por Pedro Silva

MOW

Ler Men of Wrath – Má Raça, deixa-nos imóveis e sem fôlego até à ultima página. Ficamos de livro aberto, chegados ao final, a olhar para os créditos, a ler a contracapa e a pensar no turbilhão de acontecimentos, e a querer mais, muito mais! Torna-se difícil fechar e guardar o livro.
É preciso reler.

Quando parece ser impossível algo pior acontecer… basta virar a página e eis que tudo muda, e sempre para pior!!!…

Aparentemente, existe um carma que acompanha a família Rath desde o início do século XX, tudo devido a umas ovelhas, uma rixa e um homicídio!

Ira Rath, implacável assassino profissional, aceita uma missão que acaba por mudar o rumo dos acontecimentos… E talvez até acabe com o carma… No fim, tudo fica em aberto. Fica uma dúvida, uma esperança de um novo começo, mas, como sempre, o fim é resultado da soma de todos os erros, um pagamento pelos actos e acções, que acaba por trazer a doença, a solidão e a indiferença.

É uma obra violenta, psicológica e visualmente. Pensamos nas razões e motivos para que tais factos tenham lugar na vida das pessoas. Será que está mesmo no sangue? Ou, simplesmente, são acções motivadas pelas experiências vivas, traumas, questões mal resolvidas, dúvidas, perguntas por fazer, respostas por obter?

Ao mesmo tempo, a obra vai apaziguando as nossas emoções com momentos de amor, sexo (descuidado…), esperança na criação e nascimento de nova vida.

Men of Wrath consegue questionar-nos relativamente ao porquê da razão da violência, da ausência do amor e do ódio que as personagens carregam. A indiferença e crueldade dos seus sentimentos é de grande violência emocional.

Jason Aaron enfatiza, através do argumento, e para além do desenho de Ron Garney, essa violência com diálogos de grande impacto que traduzem, mais uma vez, toda a ira que se vai desenrolando ao longo da obra.

Com um argumento implacável a que Jason Aaron nos tem vindo a habituar – como, por exemplo, em Southern BastardsMen of Wrath impõe um sentimento muito realista a toda a obra.

O desenho de Ron Garney acompanha muito bem as emoções do argumento. Um traço nem sempre constante em toda a obra, mas que num todo acaba por ter equilíbrio.

Vinhetas escuras e confusas, que carregam um forte sentimento dos actos e ambientes vividos, contrastam com fantásticas vinhetas de cor e equilíbrio na sua composição. Tem passagens excelentes, a jogar com a nossa mente, reportando-nos para os pensamentos ou medos vividos, bem como vinhetas que nos respondem a questões imediatas pela sua composição gráfica e objectividade. Uma constante variação da composição de cada prancha transmite um movimento e dinamismo interessante em toda a obra.

Se queremos confundir emoções e sentimentos durante uma boa leitura, é preciso ler Men of Wrath… Sem dúvida, uma boa recomendação.

Quanto à fantástica edição da G-Floy, que dispensa apresentações, tem um excelente trabalho de encadernação, bom papel e excelente tradução. Há palavras de maior agressividade que têm mesmo de lá estar, marcando a diferença e que ajudam muito na caracterização da obra. É importante transmitir essa agressão verbal e semântica, para que, com maior brutalidade, se possam transmitir juízos de valores sobre as personagens. Evitá-las, alterá-las ou criar sinónimos menos agressivos seria perigoso para a qualidade da obra num todo. São os pequenos/grandes pormenores que somam créditos a esta obra.

Men of Wrath: uma leitura obrigatória.

Pode visualizar os previews e demais apresentação desta obra aqui.

Men of Wrath: Má Raça foi distribuído este mês nalgumas livrarias. Chega no próximo mês às bancas, bem como às restantes livrarias que comercializam os produtos da G. Floy.