Um dos destaques é, sem dúvida, a segunda e última parte de A Verdadeira História de Novecentos, uma bela obra da autoria de Alessandro Baricco, Tito Faraci e Giorgio Cavazzano. Para saber mais sobre essa banda desenhada, leiam-se os destaques do número anterior, publicados aqui.

Apesar de ter certeza que muitos leitores gostarão de ler a subversão de papeis dos Irmãos Metralha em O Olho do Ciclope, a BD que a capa da Disney Comix #104 ilustra, a minha seleção recaiu sobre o 7.º episódio da subsérie italiana Pateta Repórter, da autoria do consagrado duo de autores Teresa Radice e Stefano Turconi. A personalidade visada em Escola de Voo é Charles Lindbergh.

Em 19 de maio de 1919, o proprietário do hotel Lafayette em Nova Iorque Raymond Orteig criou o Prémio Orteig, o qual consistia num prémio monetário que seria atribuído ao primeiro aviador que fizesse a primeira viagem aérea transatlântica sem escalas entre Nova Iorque e Paris ou vice-versa. Oito anos depois, o piloto de aviões dos correios norte-americanos Charles Lindbergh (1902-1974) ficou conhecido por vencer este prémio aos 25 anos. A viagem foi realizada a solo e demorou 33 horas e meia para percorrer os cerca de 5800o km necessários no monoplano Spirit of St. Louis. Este feito garantiu a Lindbergh uma grande popularidade não só nos EUA mas a nível mundial.

Não será portanto de estranhar que na BD A Escola de Voo, o monoplano a que se refere o Sr. Dlinbergh e a própria escola se denomine Espírito de Saint Louis (Spirit of St. Louis).

Lindbergh tornou-se um nome importante na cultura popular. A nível do cinema, James Stewart interpretou-o no filme A Águia Solitária (The Spirit of St. Louis, no original), realizado por Billy Wilder em 1957 e baseado no livro homónimo escrito pelo próprio Lindbergh. Eis o trailer:

Walt Disney não esperou 30 anos para homenagear Lindbergh na animação. A arte da 7.ª página da BD (página 60 na Disney Comix) deu importantes pistas mas o nome e número do avião do namorado da Minnie na 14.ª página (pg. 67 da revista) não deixam dúvidas – são o nome (Plane Crazy) e ano (1928) da curta-metragem do Mickey em que se homenageia Lindbergh. Essa curta-metragem também foi pioneira – foi a primeira animação do Mickey. Trata-se portanto da origem do rato mais famoso do mundo. Eis a animação:

Conforme se pode verificar, duas destas cenas são as retratadas na página 60. Apesar de ausente, o tal rato namorado da Minnie continua a ser mencionado na subsérie Pateta Repórter, tornando-se inclusivamente a razão porque a Minnie, qual Amelia Earhart, pilota um avião. No entanto, ao invés de atravessar o oceano Atlântico, tal como Amelia realizou a solo a 20 de maio de 1932, a Minnie realiza a primeira viagem aérea transpacífica sem escalas (na realidade, foi Clyde Pangborne o autor dessa façanha em 1931; Amelia desapareceu neste percurso, aquando da tentativa em se tornar a primeira mulher a realizar uma circum-navegação aérea).

A BD é um tributo à aviação dos anos 20/30 do século passado (à qual não falta um zepelim), com a excelente arte a que nos habituou Turconi e a sensibilidade e humor de Radice.

A Disney Comix #104 chega às bancas no dia 26 de novembro.

Boas leituras e até breve!

Tio Nuno