Qual é a razão do erro publicado pela Goody n’ O Segredo de Fantomius?

Quando foi proposto à Goody que publicasse nas revistas Comix a série Os Fabulosos Feitos de Fantomius, Ladrão Cavalheiro, da autoria de Marco Gervasio, deu-se a indicação de duas condições para realizar tal. Uma delas era respeitar a cronologia, uma vez que o autor vai avançando a narrativa com a indicação explícita dos anos em que a história se vai sucedendo. E a outra condição foi de que se publicasse inicialmente as primeiras histórias sobre Fantomius, protagonizadas pelo Superpato (Paperinik, no original), que antecederam a referida série.

Das 4 bandas desenhadas prévias à série, a primeira delas, Superpato e A Sombra de Fantomius, já tinha sido publicada pela Edimpresa na Hiper Disney Ano 16 n.º 11, datada de novembro de 2004. O seu interesse é que se trata da primeira BD em que o autor cita o nome do proprietário da Villa Rosa, o local onde o Donald, anos mais tarde, descobre e herda o uniforme e gadgets de Fantomius. Tratava-se de um tal Lorde Quackett. No entanto, dada a política da Goody, na altura, em não realizar republicações e limitá-las ao máximo nas suas revistas, foi excluída a hipótese de publicar esta BD, justa e finalmente republicada recentemente com o volume 0 da série premium dedicada aos Fabulosos Feitos de Fantomius, Ladrão Cavalheiro.

Publicada originalmente em 2002, aquela pequena semente deixada por Gervasio somente viria a dar frutos 5 anos depois, com a BD Superpato e O Tesouro de Dolly Paprika, na qual surgem pela primeira vez fisicamente as personagens de Fantomius e Dolly Paprika. E foi essa BD, juntamente com as outras duas que antecedem a saga de Fantomius, que foram publicadas pela primeira vez em Portugal na Disney Especial #11: Super-Heróis.

No entanto, este cuidado em apresentar a personagem aos leitores antes de se iniciar a publicação da sua saga, não foi totalmente feliz, pois foi contrariado por um percalço. Ao ler-se a banda desenhada Superpato e O Segredo de Fantomius, parecia existir um estranho salto na narrativa.

A estranheza era ainda maior se se verificasse a base de dados inducks, onde constava que a BD tinha sido sempre publicada com o mesmo número de páginas nos diversos países. Isto contrariava a hipótese da editora portuguesa ter publicado 1 página em falta da banda desenhada.

Se se investigasse um pouco mais, verificava-se que a versão italiana (bem como noutros países) publicada, tinha algumas vinhetas diferentes da versão portuguesa. O que teria então acontecido para a BD publicada em Portugal ter o mesmo número de páginas que as publicadas originalmente mas com algumas vinhetas diferentes?

Este foi um dos assuntos abordados com o Marco Gervasio aquando da sua presença no XIV Festival Internacional de BD de Beja. Para quem assistiu ao workshop com Davide Catenacci no XIII Festival Internacional de BD de Beja, relembrar-se-á do profundo trabalho editorial que é feito em Itália, quer com os argumentistas, quer com os ilustradores da banda desenhada disneyana produzida naquele país. Segundo Gervasio, o que aconteceu foi que, após a apresentação da BD  com 25 páginas, foi-lhe solicitado que cortasse 1 página, de modo à mesma ter somente 24 páginas.

Nesse sentido, o autor cortou 2 vinhetas de uma página e 4 vinhetas de outra, sendo a versão final da BD a que consta da revista italiana (e noutros países). Ficou, deste modo, esclarecido o mistério. O estranho é que, nas palavras do próprio autor, a primeira versão portuguesa publicada contenha alguma das vinhetas cortadas e ter em falta vinhetas fundamentais para a história.

É a ausência dessas vinhetas fundamentais, cuja ausência a editora portuguesa não se apercebeu aquando da primeira publicação, que dá a sensação da estranheza narrativa aos leitores.

Identificada a origem do problema, aquando da proposta do volume 0 dos Fabulosos Feitos de Fantomius, Ladrão Cavalheiro, deu-se a indicação à Goody de que seria necessário solicitar novamente o material relativo a essa BD para se corrigir o erro verificado na primeira publicação nacional dessa banda desenhada e, deste modo, se publicar finalmente a versão correta.

No entanto, parece que esta indicação não foi tida em conta, uma vez que os leitores continuam a expressar queixas do mesmo problema, com a leitura da referida BD no volume 0. Presumimos que, atendendo à pouca probabilidade de, num curto espaço de tempo, a história ser republicada novamente no nosso país, os leitores nacionais continuarão privados de ler a versão correta dessa banda desenhada, em especial, após a editora ter perdido o momento ideal para o fazer, o que se lamenta profundamente.

SOBRE O AUTOR |

Nuno Pereira de SousaAdministrador