Já se encontra nas bancas o quinquagésimo sétimo volume da Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel, intitulado Doutor Estranho – Realidade Paralela, com argumento de Steve Englehart e arte de Frank Brunner. Este volume reúne os números 9 a 14 de Marvel Premiere e os números 1 a 5 de Doctor Strange (vol. 2).

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Eis a sinopse da editora:

“Instruído pelo Ancião nas artes da mais poderosa magia, que o tornarão no maior dos feiticeiros, o Dr. Stephen Strange dedicou a vida a ajudar os outros e a desvendar os mistérios do universo. Mas agora, o aluno terá de se tornar no mestre, quando o momento da morte do Ancião se aproxima. O espantoso poder de Sise-Neg acerca-se… Será o Dr. Estranho capaz de encontrar a força interior para superar este temível adversário?”

No início dos anos 70, Steve Englehart tinha-se tornado num dos mais populares escritores da Marvel, e num dos mais dignos representantes de uma nova geração de autores (entre muitos outros, como Jim Starlin ou Steve Gerber). Por essa altura, Roy Thomas, o editor-chefe da Casa das Ideias, estava à procura de um novo argumentista para o Dr. Estranho. Perguntou ao ilustrador Frank Brunner quem gostaria que escrevesse a série e ele sugeriu-lhe Steve Englehart. Os dois tinham-se conhecido meses antes numa festa e deram-se bem de imediato.

Brunner, um ávido fã de Carlos Castanada, H. P. Lovecraft e de todos os géneros de oculto, encontrou uma alma-gémea em Englehart. Entre os dois, a equipa de argumentista e desenhador transformou Dr. Strange num título com enorme sucesso de vendas, com um estilo místico e grandioso anteriormente visto apenas na fase de Steve Ditko. Para obterem inspiração, os dois passavam as noites acordados, a vaguear por Manhattan, em vários estados de espírito alterado. Nova Iorque tornou-se uma musa do grupo, e exploravam a cidade em toda a sua glória distorcida. Por exemplo, a lagarta falante do primeiro número de Dr. Strange (e o seu cachimbo da praxe), e a festa de chá dos heróis loucos no número seguinte, foram inspirados numa sessão tardia a que assistiram de Alice no País das Maravilhas, o filme animado da Disney.

A história deste volume começa a meio da saga que estava a ser escrita por Gardner Fox, e que já representava uma mudança no tom das aventuras do Dr. Estranho. O nosso herói combate aqui as hordas inomináveis dos agentes e servidores de Shuma-Gorath, uma primeira indicação da influência de Lovecraft na saga. Mas os leitores poderão ver que Englehart e Brunner levarão o nosso Doutor muito mais longe na via desse horror cósmico, e ao mesmo tempo, em direção a um mundo mais estranho e mesmo psicadélico. Apesar de ter durado poucos números, o trabalho da dupla neste título ainda é considerado um do melhores momentos da carreira da série Dr. Strange, e este volume é uma oportunidade de ver o trabalho de um dos melhores desenhadores que já trabalhou na Marvel.

nota: imagens cedidas pela editora.