Como era o mercado editorial da BD há 10 anos? Começámos a responder a essa questão com o estudo clínico do primeiro semestre de 2006 e o balanço do mercado de BD em 2006. Republicamos um artigo de opinião de Bruno de Campos sobre o decrescimento do número de publicações de BD naquela ano e a conjetura de então, o qual tínhamos originalmente publicado a 27 de janeiro de 2007 no portal bdesenhada. Prepare-se para mais uma viagem no tempo…

Por Bruno de Campos

Capítulo 01: PROPÓSITOS E CARTAS FORA DO BARALHO

Após uma explosão editorial que estilhaçou todos os recordes de títulos de BD publicados em Portugal, o mercado nacional encontra-se agora num ponto em que parece caminhar para a implosão, se formos pessimistas, ou para uma normalização entre a Oferta e a Procura, se formos um pouco mais realistas.

Devido à inexistência de dados concretos para análise do mercado (em termos de vendas), este artigo é feito com base nos poucos números que foram transpirando ao longo dos anos. E tendo por base a minha vivência enquanto elemento desse “mercado” como comprador, autor e editor (de fanzines) há mais de uma década.

Mais do que um balanço ou previsão do que será o futuro da BD em Portugal neste ano, pretendo pura e simplesmente apresentar um análise imparcial da evolução do mercado português e de como se chegou à presente situação.

Foi durante a última década que o “mercado” como o conhecemos (res)surgiu e evoluiu.

Antes de continuar, existe um ponto que convém esclarecer. No mercado actual, os autores nacionais, são quase irrelevantes. Contra mim falo, como (pretenso) autor, mas esta é a triste realidade. A tiragem média de um álbum de sucesso é de 1500 exemplares. Este facto torna inviável a sobrevivência do autor, trabalhando unicamente em BD, ou mesmo de conciliar a actividade de autor com uma actividade mais lucrativa e que pague as contas.

A partir do momento em que é impossível permitir a um autor viver unicamente de, ou tendo como uma fonte de rendimento, o trabalho que faz na área da BD, o autor de BD passa a ser uma carta fora do baralho. Nenhuma editora pode contar com os autores, uma vez que eles não podem assegurar uma produção regular, e nenhum autor pode contar com a editora, com o seu trabalho (como autor), para lhe proporcionar uma fonte de rendimento. É uma pescadinha de rabo na boca. O autor não admite interferências editoriais, nem o editor tem “poder” para as impor, uma vez que o autor trabalha em part-time, cria BD por hobby, faz BD pelo prazer de criar ou pela necessidade de se expressar. Resultado, o autor produz maioritariamente material que é entendido como alternativo, como material que não é comercial, incapaz de atrair o público, o que algumas vezes é verdade. Contudo, também pode ser que o tema não interesse ao editor. Por outro lado, este, como não pode encomendar um álbum que considere viável – ou dentro da sua predilecção –, tem de se contentar com o que o autor quer exprimir, ou, então, compra uma série estrangeira, que considera viável, que lhe agrade e que, na maioria dos casos, já provou que vende, diminuindo o risco do investimento.

Hoje em dia, devido à melhoria dos meios de impressão, é possível editar um álbum com uma tiragem de 200 exemplares, (quase) com a mesma qualidade de um álbum profissional com tiragens de 1000 exemplares ou mais.

A evolução da tecnologia veio permitir que hoje seja (quase) impossível distinguir um álbum de um editora profissional de uma edição de autor. Em termos financeiros, não altera nada para o autor. Contudo, vem possibilitar uma maior visibilidade de projectos alternativos, que anteriormente estariam confinados à etiqueta de fanzine. O que ontem era logo identificado como fanzine devido à qualidade de impressão, hoje pode aspirar a ser considerado um álbum/revista, mesmo tendo uma tiragem de 100 ou 200 exemplares.
Após esclarecer este pequeno ponto, quero salientar que ao falar de BD nacional, estou a falar de ÁLBUNS PUBLICADOS POR EDITORAS NACIONAIS. Ao longo da última década, e mesmo antes, 90% da banda desenhada publicada em Portugal, é BD traduzida, e é desse mercado que esta série de artigos aborda, sendo irrelevante fazer distinções entre autores portugueses e autores estrangeiros publicados em português.

Este artigo pretende unicamente explicar como (res)surgiu e evoluiu o mercado nacional, quais os seus problemas actuais e como eles surgiram e não foram evitados.

Capítulo 02: O Mercado: como ele (res)surgiu

Falar de “mercado” de BD em Portugal não é exactamente o mesmo que falar do “mercado” de BD em Espanha, França, Brasil, EUA e outros países. Há vários anos que a BD em Portugal, a “indústria” da BD em Portugal, é maioritariamente amadora, e feita de fogachos, de pequenas tentativas de publicar BD, geralmente feita por uns carolas que gostam de BD.

Convém salientar que as editoras actualmente em actividade (Polvo, Devir, VitaminaBD) estavam a dar os primeiros passos há 10 anos atrás ou nem sequer existiam. A Asa, na altura, tinha parado de publicar BD por completo, só retomando a publicação de BD em 2003. O colosso da BD nacional na altura era a Meribérica, que entretanto faliu. Nos últimos 10 anos, ainda foram surgindo e desaparecendo mais uma série de editoras. Na maioria dos casos, são editoras a funcionar em regime de part-time. O facto de actualmente existirem mais editoras do que há uma década não significa que o mercado da BD tenha evoluído; em alguns casos, até podemos dizer que regrediu. Hoje, do mesmo modo que em 1997, nenhuma editora se dá ao luxo de viver da BD que edita. Aliás, actualmente, se tiverem lucro com o que editam, até ficam contentes. Editores, tradutores e todos aqueles que de algum modo estão envolvidos na produção e edição da BD em Portugal só trabalham na BD em part-time; geralmente, têm outro trabalho ou editam outro tipo de produtos que dão lucro.

Actualmente, a situação em termos de quantidade e diversidade do material publicado é melhor do que há 10 anos, permitindo até falar de um mercado. Mas esse mercado é muito débil – em muitos casos, é uma criança que ainda não sabe muito bem o que faz.

Comparações e evoluções
Uma década é muito tempo e para mercados dinâmicos existem muitas alterações, convulsões, problemas que surgem, modas que aparecem e desaparecem, uma série de factores que condicionam a sua evolução. Mas em mercados dinâmicos, épocas em que se vende menos são compensadas por outras em que se vende mais, e como nestes mercados dinâmicos existem pessoas cujo ordenado provem da existência desse mesmo mercado, existe sempre um maior dinamismo em épocas de crise, uma vontade/necessidade de dar a volta a situações melindrosas e a tentar evitar erros passados. Do mesmo modo que existe uma vontade e tentativa de captar novos públicos e de manter aquele que existe.

Por mercado dinâmico, estou a falar de países como Brasil, EUA, Japão, Espanha, e outros mais. Mercados em que existem editoras com várias décadas de existência, que sobreviveram a crises e modas, viveram épocas de grandes sucesso e outras de grandes falhanços. Obviamente que não existe a mínima comparação com Portugal, em que há uma década o mercado era basicamente uma editora – a Meribérica.

Os actuais intervenientes no mercado nacional não tinham surgido, ou estavam a dar os primeiros passos há 10 anos. Os que não desapareceram neste período, encontram-se agora perante a sua primeira crise. Só esse factor, por si próprio, seria suficiente para não se fazer comparações com outros mercados; contudo, existe um factor mais importante – NÃO EXISTEM NÚMEROS. Quero com isto dizer que não sabemos quanto vendem os álbuns publicados; na melhor das hipóteses, sabemos a tiragem, ou podemos ter uma ideia aproximada da tiragem. Mas aquilo que realmente interessa – as vendas -, não sabemos.

Ora, os dados relativamente ao mercado francês ou norte-americano centram-se em três factores: vendas, tiragens e número de títulos publicados. Em Portugal, o único factor possível de contabilizar é o número de títulos publicados, o que por si só não permite saber qual é o estado de saúde do mercado. Apesar de poder haver alguns (poucos) pontos de contacto com outras realidades, na maioria dos casos as comparações com outros mercados são uma mera diversão para justificar falhanços próprios.

Actualmente, a única verdade sobre as vendas de BD em Portugal é que se vende menos do que vendia há uns 4 anos atrás. Mas a justificação para isso é muito simples: em 2002, começou a publicar-se um número de álbuns quase absurdo. Aumentou a oferta sem ter aumentado a procura; resultado, publica-se mais, mas cada álbum vende menos.

Nada de mais, nada de novo! Basta ter em consideração que este facto era do conhecimento das editoras. Deixem-me só relembrar umas declarações proferidas por José de Freitas por altura do FIBDA de 2003: as vendas estão em queda livre, as tiragens cada vez mais pequenas, e os livros cada vez menos tempo em exposição (e portanto a vender ainda menos, numa espiral descendente).

Para depois constatar, naquele feitio bem português, em que mais vale quebrar do que torcer: “finalmente há editoras a apostar numa oferta crescente para conquistar espaço e “fatia de mercado” mesmo perdendo dinheiro. Porque ninguém quer ser o primeiro a diminuir a sua produção. Isso implicaria perda de espaço e visibilidade comparado com a concorrência, o que ninguém quer”.

Obviamente que existem outros factores para a “crise” do mercado nacional, mas convém salientar que o aumento de produção, sem haver um real aumento de consumidores, foi algo que ainda hoje prejudica as editoras. A consequência mais visível foi a falência da Witloof, o (quase) desaparecimento da Booktree e prejuízos para as restantes editoras, as quais têm dificuldades em vender 1500 exemplares de um álbum, existindo alguns casos em que as vendas não chegam sequer aos 500 exemplares.

O problema da venda de BD em Portugal começa, precisamente, em 2002/2003, com o aumento desenfreado de edições. Um factor muito português que impede que se faça comparações com outros mercados. É nessa altura que os álbuns começam a dar prejuízo, e as perspectivas de ter lucro a publicar BD começam a ficar mais diminutas.

O mercado nacional, um mercado plural com diversas editoras, só voltou a existir há poucos anos, depois de um longo período de hegemonia da Meribérica. Por isso, hoje, as editoras – “crianças” com menos de 10 anos – enfrentam a sua primeira crise.

Agora, o mercado da BD nacional encontra-se num ponto em que se adapta, evolui ou morre, voltando 10 anos atrás para uma situação em que só existe uma editora e umas tentativas esporádicas por parte outras. Ou muda.

Este 8 ou 80 tipicamente português dificilmente acontecerá, porque a BD continua a vender e continuará a vender. Hoje em dia, é mais fácil e económico publicar do que em 1997, devido à evolução tecnológica das gráficas. Contudo, uma política canibalesca e autofágica por parte das editoras, pode conduzir a uma situação em que não existe captação de novos leitores e ainda se perdem os actuais, o que tornará mais difícil a sua sobrevivência a médio e longo prazo.

Capítulo 03: Problemas das distribuição (01: no geral e nos quiosques)

A distribuição é o maior problema das editoras, porque é a distribuidora que fica com a maior fatia do bolo. Nenhuma distribuidora se contenta com menos de 50% do preço de capa, chegando a pedirem 60%.

Contudo, convém salientar que desconheço qual a percentagem da tiragem que é vendida pela distribuidora e qual a vendida directamente pela editora, uma vez que algumas editoras fazem distribuição directa para as lojas FNAC e cadeias de livrarias como a Bertrand. Ao retirarem à distribuidora essa parte do negócio, as editoras aumentam (supostamente) os lucros, mas retiram ao distribuidor, pelo menos teoricamente, os principais pontos de venda. É que em termos teóricos diz-se que a FNAC e a Bertrand são os maiores pontos de venda, chegando a representar sozinhas 75% das vendas de um livro. Em que parte este factor é causa para um aumento da percentagem das distribuidoras é algo que desconheço. Causa ou consequência? Caberá a quem possui números afirmá-lo. Este pormenor não é exclusivo das editoras de BD, sendo prática comum no reino da edição (suicida) que se pratica em Portugal.

Voltando ao essencial, a distribuição/venda de BD é feita em livrarias ou em quiosques. Cada um deste pontos do venda tem os seus problemas específicos, embora a percentagem do distribuidor se mantenha no mínimo dos 50% do preço de capa. Contudo cada um destes pontos de venda tem as suas particularidades e convém ser analisados em separados.

Os quiosques
Hoje em dia, é quase impossível encontrar BD nos quiosques. Em 1997, havia um oferta significativa, embora a maioria fosse de super-heróis, revistas da Disney ou Turma da Mónica. A maioria dessa BD era importada do Brasil, sobras das editoras brasileiras. As editoras portuguesas deixaram de apostar nos quiosques há vários anos, devido a questões financeiras. Um título para ser vendido nos quiosques tem de ter uma tiragem de, pelo menos, 3000 exemplares.

Publicar uma revista mensal implica uma logística completamente diferente da publicação de um álbum, pois requer a existência de uma equipa permanente que assegure a publicação da revista a tempo e horas; se em vez de uma única revista se publicarem mais, então os custos fixos com pessoal aumentam exponencialmente. Para tornar a situação ainda mais complicada, é necessário vender, no mínimo, mais de 2000 exemplares; mesmo assim, a editora irá ficar com sobras na ordem dos 1000 exemplares, as quais ficam a ocupar espaço em armazém ou têm de ser destruídas. Não é exactamente um investimento muito atractivo, especialmente quando as revistas de BD em Portugal são as únicas edições de quiosque incapaz de captar investimento publicitário, para ajudar a pagar as contas.

Como um álbum, para ser vendido numa livraria, pode ter uma tiragem a partir dos 500 exemplares, as revistas desapareceram para darem lugar aos álbuns, que são publicações que implicam um risco e um investimento menor; não requerem uma equipa fixa para a sua produção, o que os torna ainda mais apelativos para pequenas editoras, ou para quem pretenda ter uma. Contudo, apesar de em 1997 não existir nenhuma editora portuguesa a editar revistas (com excepção de alguns títulos da Disney), era possível encontrar uma quantidade e variedade de títulos significativa.

A Editora Abril enviava mensalmente os títulos de super-heróis e, ocasionalmente, outros títulos, como Graphic Novels ou o Spirit de Will Eisner. Depois, tínhamos outras editoras brasileiras a enviarem as suas sobras, embora fossem um pouco mais irregulares. Deste modo, era possível encontrar nos quiosques revistas alternativas como a Chiclete Com Banana, Tex e outros fumetti, tendo chegado, inclusivamente, a serem distribuídas alguns mangas. Não existiam revistas portuguesas, mas as sobras do Brasil tomaram conta dos quiosques e permitiram que a BD não desaparecesse nesses pontos de venda.

Quando a Abril/Controljornal iniciou a publicação de super-heróis em Portugal, as sobras do Brasil deixaram de ser distribuídas. As edições da Abril/Controljornal duraram pouco tempo, fazendo com que a BD desaparecesse dos quiosques.

Antes da Devir começar a editar, e mesmo quando esta iniciou a sua actividade, ainda surgiram algumas edições brasileiras. Contudo, estas edições foram “proibidas” ou “banidas” para evitar “concorrência desleal”.

Como as edições nacionais para os quiosques foram sempre inferiores em número de títulos, e mais irregulares que as edições brasileiras, começou a haver menos revistas de BD nos quiosques. Como passou a haver menos edições, o espaço que estava reservado para a BD foi diminuindo. Chegados ao ponto de haver UMA revista de BD a ser publicada de 3 em 3 meses ou com periodicidade ainda mais espaçada, o dono/empregado do quiosque passou a dar menos importância à BD do que já dava.

Para piorar a situação, começaram a surgir outras publicações que vendem mais, dão mais lucro e são regulares. A BD perdeu lugar nas bancas e dificilmente vai recuperar. Posso estar enganado, mas em breve se poderá constatar, quando as edições da Turma da Mónica (re)começarem a ser distribuídas, e, caso venham, mais alguns dos títulos que a brasileira Panini edita.

A principal razão para a BD ter perdido espaço nos quiosques foi porque deixou de haver BD para vender nesses locais, fosse ela publicada em Portugal ou na cochinchina. Ao contrário de outros países, em que a BD de banca/quiosques tem vindo a perder terreno devido apenas ao binómio surgimento de outros produtos mais rentáveis e um investimento dos editores no mercado de livrarias/lojas da especialidade, em Portugal , a BD foi perdendo espaço nos quiosques, essencialmente, a partir do momento em que a Abril/Controljornal começou a publicar super-heróis e em que todas as edições brasileiras que eram para ser distribuídas em Portugal começaram a ser “barradas” para evitar “concorrência desleal”.

Resultado, hoje nem há (quase nenhuma) BD brasileira nos quiosques, mas também não há portuguesa. Se voltar a existir, a curto prazo, BD nesses locais, será devido ao regresso das edições brasileiras, porque não existe nenhuma editora nacional com capacidade financeira para investir nesse mercado.

Chegamos agora à situação irónica em que aqueles que “barraram” a vinda de material brasileiro serem os mesmo que vão agora importá-lo, para ver se conseguem recuperar um espaço que perderam por culpa própria! Só que, neste momento, esse espaço está ocupado por outro tipo de publicações, que foram entretanto surgindo e saturam completamente o mercado.

Capítulo 04: Problemas da distribuição (02: A selva das livrarias)

Como mencionei anteriormente, as livrarias são o ponto de venda por excelência da BD nacional, derivado à equação investimento/risco/lucro.

O facto da banda desenhada ser vendida essencialmente em livrarias, não significa que tenha aí um lugar de relevo. Em 1997, só havia praticamente uma editora em actividade. O espaço que estava reservado à banda desenhada não era muito grande. Actualmente, ocupa sensivelmente o mesmo espaço. Quando a VitaminaBD, a Polvo e a Witloof começaram a editar, existiu um pequeno aumento desse espaço. Contudo, a falência da Mériberica veio ter um efeito pernicioso para o mercado, ao deixar órfãs as duas séries de maior sucesso em Portugal – Astérix e Lucky Luke –, facto que originou uma luta surda pelos direitos desses personagens entre as editoras que estavam no mercado e outras que surgiram. A miragem de adquirir os direitos dos dois grandes bestsellers da BD em Portugal e ocupar o lugar deixado vago pelo defunto colosso, originou um política de edição suicida. Verificou-se uma explosão de títulos editados e, para complicar ainda mais a situação, verificou-se a publicação de várias colecções de BD pela maioria dos jornais.

Esse aumento de produção absurdo não foi derivado de um aumento da procura, ou sequer de um acréscimo do interesse pela BD. Foi única e exclusivamente derivado num aumento do investimento por parte das editoras, sem terem como base qualquer plano de sustentação a curto e médio prazo, excepto o esperar por um milagre e a falência da concorrência.

Foram publicados álbuns que não chegaram a vender 200 cópias. A Booktree deixou (praticamente) de editar e a Witloof faliu. As editoras que ainda se aguentam, passaram a ter prejuízo, e ainda não recuperaram completamente. Actualmente, o mercado pode caminhar para uma normalização, caso não haja mais excessos.

Quero salientar que o aumento do número de títulos publicados, significou um aumento do investimento das editoras, mas só na aquisição de direitos e nas despesas de publicação de álbuns. Nem 10% do que as editoras investiram, foi canalizado para qualquer tipo de campanha para captar novos públicos. Os álbuns foram publicados e ficaram à espera que se vendessem. É a velha politica de captação de público das editoras nacionais, que consideram que publicar os álbuns e enviá-los para as lojas é o suficiente para eles venderem. Quando não vendem, a culpa é do leitor, que não tem interesse, do livreiro, da distribuidora ou da televisão. Um factor que não se alterou na última década foi o autismo das editoras.

Existiram algumas excepções, mas coitadas, foram feitas de um modo demasiado tosco, que acabou por ter o efeito contrário ao pretendido.

Uma década depois existe outro factor que continua a impedir uma evolução sustentada do mercado. A BD é publicada em Portugal aos soluços. Geralmente, as editoras optam por fazer 3 ou 4 lançamentos, em simultâneo, que concentram em 2/3 meses. Resultado, o leitor perde o hábito de comprar regularmente BD. E como as editoras apostam todas nas mesmas datas, o número de novidades é demasiado elevado para que o leitor as compre todas. Para além disso, uma livraria que está 3 meses ou mais sem receber uma novidade de BD, dificilmente vai aumentar o espaço de exposição que lhe reserva, porque as editoras de outro género de livros – aquelas que permitem ao livreiro ter o negócio aberto – não param de editar só para dar espaço à BD, especialmente nas épocas nobres do ano em que “vale” a pena editar. A concentração de lançamentos em determinados meses, condena certas novidades a terem pouca ou nenhuma exposição, existindo casos em que o leitor nem se apercebe de que os álbuns foram publicados.

Existem razões para a editoras publicarem álbuns em conjuntos de 2 ou mais. A principal, embora esta não se aplique a todas as editoras, apenas aquelas que tenham uma componente grande de se distribuírem a si próprias, é o problema de logística. Normalmente, o custo de enviar 10 livros para um cliente é o mesmo de enviar 20 (sobretudo quando se tem um contrato fixo com uma transportadora), portanto se um cliente leva 10 de cada novidade, mais vale lançar duas duma vez, porque os custos de transporte ficam pela metade. Isto é uma explicação dada por um editor. Só que se esqueceu de mencionar que a distribuição própria geralmente significa : hipermercados, FNAC e Bertrand, que, em conjunto, representam, às vezes, 75% do mercado – segundo dizem os sábios.

Os custos de transporte podem sair mais baratos para o editor ao enviar 2 ou 3 novidades num mês, só que acabam por sair mais caros quando vende os mesmos 10 álbuns com 2 títulos diferentes que poderia vender de 1 só título e ainda recebe as devoluções.

A questão que se coloca é só uma. Não faria mais sentido a editora abdicar da distribuição própria para esses três pontos de venda? Por exemplo, entregar a distribuição a uma distribuidora que tivesse a possibilidade de distribuir os álbuns a um ritmo mais regular e espaçado, para evitar a inundação de títulos em 2 ou 3 meses, ocasionando que existam álbuns que acabam por não vender o suficiente para justificar a edição, devido ao excesso de lançamentos nesses meses “chave”. Não faria mais sentido optar por uma edição mais regular?

Acredito que a curto prazo pudesse ser uma opção menos vantajosa, mas criar o hábito no livreiro, e no leitor, de ter novidade todos os meses ou bimestralmente, era capaz de ser mais vantajoso a médio e longo prazo.

Existem problemas que as editoras podem atirar para cima da distribuidora e do livreiro, mas quem é que tem a culpa de todas editoras apostarem nos mesmos meses, causando uma situação de excesso de edições em 3 meses, e uma escassez nos restantes?

Capítulo 05: Problemas da distribuição (03: As lojas da especialidade)

Um dos erros comuns na análise do mercado nacional, é apontar a irrelevância das lojas especializadas em Portugal para a facturação das editoras, em contraponto com outros mercados onde as lojas especializadas têm um papel fulcral na facturação das editoras. E temos a queixa de que algumas nem sequer vendem álbuns editados em Portugal.

Em mercados dinâmicos e maduros, as lojas especializadas em BD surgiram para vender a BD produzida nesses países. As lojas nacionais de BD surgiram para vender BD importada, é essa a sua razão de ser, a sua razão de existir. Convém lembrar que as 3 lojas mais antigas, as precursoras BdMania, Mongorhead e Mundo Fantasma, existem há mais tempo do que as editoras de BD que se encontram actualmente no mercado.

Quando estas lojas surgiram, vieram suprimir uma lacuna que existia devido há escassa edição nacional. Vieram permitir, em particular, o acesso à BD que era produzida no mercado americano. Esquecer que a razão de ser dessas lojas é vender material importado, é esquecer um ponto muito importante relativamente ao seu papel enquanto ponto de venda de BD, produzida em Portugal. A razão porque elas não têm o peso que as lojas especializadas têm noutros países, é porque, em França ou Estados Unidos, as lojas especializadas surgiram para vender a BD produzida internamente e não a importada.

Tendo em mente este ponto bem importante – a razão de ser e fonte de lucro das lojas –, surge a questão do papel que elas podem ter enquanto ponto de venda da BD editada em Portugal. Não esquecendo também que, actualmente, não deve haver mais de uma dezena de lojas especializadas, pelo que mesmo que estas passem a vender álbuns editados em Portugal, nunca poderão assegurar o lucro das editoras. Contudo, podem ter um papel importante na divulgação dos álbuns editados.

Uma das razões para o sucesso/sobrevivência da VitaminaBD tem sido a “parceria” com a BdMania. Apesar do cliente tipo destas lojas ser um leitor que vai à procura de edições estrangeiras, as lojas podem ter um papel na divulgação das obras e na venda de um número razoável de álbuns. Assim queiram as editoras e responsáveis das lojas. O problema é que para um casamento resultar é preciso vontade de ambas as partes. E por parte das lojas pode haver pouco interesse, o que até é compreensível se tivermos em conta que não precisaram de vender BD em português para lucrarem e proliferarem; e, em segundo lugar, porque as edições nacionais são irregulares, o que por si só é desmotivador para as lojas e para os clientes.

Por isso, a iniciativa fica nas mãos das editoras. Elas é que terão de oferecer às lojas motivos para que elas distribuam, vendam e promovam os seu livros. As lojas chegaram primeiro, têm acesso a um leque de clientes fixos que gostam de BD, têm uma base de dados de clientes que podem usar. O que oferecem as editoras para além de títulos que são irregulares, e em princípio se encontram à venda noutros locais?!

As lojas e as editoras vivem de costas voltadas, mas não teriam mais a ganhar se houvesse comunicação? O problema é o facto de haver uma parte que não precisa MESMO da outra. O facto de as lojas sobreviverem, proliferarem, terem lucro e clientes SEM precisarem das editoras nacionais, coloca-as na posição negocial mais favorável, havendo até aquelas que optam por não ter qualquer edição nacional. Enquanto as editoras olharem para as lojas como sendo outra livraria qualquer, em que a BD não tem qualquer importância na facturação global, dificilmente a situação mudará.

E mais dificilmente mudará se as lojas resolverem tornar numa questão de honra, ou status, a opção de não vender edições nacionais!

Capítulo 06: As editoras, o elo mais fraco

O elo mais fraco do mercado são as editoras, são elas que se encontram perante o dilema de se adaptarem, mudarem, evoluírem ou morrerem.

Os leitores continuarão a encontrar BD, nem que seja em inglês, francês ou português do Brasil. Os autores vão continuar a produzir quando tiverem vontade e a publicar onde puderem. As lojas da especialidade vão continuar a importar e a vender. As editoras ou se adaptam ou morrem.

É neste ponto que se pode fazer um comparação com mercados mais dinâmicos. Em França, em Espanha, nos Estados Unidos e noutros mercados, também houve crises, também há problemas, contudo lá fora as editoras souberam evoluir e adaptar-se aos novos tempos. Não foram todas, houve aquelas que também desapareceram, mas existem grandes e pequenas editoras, com 15 ou mais anos de existência a editar BD, devido à sua capacidade de adaptação.

Actualmente, a única editora portuguesa que edita e que possui um historial na edição da BD é a Asa, mas durante cerca de 5 anos limitou-se a editar uns álbuns de Luis Louro e pouco mais. Somente em 2002 voltou a ter uma secção de BD. Além disso, a sua principal fonte de rendimento não é a BD, porque essa, se calhar, até dá prejuízo. As restantes editoras nacionais estão no negócio há uma década ou menos, e se querem continuar a editar por mais umas décadas, terão de encontrar soluções para cativar novos públicos e abdicar de hábitos perniciosos.

O principal vício das editoras é a irregularidade. Com excepção da Asa que continua num frenesim editorial quase ilógico, a prática comum das editoras nacionais é muito simples e também ela ilógica. Uma editora está 2, 3 ou 4 meses sem publicar um álbum e, depois, edita uma fornada de títulos (por vezes a fornada são só 2 titulos, mas enfim…). Este facto causa um efeito pernicioso no mercado: os leitores perdem o hábito de irem às livrarias à procura de novidades. E aqueles que vão com regularidade são os clientes das lojas especializadas ou das lojas FNAC, porque sabem que vão encontrar novidades, embora sejam importadas.

Comprar BD é um hábito, até lhe podemos chamar um vício, do mesmo modo que são os livros, a música, os filmes. Quem gosta de cinema, vê cinema com regularidade; mesmo quem não vai ao cinema, aluga/compra filmes em DVD ou vê nos canais televisivos. Em qualquer das áreas que mencionei, existem novidades todos os meses, quando não é todas as semanas. O cliente tem sempre algo novo e existe um hábito de compra.

A política das editoras tem 10 anos e tem como base uma realidade que não existe, actualmente. Há 10 anos, quando a única editora era a Meribérica, as pequenas editoras, editavam uns álbuns no início do ano e o resto por altura do FIBDA. Há 10 anos, isso fazia sentido. Só que, há 10 anos, no FIBDA, não surgiam 15 novos álbuns duma assentada. Obviamente que um leitor que não comprou 1 álbum editado em Portugal em 3 meses (porque não houve nenhuma edição), não vai dispor de dinheiro para comprar 15 num mês. O leitor habitual de BD irá comprar um, talvez dois, mas dificilmente irá comprar mais, uma vez que continuará a comprar as edições estrangeiras que consome regularmente. O comprador ocasional, esse, é mesmo um comprador ocasional e cada vez mais escasso.

Em 1997 ou 2000, a política de editar um mínimo de 2 álbuns de cada vez fazia sentido, porque a editora podia anunciar que tinha editado dois novos álbuns, só que, actualmente, esse efeito perdeu-se, uma vez que as editoras fazem os lançamentos, quase em simultâneo, o que dilui o impacto das novidades.

O outro vício pernicioso das editoras é o autismo. A incapacidade de diálogo, não só com as lojas especializadas, mas também com os leitores, e a sua incapacidade de promoverem os seu produtos.
Campanhas publicitárias são caras, campanhas de marketing são caras, mas um site e/ou um boletim informativo para informar os leitores de novidades é barato e custa pouco a fazer. Obviamente que ambos só fazem sentido se houver regularidade. Isso implica que a editora publique pelo menos 1 álbum bimestralmente, uma periodicidade que até não é muito difícil de manter, pois basta publicar 6 álbuns por ano.

Existindo um publicação regular, partindo desta base de 1 álbum por mês, será muito mais prático de anunciar e de publicitar, do que publicando 3 álbuns de 4 em 4 meses. Isso implica vender cada álbum individualmente, escrever um press release para cada álbum, enviar amostras da arte para os poucos sites ou blogs sobre BD e, evidentemente, colocar essas amostras on-line no site da editora. AH! Tinha-me esquecido de que as editoras nacionais não tem sites, tirando a excepção que confirma a regra, e mesmo esses não são actualizados.

Na altura de nos queixarmos das coisas más, gostamos muito de fazer comparações com mercados estrangeiros, mas esquecemos de nos compararmos na altura que menos nos convém. Em qualquer mercado dinâmico, até um autor que se auto-publica tem um site, através do qual promove e vende directamente os seus produtos. Ou, então, tem parcerias com lojas especializadas em BD, para que o leitor que tiver interesse em adquirir os seus produtos, o possa fazer facilmente. Mas isto é só a minha opinião. Obviamente que uma editora gastar tempo a enviar um e-mail a eventuais clientes é perda de tempo. Obviamente que uma editora ter um site onde vá informando os leitores das suas novidades são modernices!

Will Eisner disse, numa entrevista, que quando não existe um mercado, precisamos de o criar. Nos mercados dinâmicos a que gostamos de nos comparar, para justificar a perda de leitores e as vendas inócuas, as editoras tentam preservar e expandir esse mercado. Para além de venderem como costumavam vender no século passado, exploram novos meios de divulgação, de promoção e venda dos seus produtos. Evoluem, adaptam-se aos novos tempos e circunstâncias, não se limitando a publicar e, depois, esperar que as distribuidoras e as lojas façam o resto do trabalho por elas. Essa é a principal razão porque, em Portugal, o mercado da BD nos últimos 20 anos tem sido feito de altos e baixos, em que as editoras surgem e desaparecem sem deixar rasto, surgindo colossos com pés de barro, que são substituídos por outros com alicerces igualmente fracos ou ainda mais débeis.

Evoluir ou morrer não é uma questão que se coloca à identidade mítica que é o mercado da BD em Portugal. Há mais de um século que existe BD neste país e continuará a existir. Evoluir ou morrer é uma questão que se coloca às editoras, que podem optar por continuar a seguir políticas editoriais do século passado e virarem mais uma nota de rodapé da história, juntamente com as dezenas de editoras que já faliram, ou então evoluírem e adaptarem-se para se tornarem negócios viáveis a médio e longo prazo.

Capítulo 07: Conclusões

Na última década, o mercado da BD em Portugal sofreu várias alterações, que mudaram completamente o modo como este funcionava e os seus intervenientes.

Nessa década, o aspecto mais negativo foi o desaparecimento da BD dos quiosques. Contudo, houve um aspecto muito positivo: surgiram novas editoras, o que aumentou a variedade e diversidade do material disponível nas livrarias.

O futuro da BD passa por aí, sendo necessário que esse mercado seja aproveitado, e, acima de tudo, existe a necessidade urgente das editoras se habituarem a conviverem num mercado plural e competitivo. É que o tempo em que existia uma só editora a dominar o mercado terminou e não voltará a existir. Actualmente, existem várias editoras no mercado e a tendência é que o número aumente com o surgimento de pequenas editoras ou projectos um pouco mais ambiciosos.

Para o mercado continuar a suportar esta diversidade é necessário rever práticas actuais, e procurar soluções para captar novos públicos.
A divulgação da BD em Portugal é praticamente inexistente, o pouco espaço que havia nos jornais foi desaparecendo, e, para voltar a surgir, será necessário existir um mercado estável com uma ritmo de edição regular.

A grande ferramenta de comunicação e divulgação que é a internet continua a ser mal aproveitada, e o surgimento de blogs sobre BD é, na sua maioria, feito por apreciadores de BD estrangeira, que a consomem na língua original. A maioria dos que escrevem na net sobre BD são pessoas que não tem formação jornalística. A razão porque os jornalistas abdicaram da BD é preocupante; mais preocupante, só o facto dos actuais aspirantes a jornalista não terem vontade ou desejo, de analisar e divulgar a BD. Existem projectos sobre música, cinema e outras áreas, mas, na banda desenhada, a maioria continua a ser feito mais de boa vontade do que de qualidade. Mesmo aqueles que, em tempos, escreviam para fanzines, desapareceram ou escrevem esporadicamente para algum jornal.

A irregularidade das editoras torna difícil qualquer projecto de divulgação, mas é estranho ver que existem poucos projectos e que os poucos que existem dedicam mais tempo ao seu umbigo e preferências pessoais do que a uma tentativa de divulgar, reflectir e criticar o que existe em Portugal.

Dos eventos dedicados à BD só o FIBDA é uma certeza. Todos os outros desapareceram ou surgiram há pouco tempo, sendo a sua sobrevivência uma incerteza. Apesar do FIBDA continuar a ser o evento de referência da BD em Portugal, as editoras e o Festival andam mais vezes de costas voltadas do que de mãos dadas. Ambos tinham muito a ganhar se encontrassem um ponto de equilíbrio; não faz sentido existir um festival onde temos dezenas de autores que nunca foram publicados em Portugal, enquanto os que estão publicados ficam ausentes, não só em termos de presença física, como em termos de exposição do seu trabalho.

Os autores nacionais continuam com a certeza de que dificilmente terão alguma remuneração significativa pelo seu trabalho. Existe contudo a certeza de que só não serão publicados se não quiserem. Existem hoje em dia várias opções, começando nas editoras profissionais e acabando nos sistemas de impressão alternativa como o “Print On Demand”. Actualmente a opção de trabalhar num mercado estrangeiro não é miragem nem ilusão, como Rui Lacas, Ricardo Tércio e outros autores já provaram.

A situação foi melhor nos Anos De Ouro; contudo, já foi muito pior. Actualmente, o mercado pode caminhar para um situação estável, onde meia dúzia de editoras publicam regularmente. Se houver algum bom senso e capacidade de adaptação, é possível. Contudo, é preciso que abdiquem de velhos vícios, de modo a permitir que a história da BD em Portugal não continue feita de editoras que surgem do nada e para lá voltam rapidamente.

Uma constante mudança de intervenientes só serve para manter tudo na mesma.

O mercado só tem a ganhar se os actuais intervenientes conseguirem sobreviver e co-existir; caso contrário, continuaremos a viver entre a euforia e a depressão. Euforia sempre que surge uma nova editora e depressão quando ela desaparece pouco tempo depois – esse é o principal problema da BD em Portugal. Existe mercado, sempre tem havido, contudo sempre foi extremamente instável e volátil, vivendo muitas vezes só devido a caprichos individuais que muitas vezes contrariam todo e qualquer bom senso. Para evoluir é necessário existirem projectos (a nível de editoras e não só) que se mantenham e criem um status quo minimamente estável, algo que não existe há décadas.

Só quando existir um mercado estável e regular é que poderemos começar a acusar factores externos por quebras de vendas; só nessa altura será possível fazer uma análise séria e fiável das razões para a quebra de vendas e sobre o modo como é possível captar novos públicos e novos leitores.

Se os actuais intervenientes no mercado actual conseguirem sobreviver à crise actual, daqui a meia dúzia de anos será possível fazer comparações e análise sobre a evolução do mercado; caso contrário, continuaremos a falar de editoras que faliram e de outras que surgiram, num permanente estado de mutação imutável, chorando sobre o leite derramado, acusando o mundo de não gostar da BD, sem vermos os problemas que os intervenientes do mercado criam a si próprios.