O XIV Festival Internacional de BD de Beja realiza-se entre 25 de maio e 10 de junho, podendo todos os pormenores (programa, horários dos núcleos expositivos, lançamentos, mapa, etc) ser consultado aqui.

A nível de exposições, este ano o festival conta com 21, estando a totalidade dos autores presentes no fim de semana inaugural do festival.

ALEXANDRE LEONI & ANDRÉ MORGADO

BRASIL | PORTUGAL

Em 2015 André Morgado e Alexandre Leoni deram corpo ao livro A Vida Oculta de Fernando Pessoa, uma visão muito particular acerca da vida secreta do poeta. De então para cá o livro mereceu vários prémios e nomeações em Portugal e no Brasil, tendo servido de mote de conversa pessoana e didática em vários festivais, escolas, universidades e polos culturais nacionais e estrangeiros.

André Morgado nasceu na Guarda em 1987 e reside há muito em Setúbal. É professor, argumentista e cofundador com Miguel Peres da editorial Bicho Carpinteiro. Encontra-se neste momento a produzir uma novela gráfica, entre outros projetos criativos. Como editor, conta trazer a público várias novidades ainda neste primeiro semestre do ano.

Alexandre Leoni nasceu em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, no Brasil, em 1988. É formado em Artes Visuais pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Tem trabalhado como ilustrador e feito publicidade, animação, jogos e banda desenhada. Durante muitos anos publicou e editou banda desenhada de forma independente no sítio Trovão Quadrinhos. Hoje trabalha na Monomyto Game Studio como artista concetual e é responsável pelo canal de YouTube Bate-papo Ilustrado, onde entrevista ilustradores brasileiros de renome.


CRISTINA MATOS

PORTUGAL

Cristina Matos nasceu em Vila Real de Trás-os-Montes, em 1996. Veio para Beja muito pequena. Sempre teve uma grande paixão pelo desenho. Integrou durante algum tempo o Ateliê de Banda Desenhada Toupeira, na Bedeteca de Beja. Em 2014 ingressou no Curso de Artes Plásticas e Multimédia na Escola Superior de Educação em Beja. Em 2017 lançou o seu primeiro livro A Fantástica História da Recuperação do Velho Forno Comunitário de Beja, com argumento de Nuno Matos. O livro foi lançado no final do ano passado pela Associação Para a Defesa do Património Cultural da Região de Beja, por ocasião da inauguração do forno comunitário da “Ti Bia Gadelha”.


FABIO CELONI

ITÁLIA

Fabio Celoni nasceu em Sesto San Giovanni, uma comuna de Milão, em 1971. Como autor de banda desenhada da Disney italiana editada pela Panini, tem publicado o seu trabalho em revistas como TopolinoPK, ou Paperinik. Tem ilustrado várias capas.

Ao longo da sua carreira também tem colaborado com a Sergio Bonelli Editore, escrevendo e desenhando bandas desenhadas de Dylan Dog e Dampyr. Criou a personagem e as capas de Brad Barron e ainda Mister Bo (com argumento de Sergio Bonelli).

É autor do ensaio Milano, esoterismo e mistero e do romance Gli Abitanti dell’Ombra Effimera. Para a editora Star Comics, escreveu, desenhou e ilustrou as capas das séries de banda desenhada Nimrod e San Michele.

Em 2014 desenhou o romance gráfico The Kite Runner. No ano seguinte agregando vários autores à sua volta, criou a obra SmartComix, um projeto revolucionário em formato digital para smartphones e tablets através de um aplicativo especial.

A Disney italiana dedicou-lhe o quarto volume da sua série Disney d’Autore. Desenhou a Trilogia Gótica Disneyana (“Drácula de Rat Stoker”, “Lo strano caso del Dottor Ratkyll e di Mister Hyde” e “Duckenstein de Mary Duck”), com argumento de Bruno Enna. “Duckenstein” teve direito a duas nomeações para a 3.ª edição dos Prémios BD Disney, em Portugal.


JAYME CORTEZ

PORTUGAL

Jayme Cortez nasceu em Lisboa, em 1926, e morreu em São Paulo, em 1987. É considerado um dos mais importantes autores de banda desenhada do Brasil e um verdadeiro Mestre, pois influenciou várias gerações de autores (foi também um dos maiores ilustradores do país irmão, ilustrando centenas de livros). Cortez começou por publicar as suas primeiras histórias na revista O Mosquito a partir de 1944, sendo discípulo de Eduardo Teixeira Coelho. Em 1947 partiu para São Paulo. Deu início à sua carreira fazendo bandas desenhadas para os jornais Diário da Noite e A Gazeta Juvenil. Mais tarde entrou para a editora La Selva, onde foi diretor de arte. Fez várias histórias infantis, mas também muitas histórias de terror, tema no qual se especializou.

Em 1951 foi um dos responsáveis pela 1ª Exposição Internacional de Histórias em Quadrinhos, realizada em São Paulo. Nas décadas de 60 e 70 foi professor da Escola Panamericana de Arte, diretor de criação da McCan Erickson, sócio da editora Continental e diretor de animação da Maurício de Sousa Produções. Em meados dos Anos 70 criou o seu personagem de banda desenhada mais emblemático: Zodíaco (em 2015 a editora Opera Graphica lançou Zodiako Premium, uma edição de luxo e formato gigante, organizado por Fabio Moraes). No começo da década de 1980, devido aos inúmeros pedidos de trabalho, decidiu enveredar por uma carreira por conta própria. Além de dezenas de ilustrações e bandas desenhadas escreveu três livros: A Técnica do DesenhoMestres da Ilustração e Manual Prático do Ilustrador. A exposição que agora se mostra, comissariada por Fabio Moraes, dá uma ideia do seu percurso ímpar.


JOSÉ RUY

DESENHOS DO JARDIM ZOOLÓGICO
PORTUGAL

José Ruy nasceu na Amadora, em 1930. Estudou Artes Gráficas na Escola António Arroio. Começou a publicar os seus primeiros desenhos e bandas desenhadas n’O Pavão Real, um fanzine editado por si. Aos 14 anos estreou-se na revista O Papagaio. A partir daí a sua presença (e o seu traço) foi transversal a uma boa parte das revistas portuguesas de banda desenhada: colaborou com O MosquitoO Cavaleiro AndanteTintin, Selecções BD, etc., etc. Ao longo do seu percurso José Ruy já publicou mais de 80 livros. Mais de metade de banda desenhada. Apaixonado pela biografia histórica e pelos clássicos, boa parte da sua obra tem sido dedicada à sua adaptação à banda desenhada: UbirajaraO BoboFernão Mendes Pinto e a Sua Peregrinação ou Os Lusíadas são alguns dos seus trabalhos mais emblemáticos.

Há duas características na obra de José Ruy que constituem a sua imagem de marca: um rigor absoluto na investigação; e um entusiasmo enorme pela banda desenhada (em Julho próximo José Ruy lançará o livro A Ilha do Corvo que Venceu os Piratas, que será apresentado nesta edição do Festival.)

José Ruy tem vindo regularmente a Beja, nos últimos anos, para falar do seu trabalho ou de artistas com quem privou. Também já expôs entre nós. Da primeira vez, em 2013, com a exposição “José Ruy – Um Mestre da Banda Desenhada Portuguesa”. E agora, com esta exposição onde mostra um conjunto de desenhos realizados do natural no Jardim Zoológico de Lisboa, no final dos Anos 40, quando era ainda um jovem desenhador. Este conjunto de desenhos é parte do acervo que José Ruy ofereceu ao futuro Museu da Banda Desenhada de Beja, projeto que acarinhou com extrema dedicação.


LUÍS CRUZ GUERREIRO

AS AVENTURAS DE JERÍLIO NO SÉCULO XXV
PORTUGAL

“As Aventuras de Jerílio no Século XXV” são uma incrível adaptação da banda desenhada à azulejaria artística tradicional por Luís Cruz Guerreiro. Nascido em Alhos Vedros em 1962, o autor iniciou o seu percurso artístico através da banda desenhada, criando desde muito novo as suas próprias histórias. Esta paixão levou-o a descobrir uma outra: a azulejaria. As várias técnicas de pintura aprendidas serviram como elo de ligação entre a arte que Luís Cruz praticava (a banda desenhada) e a cerâmica (a arte do fogo). Os azulejos eram o suporte técnico que fazia a ligação entre as duas artes.

Luís Cruz estudou Pintura Cerâmica no CENCAL, em 1985. Depois de algumas experiências profissionais fundou a sua própria empresa, a Azulejaria Artística Guerreiro. O artista tem mantido a par duas linhas de criação distintas: a linha clássica (em azul e branco e policromia, com motivos tradicionais); e a linha livre (que expressa outras técnicas dando toda a liberdade de criação dentro da azulejaria). Desde a sua fundação em 1989 até hoje, a Azulejaria Artística Guerreiro produziu centenas de painéis para o nosso país mas também para a Alemanha, Bélgica, Brasil, Cabo Verde, Canadá, França, Inglaterra, entre outros países. O autor tem realizado várias exposições em Portugal e no Brasil, sempre com um sucesso assinalável…


LUÍS GUERREIRO 

PRÉMIO GERALDES LINO
PORTUGAL

Luís Guerreiro nasceu em Beja, em 1977. Viveu a infância em Ervidel, uma aldeia a 20 quilómetros de Beja, e mudou-se para Sines em 1990. Nos Anos 80 ganhou o gosto pela banda desenhada devido às revistas Marvel importadas do Brasil. Sempre desenhou, encontrando o equilíbrio possível entre a banda desenhada e a serralharia e pintura da construção civil. Nos Anos 90 publicou ilustrações no DN Jovem e no Correio da Manhã. E tiras de banda desenhada numa revista dirigida aos jovens, publicada pela Câmara Municipal de Sines. Na década seguinte publicou cartunes no Notícias de Sines e integrou o Toupeira – Ateliê de Banda Desenhada de Beja, publicando as suas histórias nos números 2, 3, 5, e 6 do fanzine Venham + 5. Em 2008 participou no projeto BD a Fresco, na Aldeia das Amoreiras, Odemira.

Já no ano passado, publicou o fanzine Eternos Rivais / Caçadores, com as duas histórias que dão nome ao fanzine assinadas por Véte, no argumento. Tem ganho vários prémios e menções honrosas. Este ano é distinguido com o Prémio Geraldes Lino, pelo trabalho que tem desenvolvido como autor e faneditor.

Neste momento encontra-se a trabalhar no n.º 2 do Eternos Rivais / Caçadores. E lança, no Festival de Beja, mais um exemplar da Coleção Toupeira, editada pela Bedeteca de Beja.


MANUELE FIOR

ITÁLIA

Manuele Fior nasceu em Cesena, em 1975. Depois de se formar em arquitetura em Veneza, em 2000, mudou-se para Berlim, onde trabalhou até 2005 como cartunista, ilustrador e arquiteto.  Viveu em Berlim, Oslo e atualmente vive em Paris.

Em 1994, ganhou o primeiro prémio na Bienal De Jovens Criadores Da Europa E Do Mediterrâneo – Lisboa 1994, na área da banda desenhada.

Tem vários livros publicados: Les jours de la merlette (Ici Même, 2017), Les Variations D’Orsay (Futuropolis, 2015), L’Entrevue (Futuropolis, 2013), Cinq Mille Kilomètres Par Seconde (Atrabile, 2010),  Mademoiselle Else (Delcourt, 2009), Icarus (Atrabile, 2006) e Les Gens Le Dimanche (Atrabile, 2004). É comummente considerado um dos artistas mais talentosos da sua geração. Além de autor de banda desenhada também tem trabalhado para várias revistas como ilustrador (Le Monde, Les Inrocks, Rolling Stone, The New Yorker, Vanity Fair, etc., etc.)

O livro Cinco Mil Quilómetros Por Segundo, agora editado pela Devir e lançado no Festival, ganhou o Prémio Melhor Álbum no Festival Internacional Angoulême, em 2011. É a sua primeira obra publicada entre nós.


MARCO GERVASIO

ITÁLIA

Marco Gervasio nasceu em Roma, em 1967. Graduou-se em Economia e Comércio. Em 1996, frequentou a Scuola Romana dei Fumetti (Escola Romana de Banda Desenhada), onde leciona atualmente. Em 1997 viu publicada a sua primeira banda desenhada na revista Topolino, passando a colaborar com a Disney desde essa altura. Em 2002, estreou-se na escrita de argumentos, com uma história protagonizada pelo Superpato. Entre outros, elaborou os argumentos e desenhos da nova série “Os Fabulosos Feitos de Fantomius, Ladrão Cavalheiro”.

Em 2013, iniciou uma colaboração com a empresa filandesa Rovio Entertainment enquanto argumentista e desenhador, criando bandas desenhadas para a série Angry Bird Comics. Atualmente, cria capas para as edições norte-americanas da IDW de banda desenhada disneyana.

O ano passado realizou os desenhos para o volume “The Haunted Hot Rod” da série “Mickey e os Superpilotos” para a Penguin Random House.

Em 2016, foi o vencedor do Prémio dos Leitores para a Melhor Banda Desenhada de outros Protagonistas Disney na 1.ª edição dos Prémios BD Disney, organizados pelo site Bandas Desenhadas, com a banda desenhada “Fantomius a Bordo”.

Em 2017 o júri da 2.ª edição dos Prémios BD Disney atribuiu- lhe três galardões nas categorias de Melhor Banda Desenhada (“O Ladrão e o Milionário”), Melhor Desenho (“O Tesouro de Francis Drake”) e Melhor Série de Banda Desenhada (“Os Fabulosos Feitos de Fantomius, Ladrão Cavalheiro”).


MARTA TEIVES & PEDRO MOURA

OS REGRESSOS
PORTUGAL

Os Regressos  é uma novela de banda desenhada escrita por Pedro Moura e desenhada por Marta Teives. É o primeiro livro de banda desenhada dos dois autores.

Pedro Moura nasceu em Lisboa, em 1973. Escreve sobre banda desenhada nos seus blogues Lerbd e Yellow Fast & Crumble, trabalhando igualmente nesta área enquanto professor, comissário de exposições, investigador académico, documentarista e tradutor. É autor do livro de poemas em prosa ilustrados por Ilan Manouach, Variações Sobre o Anjo da História (2013). Tem escrito histórias curtas em várias antologias, e mais recentemente na The Lisbon Studio MagThe Lisbon Studio Series (com Marta Teives) e na Cais.

Marta Teives nasceu também em Lisboa, em 1977. Estudou Pintura na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa e tem trabalhado como designer, animadora, urban sketcher, artista de storyboard e ilustradora. Em 2014 publicou Ink – Lisbon Tattoos, uma reportagem gráfica sobre tatuadores da cidade de Lisboa, e em 2015 publicou os resultados de um Inktober. É membro do The Lisbon Studio desde 2012. Tem publicado regularmente histórias curtas de banda desenhada na revista Cais (com argumento de André Oliveira) e na antologia The Lisbon Studio Series, nos seus dois primeiros volumes (com argumentos de Pedro Moura).


MAX ANDERSSON

SUÉCIA

Max Andersson nasceu em 1962 em Karesuando, na Suécia. Estudou Design Gráfico em Estocolmo, entre 1982 e 1984, e Cinema, na New York University, em 1985. O seu percurso artístico como realizador (Tito on Ice, Spik Bebis, One Hundred Years, etc.) e autor de banda desenhada tem-se desenvolvido essencialmente no meio alternativo, sendo considerado um dos mais importantes artistas europeus da atualidade (foi premiado várias vezes, em ambas as áreas).

A sua produção artística é imensa, destacando-se as colaborações para a revista Galago ou os livros Pixy, Pistolen Johnny, Death & Candy ou The Excavation… Traduzido para várias línguas, as suas bandas desenhadas, desenhos, pinturas, objetos e instalações foram expostos na Alemanha, Eslovénia, Espanha, Estados Unidos, França, Grécia, Itália, Portugal, Reino Unido, Rússia e Suécia (entre nós publicou a banda desenhada “Cão Capacho Bósnio”, na revista Quadrado, editada pela Bedeteca de Lisboa). Max Andersson vive atualmente em Berlim.


MOSI

PORTUGAL

Mosi nasceu em Lisboa, em 1994. Licenciou-se em Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Vive na Ericeira, onde fundou e representa a associação cultural EriceiraBD.

Em 2016 lançou os fanzines Fanzine Digital – Seen vvPor Favor, Não Faças Nada Que Eu Não Fizesse e Olá, Era Só Para Dizer Que Te Acho Bonita, e também o primeiro número da trilogia Altemente (Comic Heart), que terminou em 2016.

Tem colaborado em várias antologias e projetos de banda desenhada e ilustração, como a antologia Sobressaltos (ComicHeart/Europress, 2016), ou a capa da revista Estante #10, da FNAC (2016). Participa ativamente e regularmente em festivais nacionais (AmadoraBD, MotelX, Trampolim Gerador e ZinefestPT, entre outros) e internacionais (Thought Bubble, em Leeds.) O seu projeto mais recente, o livro Nem Todos os Cactos Têm Picos (Polvo, 2017), foi escolhido para fazer parte da Semana da Leitura, um evento cultural promovido pelo Plano Nacional de Leitura que visa levar autores e escritores a escolas de todo o país.

Atualmente, frequenta o Mestrado de Desenvolvimento de Projeto Cinematográfico na Escola Superior de Teatro e Cinema e dá aulas de Desenho e coordena o curso de Concept Art, da Escola de Tecnologias Inovação e Criação.

Em 2014 ganhou o 1º prémio do concurso de banda desenhada do AmadoraBD. E em 2016 o Galardão da Excelência na Execução de Curtas da ComicCon, pelo primeiro volume da série Altemente.


PENTÂNGULO #1

PORTUGAL

A presente exposição e publicação mostram resultados de uma parceria entre o Ar.Co e a Chili Com Carne, que aqui unem os seus esforços criando um projeto editorial. Este tem como objetivo conferir visibilidade ao trabalho de novos autores cuja formação tenha sido feita no curso de Ilustração e Banda Desenhada do Ar.Co. Numa relação saudável de partilha entre nomes consagrados e estreantes, a iniciativa conta com a participação de alunos, ex-alunos e professores.

O departamento de Ilustração/BD do Ar.Co tem vindo a pôr em prática um modelo pedagógico que privilegia as aplicações específicas da ilustração e banda desenhada em relação ao mercado editorial, tendo para o efeito realizado parcerias com várias entidades ao longo dos seus 18 anos de existência. A Chili Com Carne – e a sua “irmã” MMMNNNRRRG – foi um dos parceiros com quem o departamento colaborou, como o atestam as publicações Brincar com as palavras, Jogar com as palavras, em 2002, e mais recentemente O Andar de Cima, de Francisco Lobo, álbum realizado no âmbito do Ano Europeu do Cérebro, em 2014.

É na sequência destas colaborações que estas duas associações se juntam novamente, para afirmarem os seus lugares próprios na produção de banda desenhada nacional.


PIERRE-HENRY GOMONT

FRANÇA

Pierre-Henry Gomont nasceu em 1978. Teve várias profissões antes de chegar à banda desenhada. A sua primeira experiência relevante nesta área deu-se em 2010, quando participou no livro coletivo 13m28 (Manolosanctis). Nessa época Gomont dirigia um blog (com o pseudónimo de Peer Lipo) e contatava de perto com muitos autores de banda desenhada. Conheceu David François, o coautor de De briques & de sang (Kstr, 2010), e acabou por participar no livro, desenhando as 2 pranchas do epílogo. No ano seguinte, 2011, publicou o seu primeiro livro de banda desenhada, Kirkenes (Les Enfants Rouges), escrito por Jonathan Châtel. A partir daí os seus trabalhos têm-se sucedido com alguma regularidade. Escreve e desenha os livros Catalyse (Manolosanctis, 2011), Crematorium (Kstr, 2012) com Éric Borg como argumentista, Rouge Karma (Sarbacane, 2014), com argumento de Eddy Simon e Les Nuits de Saturne (Sarbacane, 2015) uma adaptação do livro Carnage Constellation, de Marcus Malte.

Em 2016 viaja até ao Portugal de Salazar, adaptando o livro Afirma Pereira, de Antonio Tabucchi. O livro, publicado em França em 2016 (Sarbacane) será lançado este ano no Festival de Beja pela G. Floy. É o primeiro livro do autor publicado entre nós e também a primeira vez que faz uma exposição no nosso país. Gomont vive e trabalha em Bruxelas.


ROMA, CAPITAL DO IMPÉRIO

ARGENTINA, BÉLGICA, CANADÁ, ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA, FRANÇA, ITÁLIA E PORTUGAL

Exposição bibliográfica com álbuns e revistas de Alberto Salinas (Argentina), Blutch (França), Clarence Gray / William Ritt (Estados Unidos da América), David B. (França), Eduardo Teixeira Coelho / José Carlos Teixeira (Portugal), Filipe Abranches / A. H. de Oliveira Marques (Portugal), Franz / Vernal (Bélgica), Harold Foster (Canadá), Hermann / Laymilie (Bélgica), Jacques Martin (França), José Salomão / Vitor Belém (Portugal), Milo Manara (Itália), Philippe Delaby / Jean Dufaux (Bélgica), Uderzo / Goscinny (França) e Victor Mesquita (Portugal).

Os autores de banda desenhada sempre sentiram um fascínio profundo pela História de Roma e pelo Império Romano. As histórias (ou personagens) de banda desenhada mais conhecidas entre nós são, essencialmente, o Astérix, de Uderzo e Goscinny, e o Alix, de Jacques Martin. Mas a verdade é que a visão dos autores sobre este período é muito mais abrangente, quer do ponto de vista da narrativa, quer do ponto de vista gráfico. Os autores representados nesta exposição dão bem essa noção…


ROSSANO ROSSI

ITÁLIA

Rossano Rossi nasceu em Arezzo, em 1964. Desde pequeno que manifestou um gosto muito grande pelo desenho e, em particular, pela banda desenhada. A sua estreia profissional fez-se na segunda metade dos Anos 80, altura em que desenhou várias histórias autónomas para as revistas Blitz, Intrepido, Ramba e Splatter.

No início dos Anos 90 começou a colaborar com a Sergio Bonelli Editores, realizando o lápis para algumas histórias de Mister No. Em 1994 integrou a equipa da coleção Zona X, da Bonelli, para a qual realizou os episódios “La stirpe di Elän” e “Magic Patrol”, passando depois a desenhar as aventuras da personagem Jonathan Steele. Desenhou, ainda, as aventuras do detective Nick Raider (inspirado no ator Robert Mitchum) para se estrear com Tex no Almanacco del West 2005. Ao todo realizou 5 histórias de Tex.

Neste momento encontra-se a trabalhar numa nova história de Tex que será dividida em dois livros, com base em textos de Pasquale Ruju, escritor e autor de banda desenhada.


TAINAN ROCHA

BRASIL

Tainan Rocha nasceu em São Paulo, em 1989. Aos 12 anos iniciou os estudos na Quanta Academia de Artes, cursando um ano de Desenho e, posteriormente, uma especialização de 3 anos em Banda Desenhada. Durante esse período publicou no fanzine Ainda!, na época distribuído no Brasil e em Portugal pela Devir, e colaborou como ilustrador e letrista nos livros da personagem Quebra Queixo, criada por Marcelo Campos. Tainan lançou os livros de banda desenhada Imagine Zumbis na Copa (Giz Editorial, 2014), com argumento de Felipe Castilho (durante o Campeonato do Mundo no Brasil), Que Deus Te Abandone (SESI-SP/Quanta Academia, 2015), com argumento de André Diniz, Savana de Pedra (Astral Cultural, 2016), codesenhado com Wagner Willian e com argumento de Felipe Castilho, Crônicas da Terra da Garoa (SESI-SP, 2017) com argumento de Rafael Calça, e a coletânea Realezas Urbanas (Plot! Editorial, 2017), com Barbara Morais, Bianca Nazari e Rebeca Prado.

Teve ainda uma breve experiência como desenhador de alguns argumentos do criador do canal Porta dos Fundos, Ian SBF, publicados no formato webcomic.

Atualmente Tainan é autor de banda desenhada, ilustrador freelancer e professor de Banda Desenhada na Quanta Academia de Artes. Prepara um próximo livro, com argumento de André Diniz, intitulado Virgínia Merece.

O livro Que Deus Te Abandone foi entretanto publicado pela Polvo. Esta é a primeira exposição de Tainan no nosso país.


THE LISBON STUDIO

PORTUGAL

O The Lisbon Studio é um coletivo de ilustradores, designers e autores de banda desenhada, que conta com mais de uma década de existência, e que partilha um espaço com vista para o Tejo, em Santa Apolónia.

Originalmente fundado por um pequeno grupo de autores, foi-se expandido ao longo dos anos para juntar alguns dos maiores nomes da banda desenhada nacional naquela que é, de facto, a casa da BD em Portugal.

A TLS Series é uma antologia regular de banda desenhada dos membros correntes do The Lisbon Studio, editada pela Comics Heart e pela G. Floy. Cada número é subordinado a um tema, e conta com uma equipa diferente, apresentando-se como uma coletânea de alguma da melhor banda desenhada portuguesa. Com dois volumes já lançados, Cidades e Silêncio, que reúnem um total de 15 histórias e 16 autores, a série tem conhecido grande sucesso crítico e comercial, e viu algumas das suas histórias serem nomeadas para Melhor Desenho (nos PNBD do Amadora BD 2017) e Melhor Curta (nos Galardões BD Comic Con 2017), tendo Filipe Andrade vencido nesta categoria com a sua história “Muralha”, publicada em Cidades. O terceiro volume, Viagens, será lançado durante o Festival de Beja.


VILAS

EXPOSIÇÃO DE DESENHO
PORTUGAL

Vilas nasceu na aldeia de Vila Azedo, em 1962. Viveu parte da infância em Vila Azedo, que só deixou quando o pai foi trabalhar para a Base Aérea de Beja.  Começou a desenhar desde que se lembra.  No 8º ano deixou a escola e foi trabalhar como operário. Andou “aos saltos”, mas sempre com o desenho a roer-lhe os calcanhares. Era um “desenhador de café”. Fazia desenhos em guardanapos e nos papéis que lhe iam aparecendo pela frente. “Para oferecer aos amigos”…

A partir dos 35 anos começou a fazer as coisas com outro método. Em 2004 concorreu à Galeria Aberta e o seu trabalho acabou por ser exposto na Casa das Artes – Museu Jorge Vieira. Ganhou uma Menção Honrosa e estímulo para continuar. A partir dessa altura fez várias exposições individuais e participou em várias exposições coletivas. Também tem exposto na Casa da Cultura de Beja. Em 2017 foi convidado a expor uma retrospetiva da sua obra no Edifício Central do Município de Lisboa, ocasião em que foi publicado o livro Vilas, natureza em contraste (Letras Paralelas) e exibido o filme, Eu Mesmo, de Joaquim Silva, acerca da sua obra. A exposição, o livro e o filme têm andado em itinerância pelo Alentejo e já passaram por Cuba e pela Vidigueira. Depois de Beja conhecerão com certeza outras paragens…


VINHETAS DO PAÍS BASCO

PAÍS BASCO (ESPANHA)

Com Adur Larrea, Alex Orbe, Alvarez Rabo, Antton Olariaga, Asisko, Daniel Redondo, Ernesto Murillo « Simonides », Iñaket, Jon Zabaleta, José Ibarrola, Juan Carlos Eguillor, Juan Luis Landa, Julen Ribas, Luis Astrain, Luis Durán, Mai Egurza, Marko, Mattin, Mauro Entrialgo, Miguel Berzosa, Mikel Begoña e Mikel Valverde.

As primeiras vinhetas publicadas na língua basca, o euscara, surgiram em 1894. De então para cá a banda desenhada basca refletiu todas as convulsões do século XX, com avanços, retrocessos e alguns renascimentos. A exposição que agora se mostra em Beja não pretende mostra esse percurso, mas antes a vitalidade dos artistas bascos contemporâneos. São 21, os autores representados. Alguns já publicados em Portugal, como Alvarez Rabo ou Redondo. Entre nós teremos Adur Larrea, Asisko, Mattin e Mikel Begoña. Uma bela oportunidade para os conhecer, e ao seu trabalho.


WAGNER WILLIAN

BRASIL

Wagner Willian nasceu em Natal, cidade do litoral brasileiro, em 1978. Vive em São Paulo onde se dedica às artes visuais. É pintor, autor de banda desenhada, escultor e escritor. Tem ganho vários prémios com o seu trabalho.

Publicou a sua primeira banda desenhada Deus é o Jiraiya, no sítio Nébula, em 2015, a que se seguiram os livros de banda desenhada Bulldogma (Veneta, 2016), Savana de Pedra (Astral Cultural, 2016), codesenhado com Tainan Rocha e com argumento de Felipe Castilho, e O Maestro, o Cuco e a Lenda (Texugo Editora, 2017). A Texugo Editora foi fundada pelo próprio Wagner.

Wagner também tem publicado vários livros ilustrados: o livro de entrevistas Flerte da Mulher Barbada (Veneta, 2016), Lobisomem Sem Barba (Balão Editorial, 2014), e o catálogo de arte Antes da Razão (Vallourec, 2015). Como escritor publicou o livro O Impossível Cavalo de Bronze (Balão Editorial, 2016).

Ao lado de Ramon Vitral e Érico Assis, redigiu a carta aberta à Câmara Brasileira do Livro para a inclusão categoria quadrinhos no Prêmio Jabuti.

O Maestro, o Cuco e a Lenda será lançado nesta edição do Festival pela Polvo. É também a primeira exposição de Wagner no nosso país.

Outras Leituras