A primeira vez que nos referimos a All You Need Is Kill foi em maio do ano passado, a propósito da estreia nas salas de cinema de No Limite do Amanhã. Como referimos, No Limite do Amanhã (Edge of Tomorrow), baseia-se no livro juvenil de ficção científica de 2004 All You Need Is Kill (オール・ユー・ニード・イズ・キル / Ōru Yū Nīdo Izu Kiru) da autoria de Hiroshi Sakurazaka com ilustrações de yoshitoshi ABe.

Referimos ainda que foi realizada uma adaptação em manga com ilustrações de Takeshi Obata (conhecido dos portugueses pelo seu trabalho em Death Note), storyboards de Ryōsuke Takeuchi e concepção dos personagens por yoshitoshi ABe, publicada em capítulos na revista japonesa  Weekly Young Jump ((週刊ヤングジャンプ /Shūkan Yangu Janpu), desde janeiro de 2014. Simultaneamente, o manga foi publicado em língua inglesa na revista digital Weekly Shonen Jump da editora norte-americana Viz.

Realizado por Doug Liman e interpretado por Tom Cruise e Emily Blunt, as expectativas relativamente a esta longa-metragem possibilitaram ainda, como comentamos então, que a editora Viz publicasse cerca de 3 semanas antes da estreia do filme uma adaptação norte-americana em banda desenhada, escrita por Nick Mamatas e ilustrada por Lee Ferguson.

É nesta conjuntura que a Devir, responsável pela publicação de outras séries de manga da Shueisha, decide publicar em Portugal o manga. Em dois volumes, o primeiro chega às livrarias 1 ano após a estreia do filme em Portugal, sendo publicado o segundo volume poucas semanas depois.

Apesar do filme ter tido boa recetividade da partes dos críticos e do público, fosse por razões contratuais ou pelo desfasamento de 1 ano entre a estreia do filme e a publicação do manga, a Devir optou por não fazer referência ao mesmo, seja no livro seja na divulgação realizada:

A Terra é invadida pelos Mimics, uma raça alienígena de monstros quase indestrutíveis que se lançam numa guerra de extermínio. Keiji Kiriya é apenas um entre inúmeros recrutas inexperientes a ser metido numa armadura mecanizada e atirado para o meio da carnificina, onde é abordado por Rita Vrataski, a famosa «Pantera Blindada». Será ela a chave para a salvação? Os dois jovens unem forças para descobrir como funcionam os círculos temporais e quebrá-los de vez. Mas o poder dos «mimics servidores» encerra um terrível segredo… Será que Keiji e Rita conseguirão romper o círculo vicioso da batalha interminável? Será que existe uma esperança para a Humanidade?

Sendo as deslocações temporais características da ficção especulativa, desde o início que o enredo tem como base a ficção científica e posteriormente vem a confirmar-se que o eventual componente de fantasia está ausente da narrativa. Isto possibilita que outro tipo de leitores se aproxime desta obra, uma vez que todos os mangas publicados pela Devir até ao momento contêm um componente de fantasia, o qual domina frequentemente a ação.

O contexto militarizado em plena guerra vivido por personagens adultos, por oposição aos alunos adolescentes de Naruto ou Blue Exorcist, poderá também interessar jovens mais velhos ou adultos que considerem demasiado infantis os mangas supracitados.

Não tendo lido o livro juvenil de ficção científica de Hiroshi Sakurazaka, não podemos averiguar o quão fiel o manga é relativamente à narrativa original. No entanto, independentemente deste factor, parece-nos que esta poderá ser uma interessante porta de entrada para os leitores não familiarizados com o manga e os seus signos, especialmente para os apreciadores de ficção científica, uma vez que Sakurazaka utiliza conceitos que são facilmente reconhecidos pelos ocidentais de outros livros e filmes, sejam eles norte-americanos ou europeus.

Por outro lado, Takeshi Obata e a sua equipa utilizam mais o desenho realista do que qualquer outro mangaka nas propostas da Devir, o que poderá, mais facilmente, aproximar desta obra os leitores que nunca ou raramente leram manga.

Sublinhe-se que, de qualquer modo, com esta obra, nos encontramos na área do puro entretenimento e que alguns leitores poderão encarar o capítulo final como uma resolução demasiado simplista e facilitista. Relembre-se, contudo, que a obra é baseada num romance juvenil ilustrado.

Eis algumas imagens da edição portuguesa. Clique nas imagens para as visionar em toda a sua extensão:

nota: as imagens foram gentilmente cedidas pela editora.