Equinócio é a mais recente obra de banda desenhada de Diniz Conefrey. Ou serão cinco obras? Trata-se de um quinteto de poesia visual que desafia os limites da reprodução e interpretação.

Eis a apresentação da obra pela editora:

Equinócio é um caderno de 50 páginas, elaborado copiosamente à mão, num processo em que mesmo as imagens elaboradas com meios mecânicos têm uma individualidade própria; como uma pincelada é única. O texto repete-se e as imagens em sequência, ao longo dos 5 exemplares, seguem uma mesma orgânica narrativa, cuja interpretação visual é transfigurada, particularmente, em cada caderno. Como se cada um fosse uma interpretação musical de um registo assente numa matriz, cuja índole poética assenta num texto; uma visão interior de seres-pássaros, esvoaçantes, sem conseguirem voar, cruzando os passeios de uma cidade longínqua e da palma de cada mão.

À esquerda, sequência do caderno 3 de 5. À direita, imagem do caderno 4 de 5.

As sombras sequenciais deste caderno, de poesia visual, são estátuas em movimento temporal ao mesmo tempo que música congelada por entre o frémito irrequieto das improvisações. Das anotações minuciosas que destacam a sensibilidade, dos rasgos momentâneos que frisam, rudemente, o irrepetível no repetível.

À esquerda, imagem do caderno 2 de 5. À direita, a mesma imagem, do caderno 5 de 5.

Um texto, num caderno de imagens que provoca os métodos de reprodução, questionando-os, respirando de forma única para lá das tiragens, das gravuras, da tipografia ou dos processos mais modernos; sem os recusar, transformando-se de dentro para fora com a rapidez plácida do autor copista, derramando múltiplos numa sucessão circunscrita.

À esquerda, sequência do caderno 1 de 5. À direita, a mesma sequência, do caderno 5 de 5.

Uma visão é uma imagem que se desprende do corpo do texto. O corpo do equinócio pontuando as margens do tempo exterior, naturalmente sacralizado, na inquietude permanente do poema, uma interpretação do terror em sons de perpétua harmonia por desvelar: “(…) Entre estes pássaros vibrantes recolhe-se uma luminosidade, profunda e misteriosa que os faz girar em círculos de nós cegos, vacilando os seus rostos sobre o ar denso e pesaroso das máquinas em combustão. (…)” Tudo o que tem tempo, tem música. Tudo o que se move contém dança. No espaço suspendem-se as imagens deste caderno, da autoria de Diniz Conefrey, realizado durante Maio e Junho de 2015 e disponível no site Quarto de Jade.

Páginas: 50
Dimensões: 22 X 16 cm
Preço: € 120,00

SOBRE O AUTOR |

Nuno Pereira de Sousa
Nuno Pereira de SousaAdministrador
Fundador e administrador do site, com formação em banda desenhada. Consultor editorial freelance e autor de livros e artigos em diferentes publicações.