Fátima Afonso, com Sonho com Asas, vence a 21ª edição do Prémio Nacional de Ilustração

O júri, reunido na manhã do dia 22 de junho nas instalações da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, decidiu, por unanimidade, atribuir o Prémio Nacional de Ilustração, referente às obras publicadas em 2016, a Fátima Afonso, pelo conjunto de ilustrações do livro Sonho com asas, com texto de Teresa Marques, publicado pela editora Kalandraka.

As duas Menções Especiais foram atribuídas a Catarina Sobral, pelas ilustrações da obra Tão, tão grande (com texto da própria), publicada pela editora Orfeu Negro, e a Tiago Albuquerque e Nádia Albuquerque, pelas ilustrações da obra Sou o Lince Ibérico, o felino mais ameaçado do mundo, com texto de Maria João Freitas, editado pela Imprensa Nacional – Casa da Moeda.

O júri foi constituído por Susana Lopes Silva, da Escola Superior de Educação do Porto, Rita Pimenta, jornalista e autora do blogue Letra Pequena, e Vera Oliveira, técnica superior da DGLAB.

Nesta edição do Prémio Nacional de Ilustração foram avaliadas 82 obras publicadas por 33 editoras e ainda duas edições de autor, ilustrados por 66 ilustradores e com textos de 65 autores.

O Prémio Nacional de Ilustração, criado em 1996 e atribuído pela Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, pretende promover o reconhecimento da ilustração original e de qualidade nos livros para crianças e jovens.

Distingue anualmente um ilustrador pelo conjunto de ilustrações originais publicadas numa obra editada no ano anterior e pode, ainda, distinguir dois ilustradores através da atribuição de duas Menções Especiais. O valor do Prémio é de 5.000 €, acrescido de uma comparticipação de 1.500€ destinada a apoiar uma deslocação à Feira Internacional do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha. As Menções Especiais, no valor de 1.500€ cada, são expressamente destinadas a comparticipar duas deslocações a esta Feira.

Relativamente à obra que mereceu o Prémio Nacional de Ilustração, o júri destacou imagens de enorme valor poético e intensa carga metafórica. A ilustradora mobiliza uma paleta parda em tons pastel que viajam entre o ocre do sol e os azuis do céu e do mar. O livro está repleto de pormenores narrativos que convidam a uma leitura pausada e em profundidade. Convoca-nos para citações que remetem para a História da Arte Renascentista e para uma enorme quantidade de metáforas visuais.

Fátima Afonso recorre a um conjunto de estratégias de composição gráfica que leva o leitor a tirar os sapatos e a ganhar asas para se elevar no universo dos sonhos. As suas composições visuais recorrem a tomadas de vista que ora nos oferecem uma perspetiva aérea (ponto de vista picado) ora nos coloca a olhar para cima na expectativa de completar a imagem sangrada em diversas páginas do livro.

Quanto às ilustrações de Catarina Sobral, o júri destaca que se mantém fiel a um estilo autoral que já a identifica e que procura firmar nos projectos que realiza. Através de uma paleta cromática primária muito intensa e reduzida (vermelho, azul, amarelo e preto), cria um ambiente dramático para uma situação igualmente dramática e calamitosa de metamorfose de um menino que acordou um dia transformado num gigantesco hipopótamo. O objeto livro cria espaços onde a imagem e o texto coexistem sem fronteiras, formando um todo performativo.

No que respeita à obra Eu sou o lince-ibérico, o júri salientou a importância do investimento nas obras de divulgação de cariz científico dirigidas aos mais jovens, não descurando uma componente estética. Os ilustradores recuperam o uso do poster como tributo à adolescência, dando nova função à sobrecapa. Este livro integra uma coleção inovadora em que a INCM aposta na aproximação aos leitores mais novos, com especial cuidado no rigor do texto e da ilustração com a qual o júri se congratula.

De igual modo, o júri salienta as edições da Associação para a Promoção Cultural da Criança (APCC) pelo seu esforço de diversidade temática e plástica fundamental para a formação de novos públicos.

O júri congratula-se ainda com a aposta em publicações destinadas aos adolescentes em que a presença da imagem surge como projecto integrado e sólido de ilustração (História de um cão chamado Leal e Mary John).

Por último, o recurso à ilustração que surge em diversas obras empenhadas no conhecimento e na vivência do quotidiano das cidades, no caso Lisboa e Beja, revela-nos o património cultural material e imaterial de forma inovadora e apelativa (EMEL, Pato Lógico e Verbo).

NOTAS BIOGRÁFICAS

Fátima Afonso (Torres Novas, 1962)
Licenciada em pintura pela faculdade de Belas Artes de Lisboa, é ilustradora e professora de Artes Visuais. A partir do ano 2000 dedicou-se à ilustração de livros para crianças, tendo já, no seu currículo, mais de 20 livros publicados. Em 2012 fez parte da seleção de ilustradores que representaram Portugal na exposição “Como as Cerejas”, apresentada na Feira do Livro Infantil de Bolonha quando Portugal foi país-tema. Em 2014, o projeto Sonho com Asas, que viria a ser publicado como livro, em 2016, pela editora Kalandraka, valeu-lhe o 2º Prémio do VII Prémio Internacional Compostela de Álbuns Ilustrados. Em 2017, foi nomeada para o Prémio Autores SPA /RTP, na categoria de Literatura / Melhor Livro Infanto-Juvenil, com a obra Sonho com Asas.

Catarina Sobral (Coimbra, 1985)
Ilustradora e designer de comunicação. Licenciada em Design na Universidade de Aveiro em 2007, frequenta o mestrado em Ilustração na Universidade de Évora. Tem trabalhado ainda em gravura e em cinema de animação. Colabora regularmente como ilustradora editorial em diversos jornais e revistas, mas tem-se dedicado, nos últimos anos, à ilustração de livros para crianças. As suas ilustrações têm obtido um enorme sucesso no estrangeiro, e os livros de que é autora Atchimpa e O meu Avô receberam vários prémios e estão editados em muitos países.Participou em diversas exposições nacionais e internacionais, e recebeu importantes prémios, destacando-se O Green Island do Nami Concours em 2017, e o Prémio Internacional de Ilustração da Feira do Livro Infantil de Bolonha em 2014.

Tiago Albuquerque (Lisboa, 1982)
Licenciado em Artes Plásticas / Escultura pela Faculdade de Belas-Artes de Lisboa, e em BD e Ilustração no Ar.Co Lisboa, o seu trabalho divide-se entre ilustração, animação, banda desenhada e música. Colabora também com diversos jornais e revistas. Ilustrou, entre outros, o livro Almada Negreiros – Viva o Almada, Pim!, com texto de José Jorge Letria, publicado pela INCM/Pato Lógico.

Nádia Albuquerque (Lisboa, 1985)
Tirou o curso de Artes Visuais na Casa Pia, o curso de Ourivesaria e Metais na António Arroio, e frequentou o curso de Design na faculdade de Belas-Artes de Lisboa. O seu trabalho divide-se entre ilustração, animação e design. Ilustrou vários livros e colabora com revistas e jornais, para além de colaborar regularmente com agências de publicidade.

Saiba mais sobre:
Prémio Nacional de Ilustração 2015
Prémio Nacional de Ilustração 2014
Prémio Nacional de Ilustração 2013