mosquitoA sexta e última revista da Coleção Banda Desenhada distribuída com a revista Visão é uma reprodução d’ O Mosquito (4.ª série) #1, originalmente publicada em 31 de dezembro de 1975, propriedade de Fernando de Andrade e distribuída pela Agência Portuguesa de Revistas.

A reprodução apresenta, tais como as restantes da coleção da Visão, o formato de 19×26 cm, neste caso de maiores dimensões que as da revista original (aproximadamente, 165×235 cm).

Neste único número da 4.ª série, reproduziu-se a BD O Anão Diabólico de Ken Mennell e Alfonso Font.

Para contextualizar esta BD temos de abordar uma outra série britânica, intitulada Black Max, a qual começou por ser publicada na revista Thunder entre 17 de outubro de 1970 e 13 de março de 1971, com argumento de Ken Mennell e desenhos de Eric Bradbury. Bradbury seria substituído por Font quando a BD passou a ser publicada na revista Lion (20 de março de 1971 a 21 de outubro de 1972). Max surgiria também em alguns especiais, nomeadamente Lion Summer Special (1971-3), Lion Annual (1977) e Valiant Annual (1980). Max, o Barão Maximilien von Klorr, é um ás da aviação da I Guerra Mundial que pilota um triplano Fokker. Ao descobrir uma poção antiga, transforma dois morcegos em gigantes, os seus Reis-Morcego, com quem comunica telepaticamente. Ele utiliza estes assassinos para atacar os Aliados, passando a ser conhecido por Mestre dos Morcegos. O Tenente Tim Wilson da Royal Flying Corps é o seu adversário. Uma personagem que surge na série, a 8 de janeiro de 1972, na revista Lion and Thunder, é o cientista alemão Dr. Gratz, o anão diabólico (Demon Dwarf).

Uma semana após a serialização de Black Max, no dia 28 de outubro de 1972, a Lion apresenta uma nova série dedicada desta feita ao Anão Diabólico e igualmente da autoria de Mennell e Font. A série tem lugar 50 anos após a I Guerra Mundial, tendo o Dr. Gratz sido preservado durante um coma autoinduzido durante esse tempo. A série duraria até 17 de março de 1973 e o vilão contaria com a oposição de Bill Wilson, neto de Tim Wilson. É uma porção desta série que pode ser lida na reprodução da Impresa.

Como complemento, além do editorial, o “semanário” juvenil de 16 páginas apresenta em notas de rodapé informações relativas a astros e a aves.

Clique nas imagens para as visualizar em toda a sua extensão:

Eis a sinopse da editora:
Entre todas as que se publicaram em Portugal, esta publicação foi, talvez, a de maior sucesso e a de maior tiragem nacional, chegando a atingir os 30000 exemplares por número e contando com saídas bissemanais. O Mosquito nasceu em 1936 e a primeira série durou até 1953, com 1412 números publicados. Teve algumas mudanças de formato ao longo da sua vida, entre o A4 e o A5. Sobreviveu a problemas de falta de papel durante a II Guerra Mundial e à contenção de custos. Nesta publicação apareceriam trabalhos de autores portugueses, alguns deles acabariam por ser famosos internacionalmente, e também de origem espanhola. O nome desta publicação seria tão importante que todas as revistas de Banda Desenhada da época eram chamadas de “Mosquitos”, na gíria. Ainda hoje se comemora com pompa e circunstância o aniversário d’O Mosquito, tendo já passado 80 anos da data do seu aparecimento. Depois de 1953, O Mosquito teria mais quatro séries, irregulares, entre 1960 e 1986.

SOBRE O AUTOR |

Nuno Pereira de Sousa
Nuno Pereira de SousaAdministrador
Fundador e administrador do site, com formação em banda desenhada. Consultor editorial freelance e autor de livros e artigos em diferentes publicações.