Quando:
02/10/2018@20:00_23:00
2018-10-02T20:00:00+01:00
2018-10-02T23:00:00+01:00
Onde:
Casa do Alentejo
R. das Portas de Santo Antão 58
1150-043 Lisboa
Portugal

O 412.º encontro da Tertúlia BD de Lisboa tem lugar no dia 2 de outubro, a primeira terça-feira do mês. Este mês a convidada especial é Cristina Alves. Irá também decorrer a apresentação do concurso de BD Avenida Marginal 2018 por Marco Fraga da Silva.

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Projeto Avenida Marginal

O Projeto Avenida Marginal, fundado por Marco Fraga da Silva, nasce da vontade intrínseca de experimentar e de criar, focada nas áreas da BD e da Ilustração. A iniciativa engloba, atualmente, três componentes essenciais (Fig. 1): a organização de um concurso internacional de BD dirigido aos países da CPLP, trienal caracterizada como um concurso de ‘curtas metragens’ de BD em que os autores têm de sintetizar graficamente uma narrativa em apenas uma prancha; a componente editorial, que conta, até à data, com a publicação de dois fanzines de BD e Ilustração; e a terceira componente relacionada com a realização de exposições itinerantes e estratégias curatoriais, contando já com cinco exposições em vários locais do país.
O concurso de BD tem a sua génese na cidade da Horta, Açores, com organização do jornal homónimo Avenida Marginal, sendo lançado ao público em 2009, com o apoio do Laboratório de Arte e Comunicação Multimédia (Lab:ACM) do Instituto Politécnico de Beja (IPBeja) e da Bedeteca de Beja. Na primeira edição, a iniciativa é dirigida ao público nacional e em termos de formato afirma-se como um concurso de ‘curtas metragens’, procurando assim, uma vertente mais experimental em termos estéticos, plásticos e narrativos. Esta primeira edição superou as expectativas pela elevada qualidade dos trabalhos a concurso (Fig. 2). O júri – composto por Geraldes Lino, Marco Fraga da Silva, Paulo Monteiro e Susa Monteiro – avaliou uma pré-seleção de um total de cerca de 90 trabalhos. A primeira exposição colectiva teve lugar no Faial em 2009, no Museu Fábrica da Baleia – Observatório do Mar dos Açores, com cobertura televisiva da RTP Açores. No ano seguinte, em 2010, o concurso organizou, em parceria com a Bedeteca de Beja, uma exposição colectiva que integrou o VI Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja. Uma publicação digital foi disponibilizada online no website oficial do concurso de forma a promover a iniciativa e o trabalho dos artistas.
Na segunda edição (Fig. 3), em 2012, o concurso passa a ser internacional, direcionado a vários países lusófonos (Portugal, Brasil e PALOPS), mantendo a sua identidade de ‘curtas’ de BD apresentadas em prancha única. A exposição colectiva e entrega dos prémios decorreu no Palácio dos Aciprestes – Fundação Marquês de Pombal, em Oeiras. Uma segunda exposição foi organizada na Casa da Cultura de Beja, com o apoio da Bedeteca de Beja e do banda-desenhista Paulo Monteiro. Ainda na cidade de Beja, foi organizada uma exposição de BD para o II Encontro com Culturas 2012 – Comunidade de Países de Língua Portuguesa – que teve lugar no IPBeja, a qual contou com algumas das pranchas submetidas em ambas as edições do concurso Avenida Marginal. O júri manteve-se desde a primeira edição com uma única alteração, a substituição de Marco Fraga da Silva por Maristela Garcia, responsável da Gibiteca de Curitiba, vincando assim a internacionalização da segunda edição, que avaliou uma seleção de cerca de 150 trabalhos (Fig. 3). Em relação à edição anterior denota-se uma clara subida no número de participantes, justificada por uma campanha online mais intensa e pela internacionalização do concurso.
A terceira edição desta trienal, designada por Concurso Internacional de BD/HQ Avenida Marginal 2015 teve uma chamada de trabalhos até dia 30 de Março de 2016, dirigida a todos os países que integram a CPLP. Esta edição, organizada pelo Bode Expiatório, contou com o apoio da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa, da Bedeteca de Beja, da Gibiteca de Curitiba, do Museu Bordalo Pinheiro e do Festival Amadora BD. Outras entidades, entre blogues e websites, deram apoio na divulgação da trienal como é o caso do Concurso de Ilustração Portuguesa Contemporânea, o Central Comics, o blogue Divulgando BD, a página Facebook Tertúlia BD de Lisboa, o blogue Uma Bedeteca Anónima, entre muitos outros. A exposição itinerante que resultou da mostra das melhores pranchas a concurso esteve patente em vários locais ao longo de três anos: Beja, Lisboa, Curitiba e Odivelas. Na cidade de Beja esteve no Estórias Tantas, onde integrou o Festival Internacional de BD de Beja de 2016. Em Lisboa esteve no Espaço Cultural Com Calma, em Benfica. No Brasil esteve na Gibiteca de Curitiba. Em Odivelas esteve na Biblioteca Municipal Dom Dinis.
A quarta edição está a decorrer até ao dia 25 de novembro de 2018. Neste momento está marcada uma mostra com as melhores pranchas das quatro edições no mês de março, na cidade da Horta (Açores), na Biblioteca Municipal da Horta. Esta mostra irá celebrar o décimo aniversário da trienal Avenida Marginal.
Outra importante vertente do Projeto Avenida Marginal é a sua componente editorial, que deu origem ao Espaço Marginal – Fanzine de Ilustração e Banda Desenhada, publicação multi-autor que assenta no diálogo profícuo entre obras de autores consagrados convidados, a par de jovens talentos emergentes, muitos deles estudantes de áreas criativas. Este fanzine consolida a aposta na relação, cruzamento e hibridação das linguagens da Ilustração e da BD que, ao longo das duas edições já publicadas, tem vindo a consolidar-se e a despertar o interesse dos autores por esta zona de fronteira entre áreas.
O número zero, publicado em 2013 e apresentado publicamente no IX Festival Internacional de BD de Beja, é editado pelo Lab:ACM, com organização de Ana Lopes e Marco Fraga da Silva, lançando as bases desta edição internacional lusófona: a exploração do cruzamento entre as áreas da BD e da Ilustração com uma produção artesanal seriada. A capa, produzida em serigrafia, é ilustrada por Ana Lopes com produção do mestre serígrafo e docente António Inverno e paginação de Ana Velhinho. A publicação caracteriza-se pelo formato quadrado (20 x 20 cm), com um miolo de 64 páginas na primeira edição, que contou com um total de 31 participantes. Foram vários os autores, entre docentes, discentes e alumni do IPBeja, a par de outros autores convidados que contribuíram com a sua criatividade e gosto pela Ilustração e pela BD. O fanzine incluiu, ainda, um artigo do bloguista Geraldes Lino sobre a Tertúlia de BD de Lisboa, fundada pelo próprio. Esta edição é nomeada para melhor fanzine nacional no 24º Festival Internacional de Banda Desenhada de Amadora 2013, tendo ainda integrado a exposição de Geraldes Lino sobre fanzines, que fez parte da programação oficial do festival.
O sucesso deste número experimental motivou a organização para a criação de uma nova edição em 2014 – uma versão mais alargada (76 páginas) em termos de número de autores e obras. Geraldes Lino voltou a estar presente com um texto sobre fanzines biográficos, que reafirma a vontade de manter um espaço de reflexão nesta publicação. Nesse ano, além de integrar a exposição do Festival Amadora BD, a segunda edição do Fanzine Espaço Marginal é premiada na categoria de melhor fanzine nacional, galardão, que segundo a organização do referido certame distingue edições, publicadas em Portugal e em língua portuguesa, que tragam novidade artística ao meio editorial.
As duas edições do fanzine tiveram uma tiragem de 120 exemplares numerados, com capa serigrafada a cores e miolo impresso a preto e branco. Deste modo, a publicação constitui um objeto de colecionador de edição limitada, com um circuito de distribuição entre autores, bibliotecas e eventos especializados como festivais e feiras ligadas ao sector. As suas versões digitais encontram-se disponíveis gratuitamente numa das plataformas de disseminação do projeto. (https://issuu.com/avenidamarginal)