Uma mistura violenta e frenética de William Gibson, cinema japonês, policial negro e Blade Runner

Poucas vezes me identifiquei tanto com um autor ou com um personagem. Podemos situar Carbono Alterado de Richard Morgan no género da ficção científica misturada com policial e com muito humor negro à mistura.

Posso admiti-lo… O autor conquistou-me logo no prefácio quando confessou o quanto lhe custava lidar com idiotas, fanáticos e imbecis.

Takeshi Kovacs surge como forma de sublimação de todas as frustrações que vinha acumulando. Tolerância zero aos estúpidos, aos inúteis, aos manipuladores do poder.

Ninguém pode estar seguro na sua Torre de Marfim num mundo onde este herói / anti-herói permaneça. Num mundo em que a despersonalização é tão marcada que os corpos são meras mangas a ser usadas e descartadas quando demasiado gastas ou feridas, onde um evento traumático nos pode ser amputado por psico-cirurgia, onde a nossa alma pode ser guardada numa pilha que transita entre corpos… Kovacs está lá para tornar tudo extremamente pessoal, para cobrar a tarifa da justiça.

Fazer a ponte para o nosso século torna-se um mero passo de imaginação.

Tornar tudo pessoal…

Largar a vida miserável do dia-a-dia em que nos forçamos a acordar num mundo cinzento, a deixar o sol lá fora a brilhar enquanto nos encolhemos num cubículo sem luz natural. Onde corremos como ovelhas alucinadas de um lado a outro do redil, para ganharmos dinheiro para comprarmos coisas que nos fazem esquecer de quão medíocre é esta vida.

Lá fora estão os nossos sonhos esquecidos, lá fora está a nossa vontade de nos insurgirmos, de protestar, de gritar… Para quando encontrarmos por fim o nosso criador e nos perguntarem como morremos possamos dizer “ainda irados”.

Espero que a série televisiva da Netflix, ainda por visionar, seja tão pouco complacente quanto as linhas do autor, que as personagens sejam ricas e insufladas de justa indignação.

Eis a sinopse da editora:

No século XXV é difícil morrer para sempre. Os humanos têm um stack implantado nos corpos onde a sua consciência é armazenada, podendo fazer download para um novo corpo sempre que necessário. Quando o multimilionário Laurens Bancroft contrata Takeshi Kovacs para descobrir quem assassinou o seu último corpo, o caso parece bicudo: a polícia diz que foi suicídio, Bancroft tem a certeza que não. A consciência de Kovacs, cujo último corpo acabara de ter uma morte violenta, é inserida no corpo de um polícia para investigar o caso. E, para o resolver, Kovacs terá de destruir inimigos do passado e lidar com a atracção por Kristin Ortega, a mulher que amava o corpo onde ele agora se encontra. Num mundo onde a tecnologia oferece o que a religião apenas promete, onde os interrogatórios em realidade virtual significam que se pode ser torturado até à morte e depois recomeçar de novo, e onde existe um mercado negro de corpos, Kovacs sabe que a última bala que lhe desfez o peito é apenas o começo dos seus problemas… Leia um excerto aqui.

Eis o trailer da série, que estreou a 2 de fevereiro:

Carbono Alterado
Richard Morgan
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 488
Dimensões: 16 x 23 cm
Encadernação: Capa Mole
ISBN: 9789897730788

Richard Morgan é o autor de Carbono Alterado, Broken Angels, Woken Furies (todos com Takeshi Kovacs como protagonista) e Forças de Mercado. Ganhou os prémios Philip K. Dick e John W. Campbell e foi nomeado para o prémio Arthur C. Clarke. Vive com a mulher em Glasgow. Escreveu argumentos para bandas desenhadas da Viúva Negra na Marvel e a adaptação para BD do videojogo Crysis 2 pela IDW. Os videojogos de ficção científica Crysis 2 e Syndicate contam com o seu argumento.

nota: agradece-se à editora a oferta do livro.

 

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