ferdinandoEste mês, chega às livrarias a primeira versão ilustrada da obra A História de Ferdinando. Escrita por Munro Leaf e ilustrada por Robert Lawson foi publicada pela primeira vez nos EUA em 1936, tendo vindo a ser selecionada como um dos 10 clássicos em prol da paz e da tolerância pela Internationale Jugend Bibliothek. Ou o seu protagonista, um sensível touro, não preferisse a tranquilidade de um prado e o aroma das flores, frente à bravura dos demais touros.

A História da publicação da obra, com mais de 60 traduções, encontra inclusivamente paralelismos na História da Humanidade. Recomendada na Rússia e na Índia, consta que era o livro preferido de Ghandi. Na Alemanha nazi, Hitler ordenou que fosse queimada. Em Espanha, país onde tem lugar a narrativa, foi proibida por ser considerada uma crítica à Guerra Civil.

Se é fácil identificar o lirismo da prosa de Leaf, na qual se questiona as touradas, se rejeita a violência e se apoia o respeito pela diferença e a liberdade individual, o subtil humor está também presente.

Quanto às ilustrações a preto e branco de Lawson, por vezes repletas de pormenores, realizam um compromisso entre o realismo e o cartoon, exacerbando a bucólica tranquilidade, bem como o humor no aglomerado populacional onde a tourada se realiza.

Clique nas imagens para as visualizar em toda a sua extensão:

Eis a sinopse do livro a editora:
Era uma vez, em Espanha… …um pequeno touro que se chamava Ferdinando. Todos os touros da mesma idade gostavam de correr e saltar e dar marradas uns aos outros. Todos, menos Ferdinando. Do que ele gostava era de estar sossegado, a cheirar as flores…

Certamente que a narrativa será conhecida da maioria dos leitores, através da animação da Disney Ferdinand the Bull, realizada por Dick Rickard em 1938 e vencedora do Óscar para melhor curta de animação. Nessa adaptação, o próprio fundo escolhido para o poster e o segmento de abertura corresponde às da capa do livro. Registe-se que as feições dos toureiros, desenhada por Ward Kimball, são caricaturas de artistas da Disney, nomeadamente Bill Tytla, Fred Moore, Art Babbit, Ham Luske, Jack Campbell e os próprios Walt Disney e Kimball.

Em 2017, estreia nas salas de cinema nacionais o novo filme de animação norte-americano inspirado no livro, realizado por Carlos Saldanha (A Idade do Gelo, Rio) e produzido pela Blue Sky Studios e Twentieth Century Fox Animation.

MUNRO LEAF (Maryland, 1905 – 1976) estudou nas universidades de Maryland e de Harvard, onde se especializou em Literatura Inglesa. Foi professor e editor. Das quase 40 obras que escreveu ao longo de quatro décadas de trajetória como autor, “A história de Ferdinando” é a mais conhecida. Esta não foi porém a sua única colaboração com Robert Lawson; o segundo livro que fizeram juntos, “Wee Gillis”, recebeu a Medalha Caldecott em 1939.

ROBERT LAWSON (Nova Iorque, 1892 – Connecticut, 1957) estudou na Escola de Belas-Artes de Nova Iorque e a sua carreira começou em 1914 com a publicação de um poema contra a invasão da Bélgica na revista “Harper’s Weekly”. Depois de prestar serviço militar no Exército dos EUA durante a I Guerra Mundial, retomou a sua faceta artística e em 1922 ilustrou o seu primeiro livro infantil. A sua trajetória conta com cerca de 70 publicações, algumas delas adaptadas ao cinema de animação. Foi galardoado com as Medalhas Caldecott (1941) e Newbery (1945), e com o Lewis Carrol Shelf Award (1961). O seu legado documental e artístico encontra-se na Universidade do Minnesota e na Biblioteca Pública de Filadélfia.

A História de Ferdinando
Munro Leaf (texto) & Robert Lawson (ilustração)
Editora: Kalandraka
Páginas: 72
Apresentação: capa dura
Formato: 18,5 x 22,5 cm
ISBN: 978-989-749-057-6
Preço: 13,00 €