Foi a 16 de maio de 2013 que a filipina Camille Camz Dagal remeteu um convite a Amanda Baeza para desenharem um zine em conjunto, apesar de presumir que Amanda estivesse naquele momento muito ocupada. No dia seguinte, Amanda respondeu-lhe, aceitando o convite, antevendo inclusivamente que seria o projecto perfeito para relaxar do trabalho. O resultado da parceria das duas autoras é o zine Ping Pong, lançado no final de 2015.

Presume-se que afinal não se tratou de um projecto relaxante, sendo possível observar no próprio trabalho momentos de pausa e frustração, bem como de entusiasmo e enérgica produtividade. A sequência de ilustrações é ela própria um mapa da comunicação entre as autoras, não só da tal partida de ping pong, mas também dos seus sentimentos a propósito do projecto concluído cerca de 2 anos e meio depois e de momentos em que se prosseguiu o trabalho com as pistas deixadas pela outra autora na jogada anterior ou, pelo contrário, se caminhou numa direção inesperada.

O método escolhido foi um diálogo em que competiria à autora seguinte transformar a página anterior, composta numa quadrícula 21×14. O projecto só se iniciaria, contudo, em maio de 2014, no momento em que Amanda propõe 2 circunferências preenchidas alinhadas horizontalmente, um pequeno sol raiado e um linha circular, dispostas como se se tratassem respetivamente de olhos, nariz e uma boca sorridente. No mês seguinte, surgiria a proposta de Camz, seguindo a pista deixada do possível antropomorfismo, compondo, maioritariamente com figuras geométricas, o vestido e cabelo da personagem, e reutilizando a forma dos olhos para um botão do vestido. Estava dado o mote do primeiro ping e o primeiro pong.

No entanto, o desenho seguinte é novamente de Camz, nove meses depois. A quadrícula original foi reduzida a 15×10 e a personagem perdeu o sorriso, enquanto os limites da nova quadrícula 21×14 exterior são sombrios e tristes. O projecto não mais tinha avançado… Interrompido o ping pong entre as autoras, Camz fez este novo pong, quiça numa tentativa de reactivar o projecto. Amanda responde-lhe com o seu ping no próprio mês, tornando a personagem ainda mais triste mas reduzindo novamente a quadrícula e quiça o problema, ao indicar que existem possibilidades para além da névoa. Deste modo, na jogada seguinte Camz já nos mostra a primeira personagem criada a sorrir, num momento de celebração em que a a triste e sombria névoa é transformada num diapositivo repleto de energia.

É em junho de 2015 que se regista o mês mais produtivo, com direito a 4 ilustrações, onde não só as autoras não seguem as pistas deixadas pela outra – p.e., Camz não conclui a terceira personagem, que viria a ser a mais macro de todas, proposta por Amanda, sendo a própria Amanda a fazê-lo na jogada seguinte – mas surpreendem-se uma à outra na materialização das personagens anteriormente virtuais, alteração da forma da segunda personagem criada ou abandono da técnica de reutilização da imagem anterior para produzir uma nova.

Com esta última inovação, o leitor deixa de ter o privilégio de acompanhar da mesma forma o ping pong entre as autoras para se centrar numa narrativa que se inicia após a derradeira transformação das personagens. No final, em setembro e outubro de 2015, competiu a Amanda seguir este novo trilho para acompanharmos as 3 personagens na sua última demanda. Pong!

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