No âmbito das comemorações dos 500 anos da viagem de circum-navegação de Fernão Magalhães a Gradiva e a Comissão Cultural de Marinha editam a banda desenhada MAGALHÃES – Até ao Fim do Mundo do explorador francês Christian Clot.

A Gradiva editou este mês, em conjunto com a Comissão Cultural da Marinha, a obra de banda desenhada Magalhães: Até ao Fim do Mundo, com argumento de Christian Clot e ilustrações de Thomas Verguet e Bastien Orenge, originalmente publicada no mercado franco-belga pela Glénat em 2012. Esta edição portuguesa assinala os 500 anos da viagem de circum-navegação liderada por Fernão de Magalhães entre 1519 e 1522.

O lançamento oficial ocorre no dia 1 de outubro, às 17h30, no Pavilhão das Galeotas do Museu de Marinha, cabendo ao autor e explorador Christian Clot fazer a apresentação da banda desenhada. Haverá, ainda, tempo para uma pequena actuação da Banda da Armada, que encerrará a sessão. O início da sessão está marcado para as 17h30. O acesso é livre, embora limitado à capacidade do espaço.

Eis o booktrailer:

Eis a sinopse da editora:

1519. Até onde se deve ir para demonstrar a rectidão das suas ideias, para viver os seus sonhos até ao fim? É o que Magalhães irá saber, indo até ao derradeiro sacrifício para que o seu nome jamais seja esquecido…

«Magalhães é um enigma. É um dos maiores exploradores de todos os tempos, revolucionou a navegação mundial, e no entanto ninguém conhece a sua vida. É porque ele é apresentado, por vezes, como um ser austero, frio e pouco afável? Com que base, pois praticamente não existe nenhuma linha, nenhum escrito, da sua autoria? Tudo foi destruído. De acordo com a maioria dos seus biógrafos, ele jamais pensou fazer a volta ao mundo: partiu apenas para descobrir uma nova rota para as ilhas das especiarias, para as riquezas. Efectivamente, é o que ele declara a Carlos I para obter uma armada. Mas eu não o creio: eu  conheço a dificuldade de defender um projecto apenas pela nobreza, mais que pelo seu interesse financeiro. Mais ainda na época da Inquisição, quando declarar que a Terra era redonda era uma heresia passível de ser punida com a morte. Apenas interessavam as novas possessões e o número de almas convertidas. Há o que guardamos para nós e o que vendemos para convencer. Para alcançar o seu fim, Magalhães terá de renunciar a tudo: aos seus ideais, ao seu amor de juventude e à sua pátria. Uma vez que os seus méritos não foram reconhecidos em Portugal, oferece o seu projecto a Espanha. Terá de lutar durante meses sozinho, contra todos, para finalmente conseguir uma armada com navios de ocasião, comandados por comandantes hostis. Terá de afrontar mares desconhecidos, tempestades terríveis, motins e traições… Tem apenas uma paixão, um último sonho, à partida impossível, para enfrentar de igual modo obstáculos e perigos. Um sonho que não pode ser apenas o de trazer especiarias com o intuito de respigar algumas riquezas e um título de nobreza. Não. O seu sonho era o horizonte! Ir mais além do que alguma vez alguém tinha ido. A visão de que, partindo em direcção a oeste, era possível regressar por leste: fazer, pela primeira vez na história da Humanidade, a viagem de circum-navegação do nosso mundo! Esse objectivo nem o terá podido confessar a Carlos V, que o proibiria, e depararia muito provavelmente com a animosidade dos Portugueses. Mas por esse sonho, e apenas por esse, valia a pena sacrificar tudo. Mesmo a sua própria vida… » – Christian Clot.

Christian Clot (Suiça, 1972) dirige expedições de exploração científica em ambientes extremos no nosso planeta. A sua constante interrogação sobre a capacidade do ser humano de se adaptar ao seu ambiente rapidamente ligou as suas expedições ao trabalho científico. Comunica através de conferências, livros e filmes, pelos quais recebeu vários prémios. Desde sempre fascinado por banda desenhada, é autor de vários livros. Depois de ter estudado para ser comediante trabalhou durante alguns anos como actor e realizador. Apaixonado pelo montanhismo e pelo paraquedismo abandona o palco para se dedicar a expedições em locais com condições climatéricas extremas. Atravessa a  América do Sul por selvas, desertos, montanhas e mares, percorre o Nepal a pé e muitos outros locais sem o recurso a qualquer meio de transporte motorizado  questionando-se constantemente acerca da capacidade que o ser humano tem de se adaptar ao ambiente que o circunda. Cruza regularmente as suas expedições com trabalhos científicos que desenvolve para laboratórios franceses e internacionais quer no que diz respeito à recolha de dados (entomologia, glaciologia,…); quer na recolha de informação no domínio da psicofisiologia nomeadamente acerca do modo como os indivíduos se adaptam e tomam decisões em ambientes extremos. Em 2006, tornou-se, após três tentativas e cinco anos de trabalho de pesquisa, o primeiro homem a entrar no centro das montanhas da Cordilheira na Terra do Fogo, no Chile, uma exploração que lhe valeu vários prémios. Mas o prazer de comunicar e contar histórias nunca o deixou. Em paralelo com o seu trabalho de campo usa vários meios para dar a conhecer o planeta, os seus lugares mais remotos, os seus habitantes e a importância de ir atrás dos sonhos. Realizou  vários filmes e já deu centenas de palestras. Mas foi na escrita que encontrou o meio de expressão perfeito para transmitir a sua visão do mundo. Hoje em dia faz expedições sempre com o objectivo de tornar o mundo mais conhecido incentivando todos, mas sobretudo os mais jovens, a lutar para alcançarem os seus sonhos e a defender o respeito pelo planeta e os seus habitantes.

Pode saber mais sobre o argumentista aqui:

Thomas Verguet (França, 1981) começa a se interessar pela infografia, efeitos especiais e banda desenhada durante a sua juventude, essencialmente dedicada à música clássica e aos estudos. Estuda informática numa escola de engenharia e começa paralelamente a frequentar cursos de banda desenhada no Zarmatelier, em Marselha, com Yann Valéani. Com o diploma no bolso, dedica-se definitivamente à banda desenhada. Colabora no fanzine marselhês “Anachronique” e parte para a Bélgica para realizar um curso de design gráfico, outro de desenhos animados e mais um de banda desenhada com Philippe Foerster. É recrutado pelo estúdio parisiense Elyum (criado por Guillaume e Xavier Dorison, Didier Poli e Jean-Baptiste Hostache) para desenhar a BD “Magalhães”, com argumento do explorador Christian Clot e codesenhada por Bastien Orenge para a série Explora da Glénat. Muito entusiasmado com a ideia de se aperfeiçoar na narração, realiza os storyboards para os álbuns da série Seigneurs de Guerre da Glénat. Posteriormente, abandona o estúdio  para realizar um álbum para a série 1800 da Soleil, com argumento de Stéphane Louis e codesenhado por Bastien Orenge, “Egar Allan Poe – Hantise”. Em 2016, é publicado pela Glénat “Rimbaud – L’explorateur maudit”, com desenhos seus e argumento de Philippe Thirault.

Bastien Orenge (França, 1989) devora bandas desenhadas franco-belgas desde tenra idade e descobre na adolescência séries que o marcarão, como LanfeustNeige ou La Quête de l’oiseau du temps. Atraído pela arte, obtém um bacharelato literário especializado em História de Arte. Prossegue os estudos sem parar de rabiscar e frequenta o curso de desenho na Escola de Belas Artes do Havre. Tem então de se confrontar com uma escolha delicada: prosseguir os estudos clássicos ou artísticos. Em 2007, ingressa na escola de publicidade e artes gráficas Pivaut de Nantes, na qual integra a secção Banda Desenhada- Ilustração. Em 2008, realiza um estágio com Nicolas Siner, numa altura em que este se encontra a desenhar o primeiro álbum da série Horacio d’Alba para a editora 12bis. Em 2010, obtém o seu diploma e conhece Stéphane Louis, desenhador da série Tessa agent intergalactique, que integra o júri do final de ano. Louis apresenta o seu trabalho a Didier Poli, que o convida a integrar o estúdio Elyum, acbado de criar com Jean-Baptiste Hostache e Guillaume Dorison. Em outubro de 2010, Bastien lança-se no projeto “Magalhães” para a série Explora da Glénat, em colaboração com Thomas Verguet no desenho, Christian Clot no argumento e Stéphane Gantiez nas cores. Em 2014, a Soleil publica “Egar Allan Poe – Hantise”, codesenhado por si e por Verguet, com argumento de Louis.

Magalhães: Até ao Fim do Mundo
Christian Clot, Thomas Verguet & Bastien Orenge
Editora: Gradiva / Comissão Cultural da Marinha
Páginas: 60
Encadernação: capa dura
Dimensões: 23,4 x 31 cm
ISBN: 978-989-616-844-5

SOBRE O AUTOR |

Nuno Pereira de SousaAdministrador