Conforme já tínhamos noticiado dia 19 de Outubro será o lançamento mundial do  37.º álbum de Astérix. Hoje, em Paris, decorreu uma conferência de imprensa em que foi revelada a capa e outros elementos do próximo álbum. A edição portuguesa e mirandesa serão lançadas como habitualmente pela Asa e contará com 48 páginas numa encadernação em capa dura e formato 21,8 x 29 cm, com PVP de 10,90€.

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Evolução de uma página (do storyboard à tradução portuguesa)

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Uma corrida de caros pelas vias romanas

Para afirmar o prestígio de Roma e a unidade dos povos da península itálica, Júlio César aprova a organização de uma corrida aberta a todos os povos do Mundo Conhecido, a fim de mostrar de forma esplendorosa a excelência das vias romanas. Aos organizadores do evento, César impõe uma condição sine qua non: a equipa romana tem IMPERATIVAMENTE de cortar a meta em primeiro lugar (ao que parece, naquela época o desporto, a política e o espetáculo já estavam intimamente ligados…)! Com o que César não contava era com a inscrição na corrida dos nossos dois campeões gauleses, que ameaçam deitar por terra os seus sonhos de grandeza…

Para Jean-Yves Ferri e Didier Conrad começa então o longo trabalho de criação das diversas equipas que se irão defrontar na corrida. Detenhamo-nos porém um instante no carro dos nossos dois heróis gauleses, magnificamente decorado com o símbolo gaulês por excelência: o galo. Um pormenor, e não despiciendo, salta imediatamente aos olhos: é o nosso amigo Obélix que é o auriga (o condutor do carro) da equipa gaulesa, cabendo a Astérix o papel de copiloto!

“Todas as personagens criadas pela dupla Goscinny-Uderzo possuem algo que as torna únicas. Astérix, Ideiafix, Matasétix, Falbala… A lista é longa! Mas eu partilho a opinião da maior parte dos leitores assíduos da saga: o meu preferido continua a ser aquela criança grande com um grande coração e um pouco roliça! Toda a gente adora o Obélix, e eu sou o primeiro da lista! Por isso achei que, neste novo álbum, era preciso prestar-lhe homenagem de forma um pouco mais enfática. E não me foi difícil convencer o Didier a apoiar a minha causa!” – Jean-Yves Ferri

“O Obélix não é tão simples como parece. É a personagem mais infantil da série, e por isso mesmo o mais suscetível de evoluir. Ao longo dos vários álbuns, as suas proporções variaram muito. Pareceu-nos lógico, tanto a mim como ao Jean-Yves, dar-lhe um papel mais importante do que o habitual. E, por isso, desta vez é o Obélix que dirige a corrida e a história.” – Didier Conrad

As equipas

Breve ponto de situação sobre as equipas em disputa na Grande Corrida Transitálica, na qual participam representantes de inúmeros povos da Antiguidade. Todo o Mundo Conhecido quer brilhar! Conseguirão os Gauleses suplantar todas as artimanhas a que recorrem os temíveis Romanos? E, para além de todas as outras equipas adversárias, conseguirão eles fazer face aos intrépidos Bretões? Conseguirão eles ser mais rápidos do que os Persas ou os Sármatas? Conseguirão eles não perder terreno face aos valerosos Godos?… Isto para já não falar dos carros de outros povos itálicos que não veem com bons olhos a hegemonia de Roma…

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O auriga mascarado

“Quanto melhor for o vilão, melhor é o filme.” René Goscinny e Albert Uderzo, grandes cinéfilos, retiveram a lição do mestre Alfred Hitchcock na conceção dos antagonistas que vêm regularmente perturbar a tranquilidade da aldeia dos seus heróis gauleses. Para dar apenas um exemplo, o sorriso diabólico de Lindomeninis ao gritar “Acabo de ter uma ideia horrenda!” em Astérix e Cleópatra é digno dos mais diabólicos vilões do grande ecrã. Em Astérix e a Transitálica, Jean-Yves Ferri e Didier Conrad inovam ao apresentarem o misterioso auriga mascarado: Coronavírus, o campeão romano das MCDLXII vitórias! Não recuando perante nada para roubar o protagonismo aos seus adversários, e almejando obter mais uma vitória para sua glória e a glória de Roma, Coronavírus é um concorrente temível, cujo sorriso estático não inspira confiança a Obélix.

Didier Conrad desenhou uma dezena de máscaras para esta personagem atípica, propondo opções narrativas variadas: “Trabalhei um pouco em todas as direções possíveis”, explica ele. “É sempre melhor escolher em função do argumento, devendo o desenho seguir este último, pelo que tive necessidade de colocar muitas questões ao Jean-Yves. Deverá este concorrente ter uma linguagem corporal específica? É sério ou fanfarrão? Tem falas ao longo do álbum? E, se sim, como se exprime? Até que ponto deve ir o seu lado dramático?”

Para a máscara, as propostas de Conrad vão desde o design puro até à máscara de Zeus/Júpiter, desde a opção cómica até à versão assustadora, passando por variações de capacetes gregos e incluindo até uma máscara “dupla” (drama/comicidade), inspirada na figura de Jano, o deus romano de duas faces. Ferri faz a sua opção com base em critérios muito precisos: “Eu queria que ele fosse fanfarrão, sem dúvida nenhuma! Mas sobretudo irónico, pois para mim aquilo que a máscara deveria exprimir em primeiro
lugar era a superioridade da personagem face aos outros concorrentes. A máscara também permite jogar com o mistério da identidade, à maneira de alguns vilões célebres da BD.”

ENTÃO…
QUEM SE ESCONDERÁ POR TRÁS DESTA MÁSCARA???

Os autores:

Jean-Yves Ferri nasceu, como o próprio Astérix, em 1959, no Sudoeste de França. Desde a sua infância, passada a ler a revista Pilote, que a sua vocação está definida: iria ser autor de banda desenhada! Após uma passagem pela BD infantil a partir de 1990, concentra-se no seu primeiro álbum, Les Fables Autonomes (2 volumes publicados na Editora Fluide Glacial), antes de criar a sua célebre personagem Aimé Lacapelle, um polícia rural (Fluide Glacial, 4 álbums publicados entre 2000 e 2007). O encontro com o seu comparsa Manu Larcenet, em 1995, levou à criação de uma das mais célebres bandas desenhadas, a série Le Retour à la Terre (Fluide Glacial, 7 volumes publicados), seguida de Correspondances, em 2006. Assina em 2007 e 2010 os dois volumes de Le Sens de la Vis (Editora Les Rêveurs), bem como De Gaulle à la Plage (Dargaud), a que deverá seguir-se a muito esperada sequela De Gaulle à Londres. Entretanto, Jean-Yves conhece em 2013 um tal Didier Conrad…

Didier Conrad nasceu em 1959, também como Astérix, em Marselha. A sua primeira banda desenhada, Jason, é publicada em 1978. Lança-se depois na animação dos cabeçalhos da revista Spirou em parceria com o argumentista Yann, com quem cria posteriormente a mítica série Les Innommables. Seguir-se-ão várias produções repletas de humor, entre as quais Bob Marone (1980), L’Avatar (1984) e Le Piège Malais (com Wilbur). No final dos anos 90, Didier Conrad exila-se em Houston, nos Estados Unidos, e inicia a série Kid Lucky, que narra a infância do Lucky Luke, de Morris, bem como Cotton Kid, uma outra série para crianças no universo western. Prossegue a sua parceria com Wilbur em Tigresse Blanche (2005), na série RAJ (2007) e em Marsu Kids (2011). Entretanto, conhece em 2013 um tal Jean-Yves Ferri…

 

nota: imagens cedidas pela editora.