Juan Cavia é o autor do cartaz da Comic Con Portugal 2015, sendo um dos convidados do evento. É o desenhador da trilogia As Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy, um bestseller português que teve direito a edição norte-americana pela Dark Horse. Para o início do primeiro trimestre de 2016, está previsto o lançamento da BD Os Vampiros, novamente na companhia de Filipe Melo. Para esta pequena entrevista, a maioria das questões são idênticas às da entrevista realizada a Filipe Melo.

Nuno Pereira de Sousa: Que principais géneros, personagens e autores foste lendo em banda desenhada ao longo da vida?
Juan Cavia: Bem, as minhas primeiras incursões no mundo da banda desenhada foram devidas aos desenhadores. Costumava comprar BD que raramente lia mas observava uma e outra vez as vinhetas, as expressões das personagens, a composição… A minha primeira abordagem concreta foi devido à série televisiva Batman: The Animated Series, que me deixou louco; não demorei a encontrar os comics que seguiam o estilo da série e então foi-se abrindo um mundo. Quando comecei a estudar desenho, conheci artistas que, por diferentes virtudes me marcaram para sempre, desde Hugo Pratt a Moebius, desde Enki Bilal a Jordi Bernet, desde Travis Charest a Greg Capullo.

NPS: Tens um percurso no cinema e na banda desenhada. Como o teu percurso numa área tem influenciado a outra?
JC: O cinema é, talvez, a arte mais complexa no sentido mais amplo da palavra “complexo”, uma vez que nele confluem a maioria das artes, ou, pelo menos, assim deveria ser. Eu caí no mundo do cinema um pouco por acaso. Não sabia que carreira seguir e o desenho parecia-me algo um pouco solitário. Tinha alguns conhecimento de música, cenografia e teatro, pelo que me pareceu que o cinema era um caminho possível. As voltas da vida levaram-me a ser diretor de arte.

NPS: És o autor do cartaz deste ano da Comic Con Portugal. Baseaste-te no que viste o ano passado ou no que esperas ver este ano?
JC: Ahahah! Um pouco dos dois. Pareceu-me divertido o desafio. Espero que algumas pessoas se possam sentir identificadas ou, pelo menos, divertir-se com a ideia.

NPS: Conjuntamente com o Filipe Melo, estás a trabalhar numa nova banda desenhada, Os Vampiros, ambientada na Guiné-Bissau durante a Guerra Colonial Portuguesa, que se prevê que seja lançada no primeiro trimestre de 2016 pela Tinta-da-China. Fala-nos um pouco sobre ela.
JC: É o nosso trabalho mais difícil. Tentamos que em cada livro se dê mais um passo relativamente ao anterior mas este salto foi gigante, não apenas pela extensão (tem mais do dobro de páginas do que o livro anterior) mas também porque o argumento é muito mais complexo e difícil de adaptar.

NPS: Além d’ Os Vampiros, estás atualmente a trabalhar em mais alguma BD?
JC: Em mais nenhuma. O meu principal trabalho é como diretor de arte no cinema. Para já, só faço banda desenhada com o meu amigo e colega Filipe.

NPS: Qual foi a tua opinião sobre a Comic Con Portugal 2014 e que expectativas profissionais e pessoais tens relativamente à edição de 2015?
JC: A nível pessoal, senti-me muito bem tratado. Parece-me uma convenção muito completa e organizada.

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