Um romance épico com um mundo de fantasia rico em evocações históricas, magia, lutas de poder e amor. Uma aventura magnética baseada na cultura africana. 

Tomi Adeyemi é uma escritora norte-americana de ascendência nigeriana. Estudou a cultura e mitologia africana ocidental na cidade brasileira de Salvador no estado da Bahia e baseou-se nos orixás para construir, de uma forma inesperadamente criativa, a narrativa que constitui o romance juvenil de fantasia Filhos de Sangue e Osso, originalmente publicado pela Henry Bolt Books. Trata-se do seu romance de estreia e o primeiro – e atualmente único – de uma futura trilogia denominada de Legacy of Orïsha em língua inglesa.

Dificilmente se pode estudar a mitologia africana no Brasil, sem abordar o candomblé e a magia fortemente ligada à natureza. O seu ritmo está imiscuído de forma indissociável na cultura brasileira, desde a música à própria literatura. Apenas para citar dois grandes nomes, quer Jorge Amado, quer Vinicius de Moraes froam a essa fonte receber inspiração para as suas obras.

A abordagem de Adeyemi traz, de certa forma, uma frescura, porque coloca os orixás no meio do mundo e liga-os a personagens que os complementam. Ao mesmo tempo, consegue fazer uma apologia em prol de abandonar os conflitos e os julgamentos, somente porque se nega o direito à diferença.

No seu mundo, quem possui geneticamente a possibilidade de praticar magia é ostracizado porque os seus cabelos são diferentes e porque a sua pele é mais escura… É impossível ao leitor não fazer o paralelo com aquilo que ainda se verifica na nossa realidade. Num momento em que o Brasil abraça um dogmatismo fascista, a leitura deste livro mostra cenários possíveis resultantes de extremismos.

Se há uma conclusão a retirar da leitura de Filhos de Sangue e Osso é que os outros são mais interessantes pelas suas diferenças e que descobri-las torna-nos mais completos.

Espero que a autora nos permita a todos continuar a seguir as aventuras de Zélie, Amari e Tzain, no seu esforço de levar a esperança a quem se esqueceu de como a ter.

Eis a sinopse da editora:

Um romance sobre o povo Maji Maji, um povo real que se rebelou contra a Alemanha: a Guerra Maji Maji foi uma revolta armada, que durou de 1905 a 1907, contra o domínio colonial alemão no território da actual Tanzânia. Um épico de fantasia que se diferencia dos temas mais comuns, baseado na cultura africana e mitologia com um pano de fundo. Este romance de estreia da autora foi o livro da Feira de Bolonha do ano passado. Entrou directamente para o 1.º lugar do top do The New York Times, onde ainda permanece.

«Eles mataram a minha mãe. Levaram a nossa magia. Tentaram enterrar-nos. E, agora, nós levantamo-nos.»

Zélie Adebola lembra-se do tempo em que a magia fazia vibrar o solo de Orixá. Os Incineradores ateavam as chamas, os Senhores das Marés chamavam as ondas e a mãe Ceifeira de Zélie invocava um exército de almas. Mas tudo mudou na noite em que a magia desapareceu. Sob as ordens de um rei implacável, os Maji foram perseguidos e assassinados, deixando Zélie órfã de mãe e o seu povo desprovido de esperança. Agora, Zélie tem apenas uma oportunidade de trazer a magia de volta e atacar a monarquia. Com a ajuda de uma princesa fugida, ela terá de ser mais forte e mais astuciosa do que o príncipe herdeiro, que jurou erradicar a magia para sempre. O perigo espreita em Orixá, onde leopardaires das neves andam à caça e espíritos vingativos rondam as águas. A grande ameaça, contudo, talvez seja a própria Zélie, que ainda não aprendeu a dominar os novos poderes, nem a paixão que começou a sentir pelo seu maior adversário.

Filhos de Sangue e Osso
Tomi Adeyemi
Editora: Planeta
Páginas: 480
Encadernação: capa mole com badanas
Dimensões: 15,5 x 23,5 cm
ISBN: 9789897771231

SOBRE O AUTOR |

Susana Figueiredo
Susana FigueiredoGestora de conteúdo
Médica e leitora compulsiva, no Bandas Desenhadas assumiu funções da reportagem e da crítica.