Em dezembro de 2014, a Oficina Arara editou a banda desenhada The Abolition of Work – part 2 (que incluía a part 1 publicada em 2013 pela Oficina Arara e Buraco), da autoria Bruno Borges, a qual tem por base o texto homónimo do anarquista norte-americano Bob Black, escrito em 1985 e editado em Portugal pela Crise Luxuosa em 1998.

Este mês, a Oficina Arara e a Turbina coeditam a versão portuguesa. A Abolição do Trabalho é editada com quatro capas diferentes em serigrafia, cujo conjunto forma uma imagem.

A obra tinha sido apresentada a 29 de abril na Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, antes da exibição do ciclo Com a Linha de Sombra, constituído por três filmes de realizadores ligados à Oficina Arara: CEM RAIOS T’ABRAM de Cem Raios T’Abram (Portugal, 2012-2015; 14 min), TEARES de Mónica Baptista (Portugal, 2014; 38 min) e A TRAMA E O CÍRCULO de Mariana Caló e Francisco Queimadela (Portugal, 2014; 35 min). Os dois últimos filmes foram primeiras exibições na Cinemateca.

CEM RAIOS T’ABRAM: “No rosto, o pão que amassamos. / Na boca, o pão que todos somos. / O sol na noite nevada. / Da fonte fria à fogueira quente. / A minhoca busca a crica, / o tojo cerca o vidoeiro, numa vida em espiral. / O frio manteve-nos quentes. / E cem raios nos abriram. / Partimos tristes mas felizes. / Em três dias mais três, / mais um que são todos. / Somos três mais três / mais três mais três / mais três mais três, / menos um que todos são.”

A TRAMA E O CÍRCULO (produção Lo Schermo dell’Arte Film Festival): compõe-se como “um jogo de montagem sobre o trabalho manual e a sua história empírica”, criando uma experiência sensorial.

TEARES: retrata o trabalho de três tecedeiras nascidas em 1945, o ano do início da construção da Barragem de Castelo de Bode, na bacia do rio Zêzere, junto à nova albufeira. “É nos vaivéns do tear que se enlaça o carácter misterioso e patético da vida, os acontecimentos do subconsciente e as mutações da paisagem”.

Clique nas imagens d’ A Abolição do Trabalho para as visualizar em toda a sua extensão:

Eis a sinopse da editora:
“Nunca ninguém deveria trabalhar.
O trabalho é a causa de grande parte da miséria do mundo. Quase todos os males que conhecemos resultam do trabalho ou de viver num mundo pensado para o trabalho. Se queremos parar de sofrer, temos que parar de trabalhar.” ► Bob Black