Flávio Luiz tem contado com a participação ativa de Lica de Souza na produção da suas bandas desenhadas em diversos papeis. Enquanto argumentista das suas BD, a primeira vez que tivemos contacto foi na antologia a preto e branco 3 Histórias de Terror e uma nem tanto, uma edição de 2015 do seu selo editorial Papel A2 Texto e Arte, a qual compilava obras originalmente publicadas em Imaginários vol. 2 (2013), Máquina Zero vol. 1 (2013) e Fronteira Livre n.º 1 (2014) e apresentava um inédito.

Lica de Souza, mestre em filosofia (lembram-se da Lilica de Jab, um Lutador?), tem-se dedicado à produção cultural, entre exposições, álbuns de música, concertos e livros. E também é casada com Flávio Luiz.

Após as 4 BD curtas, o duo regressou em 2017 com Histórias Paulistanas, sendo o trabalho mais longo de Lica de Souza até ao momento. Curiosamente, opta por um conjunto de histórias aparentemente isoladas que, com a continuação da leitura, se vão interligando. Desse modo, faz-nos recordar essa técnica narrativa que se tornou tão em voga no início da década passada no mercado norte-americano menos mainstream, mas também um pouco por todo o mundo ocidental, após a exibição do filme Magnolia de Paul Thomas Anderson nos cinemas. Também os layouts de Flávio Luiz contribuem para um ritmo simultaneamente cinematográfico e contemplativo.

Para além do amor e dos seus encontros e desencontros, ao longo de menos de 70 páginas, há tempo para abordar a violência policial, balas perdidas, habitações precárias, o envelhecimento, a morte e o próprio sentido da vida.

A par do amadurecimento de Lica de Souza no argumento de banda desenhada e do já veterano Flávio Luiz no desenho e cores, estamos perante uma obra incontornável no percurso dos seus autores, com o potencial de agradar a um vasto leque de diferentes públicos-alvo.

Eis a sinopse da editora:

Histórias Paulistanas retrata situações cotidianas, ou nem tanto, que se passam na capital paulista. O cenário é também uma personagem, que esconde e revela sua personalidade, humor, caos e beleza. Da periferia carente, passando pela elegância decadente do centro, ao brilho superficial dos bairros nobres. Pessoas cheias de amor, medo, surpresa e desencanto, surpreendidas em meio ao absurdo da vida e da morte.

nota: agradecimento aos autores pela oferta do livro.