ha10Esta semana, com a publicação do #10 do Homem-Aranha Superior, chega ao fim a publicação de revistas da Marvel na norma europeia da língua portuguesa, após 10 meses. As revistas da Panini España, que contaram na equipa portuguesa com os habitués destas lides no nosso burgo, vieram conquistar gerações mais novas de leitores e fizeram regressar ao formato de revista antigos leitores da Devir. No entanto, outros leitores transitaram para estas revistas após a leitura dos álbuns de capa dura da Marvel editados pela Levoir e refira-se ainda a pequena percentagem de colecionadores das revistas brasileiras da Marvel que passou a comprar as portuguesas.

No que toca às revistas brasileiras, as edições nacionais eram luxuosas se compararmos o papel. No entanto, o produto em si continha várias falhas:
– erros na tradução / revisão nos textos;
– erros nos créditos da ficha técnica.
Para além deste facto, o design dos anúncios às restantes revistas da Marvel, presentes no miolo e na contracapa, não primava pela elegância e era surpreendentemente amador. Quanto às bandas desenhadas eram bem reproduzidas, sem se terem, por exemplo, verificado os problemas de pixelização de BD presentes nalguns volumes da coleção Universo Marvel da Levoir. No que toca aos textos de apresentação, a maioria era apropriado e raramente apresentavam incorreções.
De qualquer modo, estamos a falar de problemas minor, pois as falhas supramencionadas não eram assim tão frequentes que colocassem em causa a compra, e muito menos esta era condicionada pelo design dos anúncios.
Mais compreensíveis foram as queixas sobre a distribuição, as quais foram esmorecendo com o tempo. Nunca tendo sido revelada a tiragem de cada série, é difícil refletir sobre esta questão. Podemos postular que a diminuição das críticas dos leitores à distribuição teve como causa uma regularização desta ou que os potenciais leitores que não conseguiam adquirir a revista desistiram de o tentar fazer. A inexistência de um sistema de aquisição de números atrasados e de apoio ao leitor apenas complicaram esta precária engrenagem.

O timing foi oportuno. O evento Marvel NOW! pretendeu criar um ponto de entrada para novos leitores. As escolhas para as revistas foram também as necessárias se o que se pretendia era publicar as principais séries da Marvel. Quando aos TPB, basearam-se principalmente nas personagens conhecidas do público cinéfilo. Sabemos que a transição do público entre as duas áreas não é linear, mas, sem estudos de mercado, era uma opção tão válida como qualquer outra.

Incompreensível foi a presença simultânea nas bancas das revistas brasileiras da Panini Brasil. Aparentemente, não se tentou conjugar a nova iniciativa da Panini España com as importações da Panini Brasil. A posterior justificação de que, caso as revistas portuguesas não vingassem, a compra de ambas permitira ao leitor estar na posse de uma coleção brasileira completa, revelou-se sem nexo do ponto de vista de marketing (pelo menos, do ponto de vista das edições portuguesas, uma vez que só as prejudicava) e completamente alheia à situação económica do país.

Chegados ao fim, o que ganhou o leitor português da Marvel com esta iniciativa? Na verdade, muito pouco para além de poder ler algumas séries da Marvel na norma europeia da língua portuguesa, durante 10 meses! Além da leitura das histórias ficar incompleta, do material publicado pouco não chegou ou vai chegar às bancas portuguesas através das revistas brasileiras. Do pequeno grupo que não foi/será importado, fazem parte as BD publicadas nos TPB dedicados ao Capitão América, Thor e Homem de Ferro. Esta seria, em princípio, a mais-valia, por oposição ao que estaria disponível nas bancas portuguesas, independentemente de ter existido ou não esta iniciativa. No entanto, se os primeiros deixaram as sagas a meio, o último revelou-se uma das piores bandas desenhadas Marvel publicadas em Portugal, quer a nível do argumento, quer da arte.

Se não existia público para esta proposta de publicações em concreto ou se o projeto foi mal construído/gerido, o futuro dirá. Se o projeto foi concebido para ter sucesso ou apenas como uma manobra estratégica com outro tipo de objetivos, provavelmente nunca se saberá.

Antes de encerrarmos este capítulo, clique nas imagens do Homem-Aranha Superior #10 (que reproduz os números Superior Spider-Man #28 a 30, originalmente publicados entre abril e maio de 2014)  para as visualizar em toda a sua extensão e com dimensões mais generosas:

Eis a sinopse da editora:
O Duende Verde põe em marcha o seu sinistro plano e Nova Iorque vê-se sob ataque da Nação Duende. Ninguém está a salvo e, Otto Octavius percebe que, para salvar a única pessoa que lhe importa, poderá ter de sacrificar tudo…
(to be continued… or not!)