“Um adulto nunca se referia àqueles tempos, os jovens não faziam perguntas”

Segunda Vez trata-se de uma série literária on-line escrita por Gaspar Trevo, que se passa numa Lisboa alternativa e será publicada em episódios semanais. Conta também com ilustrações de Rui Lacas.

Os 13 episódios que compõem a primeira temporada serão publicados directamente no site do projecto, entre 24 de Março e 16 de Junho e podem ser acedidos de uma forma totalmente gratuita.

Eis a sinopse:
Meio século depois da catástrofe, ainda há uma Lisboa de ruelas e escadinhas que apodrece ao sol, mas a vida reorganiza-se nos bairros novos, entre muros. No Verão, sob a cobertura de vidro chinês, a cidade é um forno. Se aquele rio estivesse à vista, seria impossível trabalhar seis dias por semana. Mas quem se lembraria de procurar uma janela no topo dos edifícios mais altos? À noite, cumprida a atribuição, se alguém quiser dar umas braçadas pode ligar-se ao módulo. No melhor dos mundos, o mar não é tóxico.

Cumprir 17 anos dá acesso a essa realidade; ou, melhor, é a idade em que se recebe a atribuição, o trabalho imposto em função do bem comum: mas uma coisa implica a outra. Ninguém quer continuar a estudar quando, finalmente, há um mundo de experiências ao alcance no Rest.

O Rest satisfaz o desejo colectivo de reparar o irreparável. Muitos não sabem, mas o nome ainda vem do latim: restauratio, o planeta restaurado, novamente habitável por intermédio de um fantasma virtual. Não é a mesma coisa, dizem alguns. Mas é claro que nenhum jovem conheceu o original. Cada vez mais, o modelo constitui um mundo em si, sem ponto de comparação.

No paraíso privado, o mundo recria-se à medida do próprio desejo. Mas agora isso pode mudar: a agência Bóreas, que gere o acesso ao mundo virtual nos países do Bloco sino-europeu, está a trabalhar secretamente num novo protótipo. O Rest.2 abre portas, permite a interacção, dá lugar ao imprevisto.

Marcello Galvano, agente italiano em Lisboa, tem a responsabilidade de conduzir um projecto-chave nas instalações da Bóreas, como tutor de uma equipa de seis adolescentes. Aos jovens, todos com cerca de 17 anos, cabe a missão de testar e expandir o novo protótipo; são eles os impulsores.

As razões da selecção permanecem um mistério. Algum critério foi tido em conta para o cargo? Porque é que uma especialista no mundo virtual convive com colegas leigos na matéria? Como é que uns são amigos de infância e outros provêm de cidades diferentes? O que une a acanhada Elda, o desportista Bartolomeu, a resoluta Carola, o céptico Fernão e a ambiciosa Brísida?

As perguntas adensam-se com a morte súbita do sexto impulsor, Flávio, de quem nada se sabe, e com a designação do substituto Tiago, incapaz de se ligar ao Rest.2. Marcello furta-se a respostas no seu português peculiar e os objectivos a atingir com o projecto permanecem obscuros para estes jovens.

Se a missão lhes concede poderes extraordinários num mundo forjado,  as consequências fazem-se sentir na vida real. O percurso dos seis divide-se, pois, entre as revelações que vão tendo sobre si próprios e a incompreensão perante os múltiplos segredos do projecto. Entre experiências impossíveis e emoções verídicas, os impulsores tentam construir uma identidade.

Os autores:

Gaspar Trevo (1978) vive e trabalha fora de Portugal há mais de uma década. Foi professor e investigador e, actualmente, exerce trabalho na área da documentação e da mediação cultural. Segunda Vez é o primeiro texto literário que publica, sob pseudónimo. É ainda responsável pela concepção e manutenção deste site.

Rui Lacas (1976) leva já três décadas de actividade na ilustração e na banda desenhada. Tem mais de uma dezena de álbuns publicados, vários premiados em Portugal e no estrangeiro. Entre os seus títulos, contam-se A filha do caranguejo, Obrigada, Patrão (publicado em França), Asteroide Fighters, A Ermida e Hän Solo.