Quando:
02/02/2017@19:00_10/02/2017@22:00
2017-02-02T19:00:00+00:00
2017-02-10T22:00:00+00:00
Onde:
Abysmo
R. Horta Seca 40
1200-106 Lisboa
Portugal

FRAGAS FALANTES / SPEAKING STONES 1996-2016 é uma monografia que apresenta duas décadas de uma parte do trabalho de projecto gráfico de JORGE DOS REIS ligado especificamente ao design de tipos de letra. O seu percurso projectual inicia-se em 1996 depois de uma colaboração persistente, a quatro mãos, durante quase dois anos com o designer Robin Fior, na Rua do Ferragial ao Cais do Sodré, em Lisboa. Em simultâneo realizaria um longo processo diário de formação enquanto aprendiz tipógrafo na Tipografia Freitas Brito, na mesma Rua do Ferragial, um estágio iniciado em 1994 com o Primeiro-Oficial de Tipografia da Imprensa Nacional Bernardo Gomes. Estas duas linhas paralelas de consolidação e aprendizagem apenas seriam interrompidas por um período de trabalho com o tipógrafo Alan Kitching, em Londres. Ao longo destes vinte anos JORGE DOS REIS manteve uma prática de uso constante do desenho como instrumento de trabalho, na prefiguração das formas, num processo sequencial de aproximação ao resultado ambicionado. Vive a prática do projecto com um labor paradoxal, solitariamente monástico mas também de colaborações dispersas no atelier e nas casas de artes gráficas. As formas que concebo estão ancoradas num rigor geométrico constante, num neoplasticismo de redução às formas mais puras, de modo compulsivo e intencional. Este ortogonalismo de natureza austera e minimalista, assente na funcionalidade, permite-me questionar a estagnação formal do código alfabético enquanto dispositivo de comunicação interpessoal, aprisionado do ponto de vista visual, refém de um património tipográfico do passado e das formas moduladas e fatigadas, mimetizadas constantemente até à exaustão, na ditadura da legibilidade tipográfica esgotada e sem saída. É urgente colocar o leitor perante o desafio da leitura, onde novas formas alfabéticas farão desenvolver a comunicação textual do futuro. Esta monografia fecha assim um círculo que parte da afirmação inicial, discorrendo numa observação distanciada sobre o caminho percorrido, sem alternâncias, com coerência, distante da contradição enquanto razão do projecto, nos dias agitados de uma vida sedenta de contemplação.