Apesar do mercado editorial português estar muito afastado do festival anual de banda desenhada realizado em Angoulême, o mesmo continua a ser um importante evento internacional para leitores, editores e autores nacionais.

Curiosamente, ao contrário do que sucedeu com as obras premiadas em 2014, o ano passado foi editado no nosso país um dos álbuns laureados em 2015, a banda desenhada O Árabe do Futuro: Ser Jovem no Médio-Oriente (1978-1984).

Sem mais delongas, eis os álbuns premiados este ano neste evento, um deles já editado em Portugal pela Polvo, Tungsténio de Marcello Quintanilha:

Fauve  d’or: Prix du meilleur álbum
Ici – Richard McGuire (Gallimard)

Fauve d’Angoulême: Prix du Public Cultura
Cher pays de notre enfance – Enquête sur les années de plomb de la Ve République – Benoît Collombat & Étienne Davodeau (Futuropolis)

Fauve d’Angoulême: Prix Spécial du Jury
Carnet de santé foireuse – Pozla (Delcourt)

Fauve d’Angoulême: Prix de la série
Ms. Marvel T1 – G. Willow Wilson & Adrian Alphona (Panini)

Fauve d’Angoulême: Prix Révélation
Une Étoile Tranquille: Portrait sentimental de Primo Levi  – Pietro Scarnera (Rackam)

Fauve d’Angoulême: Prix Jeunesse
Le Grand Méchant Renard – Benjamin Renner (Delcourt)

Fauve d’Angoulême: Prix du Patrimoine
Père et Fils / Vater und Sohn – L’Intégrale – Erich Oser / E. O. Plauen (Warum)

Fauve d’Angoulême: Fauve Polar SNCF
Tungstène – Marcello Quintanilha (Çà et Là)

Fauve d’Angoulême: Prix de la BD alternative
Laurence 666 #5 – VA (Mauvaise Foi Éditions)

Registe-se que no que toca ao prémio da BD alternativa se trata de uma das poucas categorias onde editorialmente Portugal não se encontra completamente alheio, ou pela presença de uma publicação portuguesa ou da presença nacional em antologias internacionais ou por edições estrangeiras da série em questão publicadas no nosso país. O Clube do Inferno estava na corrida com a QCDI 3000 editada pela Chili Com Carne, ao lado de 28 outros zines publicados em diferentes países, alguns dos quais habitués nestas andanças, como o croata Komikaze (cujo #14 conta com duas BD de Amanda Baeza, Hollow e 7 Days of Awe, a última das quais com argumento de Pedro Moura) ou os brasileiros Café Espacial (cujo #15 apresenta a BD “O Meu Vizinho” da portuguesa Teresa Câmara Pestana) e Maria Magazine (tendo o livro Seu Nome Próprio… Maria! Seu Apelido, Lisboa! de Henrique Magalhães sido recentemente editado em Portugal).

O autor laureado com o Grand Prix du festival d’Angoulême 2015 foi o belga Hermann, como já tínhamos noticiado aqui.

O Grande Júri do 43.º Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême foi composto por Antonin Baudry (autor, presidente do júri), Laurent Binet (escritor), Nicole Brenez (professor de linguagem das imagens), Philippe Collin (jornalista), Véronique Giuge (livreira), Hamé (músico e realizador) e Matt Madden (autor de BD).

Quanto ao comité de seleção foi composto por Nicolas Albert (jornalista), Mathieu Charrier (jornalista), Charles Ferreira (livreiro), Jean-Pierre Mercier (conselheiro científico da CIBDI – Cité internationale de la bande dessinée et de l’image), Thomas Mourier (Festival international de la bande dessinée), Juliette Salin (jornalista) e Ezilda Tribot (Festival international de la bande dessinée).

Quanto às obras de BD, foram consideradas aquelas publicadas entre dezembro de 2014 e novembro de 2015.

Se o ano passado foi instituído um novo prémio permanente e internacional, o Prix Charlie Hebdo de la Liberté d’Expression, o ano passado atribuído aos falecidos Cabu, Charb, Honoré, Tignous e Wolinski, este ano foi decidida a não atribuição desse prémio, uma decisão do Festival em concertação com o semanário, que teve em conta os ataques de 13 de novembro em Paris e a preocupação do risco acrescido que a atribuição do prémio poderia gerar aos laureados e àqueles que lhes são próximos.

Curiosamente, o F.OFF (leia-se fuck off), o festival de microedição independente que existe à margem do Festival  Internacional de Banda Desenhada de Angoulême há 7 anos, optou por atribuir um prémio similar, denominado couilles-au-cul, à desenhadora tunisina Nadia Khiari. Este prémio tem como fim premiar a coragem artística de um autor, sendo uma iniciativa do redator-chefe da revista francesa Fluide Glacial.

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