A Kalandraka continua a presentear os seus leitores com obras de Maurice Sendak. A Janela de Kenny é considerado por muitos como o livro do autor com mais amplitude filosófica, no qual explora o território dos sonhos, das dúvidas e da fantasia.

Trata-se do primeiro livro de Sendak de autoria completa, igualmente responsável pelo texto e ilustrações da obra, tendo sido publicado em 1956.

A temática onírica remete-nos imediatamente para a sua obra de banda desenhada Na Cozinha da Noite, já publicada em Portugal, a qual só seria criada muitos anos anos depois, com 1970 como a data da edição original. Se aquele é uma homenagem ao Little Nemo de McCay não só no tema como no grafismo, em A Janela de Kenny está também patente a influência temática da obra em banda desenhada.

Aliás, a BD fez parte da formação de Sendak enquanto jovem leitor e ilustrador, tendo chegado a criar a sua própria tira cómica, denominada Pinky Carrd, para o jornal de estudantes da sua escola secundária, o Lafayette News. O seu primeiro emprego em part-time, durante o ensino secundário, foi inclusivamente para a All-American Comics, uma editora que produzia bandas desenhadas de várias páginas para serem publicadas nos seus comic books com personagens que protagonizavam as tiras diárias e dominicais nos jornais. A Sendak foi atribuído o desenho dos cenários das bandas desenhadas protagonizadas por Mutt e Jeff, personagens da tira homónima criada por Harry “Bud” Fischer em 1907. A função de Sendak era a de desenhar casas, árvores ou linhas cinéticas.

Se a temática onírica protagonizada por um menino de A Janela de Kenny pode ter sido influenciada pelo trabalho da lendária BD mítica de Winsor McCay, a ilustração da obra de Sendak em nada espelha a de McCay (ou a que Sendak viria a produzir para o já citado Na Cozinha da Noite). Estamos perante páginas repletas de prosa, que por vezes permitem pequenas ilustrações, alternadas com outras em que a ilustração ocupa toda a página, com os seus traços e cores delicadas e suaves a acentuar a componente mágica e fantástica da narrativa.

Nesta obra, emerge o eu íntimo do autor e a sua preocupação com a solidão, os afetos, o imaginário infantil e as suas expetativas, entre diálogos ternurentos, numa narrativa repleta de lirismo e sensibilidade.

Quanto à janela do título, ela delimita a fronteira entre a realidade e a capacidade de sonhar. A demanda pelas respostas às sete misteriosas perguntas do gato de quatro patas, permitem explorar o horizonte pelos olhos de uma criança. A Janela de Kenny é, sem dúvida, uma leitura recomenda a miúdos e graúdos.

Eis a sinopse da editora:

A fronteira entre a realidade e a fantasia é uma linha muito fina. Podemos comprová-lo no primeiro livro escrito e ilustrado por Maurice Sendak em 1956. O mundo dos sonhos é aqui a chave poética de um grande clássico.

Maurice Sendak (Brooklyn, Nova Iorque, 1928 – Connecticut, 2012): Desde 1951 concebeu mais de 90 livros infantis, uma prestigiosa trajetória que lhe valeu em 1970 o Prémio Andersen e o Prémio Laura Ingalls Wilder em 1983. Em 1996, o Governo dos Estados Unidos atribuiu-lhe a Medalha Nacional das Artes e em 2003 concederam-lhe o Prémio Internacional Astrid Lindgren de Literatura Infantil, conjuntamente com a autora austríaca Christine Nöstlinger. Estudou Pintura e Desenho no Art Students League de Nova Iorque. Conseguiu o seu primeiro emprego como ilustrador na All American Comics e em 1951 começou a trabalhar como ilustrador para a editora Harper and Brothers. Desencadeou uma autêntica revolução no panorama literário infantil pelas ideias, forma e pelo conteúdo dos seus livros. A crítica especializada classificava-o como “um dos homens mais influentes dos Estados Unidos, pois dar forma à fantasia de milhões de crianças é uma tremenda responsabilidade”.

A Janela de Kenny
Maurice Sendak
Editora: Kalandraka
Páginas: 64
Encadernação: capa dura
Dimensões: 19 x 23 cm
ISBN: 978-989-749-071-2
PVP: 14,00€