Reza uma das lendas que o personagem Wolverine era mais uma aparição mensal na revista The Incredible Hulk que surgiu de uma premissa simples e muito ao agrado do público infantojuvenil norte-americano: «quem vencerá o combate?», neste caso em concreto, podendo os leitores “apostar” no gigante nitidamente mais forte ou naquele de baixa estatura com garras “indestrutíveis” e a capacidade de rapidamente se autorregenerar. No entanto, todas estas reflexões que os criadores realizam com base no seu percurso e dos personagens com décadas de existência têm sempre de ser analisadas com cuidado, pois nem sempre correspondem ao que, naquele momento, seria o pressuposto individual de um autor ou o pressuposto coletivo de toda a equipa criativa.

O que é indiscutível é que, durante o pequeno cameo em The Incredible Hulk #180 (outubro de 1974) e o confronto com o gigante esmeralda no número seguinte, ambos desenhados por Herb Trimpe, o Wolverine, tal como as restantes personagens sem importância na narrativa major do protagonista do título, teve uma caraterização minor ao longa das poucas páginas em que aparecia, focando-se no necessário para se justificar o confronto e sua resolução.

Deste modo, quando este personagem secundário, criado pelo argumentista Len Wein e o diretor da arte John Romita, Sr., foi escalado por Chris Claremont e John Byrne para pertencer à nova equipa de X-Men em Giant-Size X-Men #1 (1975), o Wolverine era praticamente tão obscuro como as novas personagens que surgiram na mesma revista (Tempestade, Noturno, Colossus, John Produstar, Illyana Rasputin ou Krakoa).

Na altura, ninguém previra que a revista dos X-Men se viria a tornar um dos títulos-base da Marvel nem que o Wolverine atingisse graus de popularidade que lhe permitiriam ter uma minissérie em nome próprio em 1982 e a publicação de uma revista mensal a partir de 1988. E uma das técnicas utilizadas para aumentar o interesse dos leitores pela personagem foi less is more, ou seja, mais importante do que aquilo que ia sendo revelado sobre a personagem, era o que ficava por contar e as insinuações que eram proferidas, com direito a múltiplas interpretações.

Deste modo, quando a minissérie Origem foi publicada entre novembro de 2001 e março de 2002 (sem sequer ostentar a palavra Wolverine no título nem capa), os leitores estavam extremamente curiosos para conhecer a verdade sobre a origem de Wolverine. Não foi, portanto, de estranhar, que a Devir publicasse em Portugal, também em 2002, a minissérie de 3 números Wolverine: Origem, à qual se viria a suceder um encadernado de capa mole.

O sucesso da minissérie originou que um dos títulos mensais de Wolverine entre 2006 e 2010 mimetizasse o da minissérie, sendo intitulado Wolverine: Origins e que dava continuidade ao arco Origins and Endigs  (Wolverine vol. 3 #36-40) e a House of M. Por outro lado, a minissérie Origin foi uma das bandas desenhadas que foi utilizada na adaptação cinematográfica da prequela X-Men Origins: Wolverine (2009). No filme, o personagem da BD Dog (Cão) Logan funde-se com a de Dentes-de-Sabre. Este conceito, se se tratava ou não da mesma personagem, vinha a ser inclusivamente debatido pelos fãs durante vários anos após o lançamento de Origin e existiram inclusivamente algumas pistas que levavam a acreditar que Dog Logan seria o Dentes-de-Sabre. No entanto, tal não se viria a confirmar. A personagem Dog Logan só viria a surgir novamente em 2010 na minissérie Astonishing Spider-Man & Wolverine (as revistas brasileiras onde consta essa minissérie não foram exportadas para Portugal), Wolverine vol. 2 #304 (cf. a revista brasileira da Panini Wolverine 1.ª série #103, distribuída em Portugal em março de 2014) e mais recentemente os leitores puderam vê-lo nas revistas brasileiras distribuídas em Portugal que reproduzem Wolverine and the X-Men #25-35 (cf. Wolverine 2.ª série #4-9, editadas pela Panini, distribuídas em Portugal nos últimos meses do ano passado e primeiro semestre deste ano).

A própria minissérie de banda desenhada viria a gerar em 2014 uma segunda minissérie, intitulada Origin II, com uma nova equipa criativa. Dog/Cão Logan não surge neste nova banda desenhada, a qual introduz Victor Creed, o futuro Dentes-de-Sabre, na vida do futuro Wolverine. A G-Floy planeia a edição desta obra no nosso país no último trimestre de 2015. Entretanto, a primeira minissérie já se encontra novamente disponível, tendo a particularidade desta terceira apresentação ser em capa dura.

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Eis a sinopse da editora:
A origem do mais misterioso heróis da Marvel é finalmente revelada! As origens do mutante e membro dos X-Men conhecido como Wolverine sempre estiveram envoltas em mistério. Nem ele próprio parece conhecer o passado terrível que terá criado o mais feroz e brutal dos X-Men. Mas agora, tudo será revelado neste livro que nos levará até aos finais do século XIX e ao Canadá rural, e à história de três jovens que encerram o segredo da origem do Wolverine. Esta saga marcou um momento de viragem nas histórias que a Marvel contou sobre alguns dos seus maiores heróis. Com argumento de Paul Jenkins, vencedor de um Eisner pela sua série dos Inumanos, desenho de um dos mais lendários artistas da actualidade, Andy Kubert, e cores de Richard Isanove − com um estilo muito inovador que passa pela sua aplicação directa sobre os desenhos sem arte-final − Wolverine: Origem foi um dos maiores sucessos da Marvel e uma das suas mais importantes histórias. Originalmente editada no nosso país em 2002, esta saga regressa agora numa luxuosa edição em capa dura. A origem do mais popular dos mutantes, Wolverine, chegou a ser considerada “a maior história da Marvel nunca contada”, e a Casa das Ideias chegou a dizer que ela nunca seria contada. Mas no início dos anos 2000, um grupo de editores e escritores da Marvel decidiram que estava na altura de o fazer − com o recente sucesso de filmes de super-heróis da Marvel no cinema, e com o facto de que a editora não tinha nenhum controlo criativo sobre ele, por ter cedido os direitos aos estúdios, temiam que essa história acabasse por ser contada no grande ecrã. Bill Jemas, na altura Presidente da Marvel, e Joe Quesada, uma lenda dos comics, quer como escritor e desenhador, quer como editor, prepararam essa história e contrataram Paul Jenkins, que tinha acabado de ganhar um Eisner com uma série da Marvel (algo que na altura ainda era muito raro, ao contrário dos nossos dias) para escrever o seu argumento. Com desenho de Andy Kubert, que estava na altura a começar a tornar-se na super-estrela que é hoje e com as cores que o francês Richard Isanove aplicou directamente sobre os lápis de Kubert (sem qualquer arte-final), Origem tornou-se num dos grandes best-sellers de sempre da Marvel.
“Nunca nos cansamos da arte de Andy Kubert. Origem, e mais tarde 1602, provaram que este favorito dos fãs consegue fazer mais do que simples batalhas de super-heróis. E igualmente impressionantes são as cores digitais de Richard Isanove, que na altura ainda eram uma novidade, e que Origem ajudou a tornar populares.” — IGN.com

Formato comic, 17 x 26 cm
capa dura
168 páginas a cores
ISBN 978-87-91630-93-4
PVP: 11,99€