utilizada nas duas décadas seguintes em parcas histórias brasileiras (código B). A Vovó Patalójika italiana apresenta um visual muito diferente das BD com códigos S/B mas aparentemente trata-se da mesma personagem. Nesta história, está também presente a Mínima Patalójika, a sobrinha da Maga, criada por Michael T. Gilbert (argumento) e Carlos Valenti, Robert Bat e Rubén Torreiro (arte) para a subsérie DuckTales em 1991. Esta é a primeira de várias bandas desenhadas com a presença do quarteto Maga, Vovó, Mínima e Rosolio, sempre da autoria do trio supramencionado.

Na BD Minnie e as Estrelas de Tebel, fica-se a saber como se deu o primeiro encontro da Minnie com a Tebel, a sua amiga cúmplice das estrelas e próxima da magia. Tebel teve direito a surgir em 8 bandas desenhadas com argumento de Giustina Porcelli, originalmente publicadas em Itália entre 1996 e 2003. Graficamente, a Tebel foi criada por Giorgio Cavazanno, que desenhou esta história. Trata-se também da origem das personagens coadjuvantes de Tebel, como Castor e Peluche (referência aos gémeos/estrelas no céu Castor e Pólux) e Rigel (referência à sétima estrela mais brilhante no céu). A Tebel, Castor e Peluche já tinham surgido noutra BD publicada pela Goody, na Minnie & Friends #5.

Em O que Aconteceu a Brigite? apresenta-se a origem de Patarel, a amiga da Brigite e agente do P.B.I. que recruta a Brigite para esta agência. Se na banda desenhada publicada na Hiper Disney #17, a argumentista Antonella Pandini tinha-se focado numa temática mais próxima da espionagem, na BD que aqui se apresenta, desta vez com o traço bastante solto de Alberto Lavoradori, a sua primeira missão será… o Tio Patinhas.

Outra personagem que a Goody já publicou foi a Superpata, alter ego da Margarida, que participou na subsérie Ultra-Heróis. Se o Superpato foi criado em 1969, a Superpata surge em 1973, novamente por Guido Martina, mas desta feita com arte de Giorgio Cavazzano. É também introduzida uma nova personagem, responsável pela invenção dos gadgets para a Superpata – a Eugénia. As reaparições da Superpata foram esporádicas até ao surgimento da subsérie brasileira Clube dos Heróis, sendo a Superpata um dos seus membros. Finda essa subsérie, a Superpata foi protagonista de um número considerável de bandas desenhadas brasileiras entre os finais dos anos 80 e início dos anos 90 do século passado. A Superpata só tornaria a ser protagonista de uma BD com a história constante desta revista, O Regresso da Superpata, escrita por Riccardo Secchi e ilustrada por Vitale Mangiatordi em 2007. Com a Eugénia falsamente acusada pelos furtos a ocorrer na cidade e o Donald fora da cidade numa expedição com o Tio Patinhas, cabe à Margarida fazer ressurgir a Superpata e deter o plano dos Irmãos Metralha.

Falando em Margarida e Superpato, em Superpato e o Amor no Esquecimento, o Donald vai ter de tentar seduzir novamente a sua namorada, a qual, graças a ter ingerido os doces car-can, os “caramelos do esquecimento”, se esquece de que conhecia o Donald e acredita ser a namorada do Superpato. Giorgio Salati brinca com acontecimentos que têm assolado a vida das personagens das editoras de super-heróis no que toca às suas relações amorosas – namorada descobre que namorado é um super-herói, namorada que namora com super-herói mas não se interessa em conhecer a sua identidade debaixo da máscara, dificuldades de um super-herói em ter uma relação… A fantástica arte é de Paolo Mottura.

Além de Codino, Cavalo-Marinho, a edição conta ainda com Romano Scarpa em duas outras bandas desenhadas. Em Do seu diário: Margarida e o prémio de pintura do Tio Patinhas, o autor propõe uma reflexão, de uma forma divertida, sobre o que é arte e a academia que a avalia, na qual, mais uma vez, as coisas correm bem para o Tio Patinhas mas não tão bem para o Donald e a própria Margarida. O Diário de Margarida é uma subsérie que surgiu em 1954 pela pena de Dick Moores. O primeiro país a adotá-la foi a Itália, 11 anos depois. Após 3 primeiras BD de Carlo Chendi e Luciano Bottaro, seguiram-se outras 3 da autoria de Romano Scarpa, arte-finalizadas por Giorgio Cavazzano. Esta é a primeira delas.

Desde 1937, ano em que estreou nos cinemas o primeiro filme longa-metragem produzido por Disney, Branca de Neve e os Sete Anões, e se realizou a adaptação do mesmo à BD, que os Sete Anões têm vindo a ser publicados em bandas desenhadas Disney, como personagens coadjuvantes ou como protagonistas. Os Sete Anões e a Fada Acorrentada conta com o génio de Guido Martina e Romano Scarpa e a arte-final de Luciano Gatto, os quais propõem aos leitores um verdadeiro conto de fadas. Os Sete Anões defrontam a Rainha da Branca de Neve/Bruxa Má, enquanto tentam salvar a fada mencionada no título, que tinha protegido a Branca de Neve de uma morte certa. O conto está repleto de percalços e desafios, nunca desistindo os Sete Anões da sua demanda apesar do alto preço com que a vão pagando…

A Minnie & Amigos #9 chega às bancas no dia 06 de novembro.

Boas leituras e até breve!

Tio Nuno