Foi em 1990 que o jornal Público conferiu um novo estatuto às tiras de banda desenhada em Portugal com o início da publicação das tiras Calvin & Hobbes. Inclusivamente, o sucesso dessa BD foi de tal ordem que quando o seu autor se retirou e a deu por encerrado, o jornal diário decidiu colocar nas mãos dos leitores a responsabilidade de escolher por votação a nova série a ser publicada no matutino, tendo optado por, encerradas as votações, republicar a mesma.

Paralelamente, o mercado livreiro decidiu apostar na compilação das tiras de BD em livro, tendo a Gradiva iniciado a publicação das desventuras de Calvin e o seu tigre de peluche. O sucesso desta iniciativa foi tão grande que a editora começou a publicar outras séries norte-americanas de comic strips. A Calvin & Hobbes, seguiu-se Cathy e, aos poucos, a Gradiva constituiu um corpo apreciável de tiras cómicas made in USA com as mais diversas séries, como Adam, Agnes, Café Cão, Citizen Dog, Drabble, Foxtrot, Heart, James, Lola, Para o que Der e Vier, Red & Rover ou La Vie en Rose, entre outros.

Perante este sucesso, várias outras editoras portuguesas se dedicaram às tiras de BD na década de 90 do século passado e início deste milénio, como a Bizâncio, a BaleiAzul ou a Devir, entre outras. Inclusivamente, casos existiram em que perante a inexistência de livros que compilassem as tiras diárias norte-americanas, as editoras portugueses publicavam em livro séries que não existiam enquanto álbum nos EUA.

Conforme depreende quem acompanha os lançamentos atuais de banda desenhada, o panorama atual é completamente distinto. As diferentes publicações mensais de livros de tiras de BD norte-americanas das duas décadas anteriores converteram-se em 1 a 3 lançamentos no ano. E Zits, publicada pela Gradiva, é uma das poucas séries que continua a ser publicada em livro no nosso país.

Da autoria de Jerry Scott & Jim Borgman, Zits em Concerto é o 19.º livro da série publicado no nosso país. Reúne as tiras originalmente publicadas entre 19 de dezembro de 2011 e 30 de dezembro de 2012, tendo o leitor a primazia de ter acesso às tiras dominicais a cores.

Para os que conhecem a série, poderão continuar a seguir as aventuras de Jeremy e do que os seus pais sofrem com o filho adolescente, sabendo os autores manter fresco este filão tão rico. Para os que eventualmente ainda não a conheçam, qualquer livro da série é um bom ponto de partida, independentemente da idade que se tenha ou de se ir viver, estar a viver ou já ter vivido situações semelhantes, permitindo provavelmente um sorriso bem mais amplo do que o aquele que se esboçará se ou quando situações semelhantes sucederem aos leitores.

Eis a sinopse da editora:
Jeremy gosta de miúdas, mas não dispensa os amigos. Detesta a escola, mas safa-se. Está perto de ir para a universidade, mas o pensamento insiste em mantê-lo longe do que tem de fazer para se candidatar. Adora guitarra e escrever letras de canções, mas está longe do sucesso musical. Prefere ser preguiçoso, mas decidiu trabalhar na entrega de pizzas. O seu quarto é um mundo de confusão, mas ao menos tem uma gaveta do lixo. Jeremy está de volta. Consigo regressa o humor a que os livros da colecção «Zits» já nos habituaram. Para adolescentes e não adolescentes. Para pais e avós, de uns e de outros. Para todos os que gostam de se divertir sem «mas».
«O que é que eu acho desta porcaria deste livro? Cum escafandro, é um amontoado duns #%@! duns desenhos mais umas #€/@! dumas palavras e uns *#%@! duns putos com guitarras. Se não fossem as gajas boas, era guito deitado pelo cano, camandro.» — Nigel Mealsworth, guitarrista dos Gingivitis, a banda preferida de Jeremy Duncan.