A Mundo Fantasma iniciou uma série de publicações impressas em risografia que denominou de Colecção Privada. A primeira delas foi Vaga da autoria de Nuno Sousa, aquando da exposição Intervalos, Lacunas e Imagens em Falta na sua galeria, em maio passado.

Esta publicação reúne um conjunto de ilustrações de cariz biográfico da família do autor, tendo a particularidade de, na ausência da documentação fotográfica do palacete do Conde de Alto Mearim em Matosinhos, evocar por meio do desenho a memória dos familiares.

Clique nas imagens para as visualizar em toda a sua extensão:

Eis a sinopse do autor:
Durante cerca de trinta anos, os meus avós paternos, assim como a minha mãe e meus tios, viveram num palacete do séc. XIX em Matosinhos, antiga propriedade do Conde de Alto Mearim, junto ao mercado municipal. O meu avô era na altura vigilante do armazém de uma empresa de exportações que tinha comprado o palacete uns anos antes. De um modo particularmente irónico, a minha mãe e os meus tios, que sempre viveram no limiar da pobreza e não tiveram a possibilidade de estudar, viveram durante a sua infância e adolescência num palacete (mais propriamente, num anexo do palacete, mas tendo acesso a todo o terreno da quinta e a parte do edifício principal) onde décadas antes havia vivido um conde e a sua família. O edifício foi entretanto demolido em 1973, tendo a minha família passado a habitar um apartamento perto do local.

Alguns anos mais tarde, aperceberam-se de que não possuíam fotografias do edifício, sendo que até hoje não se conseguia encontrar nenhuma imagem com suficiente definição que pudesse documentar como tinha sido o palacete. As únicas imagens encontradas provém de registos fotográficos aéreos do porto de Leixões, onde o referido palacete é visto muito ao longe, perdendo-se no meio do arvoredo que o circundava. As histórias passadas nesse espaço, assim como a curiosidade da desproporção entre o nível económico de vida dos seus habitantes e a grandiosidade do local, marcaram, até aos dias de hoje, as gerações de familiares que não chegaram a conhecer o edifício.

Foram produzidos 93 exemplares assinados pelo autor (referência M/F 11), existindo uma edição especial de 20 exemplares, aos quais são acrescentados três glicées (M/F 30 a 32) e oito impressões em risografia (M/F 12 a 19).