Madalena Matoso vence a 22.ª edição do PNI. As Menções Especiais foram para Abigail Ascenso e Joana Estrela.
 O júri, reunido no dia 5 de julho de 2018 na Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, decidiu, por unanimidade, atribuir o Prémio Nacional de Ilustração, referente às obras publicadas em 2017, a Madalena Matoso pelo conjunto de ilustrações do livro Não é nada difícil (texto da própria), publicado pela Planeta Tangerina. As Menções Especiais foram atribuídas a Abigail Ascenso pelas ilustrações da obra A Noite, com texto de Manuel António Pina, publicada pela Assírio & Alvim; e a Joana Estrela pelas ilustrações da obra A Rainha do Norte (texto da própria) e publicada pela Planeta Tangerina.

O júri referiu em Ata que a obra de Madalena Matoso exibe uma coerência organizada numa arquitetura labiríntica quase abstrata sem, no entanto, ousar criar o caos. Nos interstícios do labirinto espreitam textualidades suscitando a decifração por inferência e dedução, tornando inteligente buscar e encontrar. Cada página labora sobre o recorte como se fosse urgente destapar para confundir, sobrepor para mostrar, e em toda a obra fica patente um percurso de evolução da autora e do desenho, fenomenologicamente autónomo mas adstrito às suas próprias potencialidades visuais.

Quanto às ilustrações de Abigail Ascenso, o júri salientou que as ilustrações se aventuram num universo límbico entre o onírico e o real, a memória e o devir, gerindo graficamente a representação do medo, da incerteza da saudade e da sugestão. Destacou ainda a subtileza dos afetos numa paleta de azuis, cinzas e preto, onde a subversão cénica das escalas cria contextos de representação, manipulando a incerteza e a dúvida.

A obra de Joana Estrela ilustra um relato lendário que teima em não terminar de modo previsível; do mesmo modo, as suas imagens, como saídas de um pensamento infantil, atravessam o tempo até chegar a nós revisitadas e leves. Em cada página, surgem elementos de grande densidade gráfica que atualizam emoções, habitando com a subtileza de uma paleta suave vários tempos, várias culturas, vários modos de pensar a tristeza e de a curar. A ilustradora vai construindo um tempo gráfico, cineticamente narrativo, onde as personagens absorvem para si a informação dos espaços onde atuam e executam as ações que nos sensibilizam.

O júri considerou ainda referir em Ata o carácter singular do trabalho de dois jovens ilustradores:

– Jaime Ferraz, em Máquina (Pato Lógico)
– Ivone Gonçalves, em Maria Trigueira (Kalandraka).

O júri foi constituído por Maria Adriana Baptista, investigadora e docente da Escola Superior de Media e Artes e Design do Instituto Politécnico do Porto, Jorge Silva, designer e investigador na área da ilustração, autor do blogue Almanaque Silva, e Ana Castro, técnica superior da DGLAB.

Nesta edição do Prémio Nacional de Ilustração, foram avaliadas 77 obras publicadas por 29 editoras, a que acrescem uma edição de autor e 11 obras publicadas por outras entidades, da autoria de 66 ilustradores.

O Prémio Nacional de Ilustração, criado em 1996 e atribuído pela Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, pretende promover o reconhecimento da ilustração original e de qualidade.

Distingue anualmente um ilustrador pelo conjunto de ilustrações originais publicadas numa obra editada no ano anterior e pode, ainda, distinguir dois ilustradores através da atribuição de duas Menções Especiais. O valor do Prémio é de 10.000 €, acrescido de uma comparticipação de 1.500€ destinada a apoiar uma deslocação à Feira Internacional do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha. As Menções Especiais, no valor de 1.500€ cada, são destinadas a comparticipar as deslocações àquela Feira.

Saiba mais sobre:
21.º Prémio Nacional de Ilustração
– 20.º Prémio Nacional de Ilustração
– 19.º Prémio Nacional de Ilustração
– 18.º Prémio Nacional de Ilustração

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