A edição de 4 livros da série Aventuras do Boneco Rebelde em conjunto com o livro sobre a exposição reBeldDes.

O Município de Leiria teve patente no Museu de Leiria, Arquivo Distrital de Leiria e nas ruas da cidade uma exposição entre abril de 2017 e dezembro de 2018 intitulada reBelDes: Sérgio Luiz e Güy Manuel. O ano passado, essa exposição foi complementada com a edição da Coleção Boneco Rebelde. Esta é composta por uma caixa de arquivo (sendo utilizado um lápis para fechá-la), quatro livros de banda desenhada da autoria de Sérgio Luiz com a série Aventuras do Boneco Rebelde e um livro dedicado à exposição supramencionada.

No que toca aos livros de BD, foi tomada a decisão dos mesmos serem a preto e branco, atendendo a que o colorido não era aplicado pelo autor mas sim na tipografia onde era impresso O Papagaio, o semanário onde a série era publicada.

Os volumes de banda desenhada são compostos por 36 páginas cada um, com exceção do terceiro, com 20 páginas. Os seu títulos são:

  1. Aventuras do Boneco Rebelde (ISBN 978-989-8812-95-7)
  2. Aventuras do Boneco Rebelde: O Livro Mágico (ISBN 978-989-8812-97-1)
  3. Aventuras do Boneco Rebelde: O Boneco Torna a Sair do Frasco (ISBN 978-989-8812-96-4)
  4. Aventuras do Boneco Rebelde: A Ilha Misteriosa (ISBN 978-989-8812-94-0)

Nestes quatro volumes, é editada a série originalmente publicada n’ O Papagaio entre 1939 e 1943, inicialmente com a direção de Adolfo Simões Müller e posteriormente de Artur Bívar. A BD O Boneco Rebelde foi vanguardista quanto à abordagem utilizada, tendo bastante sucesso aquando da sua publicação original. Curiosamente, deu azo também a uma entrada na história do cinema de animação português, atendendo à curtas-metragens que o próprio Sérgio Luiz realizou na década de 40, de uma forma caseira, com uma máquina adaptada e utilizando radiografias enquanto transparências para traçar as sequências.

O quinto volume da coleção intitula-se reBelDes: Sérgio Luiz e Güy Manuel (ISBN: 978-989-8812-93-3) e é, como referimos, dedicado à exposição, subintitulada Banda Desenhada e Ilustração. Ao longo das suas 64 páginas, foca-se não só na obra de Sérgio Luiz mas também do seu irmão, Güy Manuel, que, para além de colaborar com o irmão nos seus trabalhos, colaborou a solo com várias publicações juvenis da época na área da ilustração, bem como na obra A Caça no Império Português de Henrique Galvão, Freitas Cruz e António Montês, editada pela portuense Editorial Primeiro de Janeiro. Os textos do volume são da autoria de José Oliveira, Mário Coelho, Sara Marques da Cruz, Raul Castro e Vânia Carvalho e baseiam-se na exposição, constituída por material previamente publicado e inédito.

Relembra-se que em 1999, a série Aventuras do Boneco Rebelde tinha sido coeditada a cores num único volume pela BaleiAzul e a Bedeteca de Lisboa, com direito a uma mostra nesta última.

Clique nas imagens para as visualizar em toda a sua extensão:

Sérgio Luiz (de apelido Henriques de Almeida Fernandes) nasce a 30 de setembro de 1921 na Praia da Granja, Vila Nova de Gaia. Entre 1923 e 1939, vive em Leiria. Aso 13 anos, é-lhe diagnosticado uma tuberculose renal. Aos 16 anos, com o seu irmão Güy Manuel, ilustra a brochura O Valor da Vontade na História Nacional de Américo Cortês Pinto. Com 17 anos lê uma solicitação de colaboração dos leitores na publicação infantil O Papagaio. Envia desenhos para o seu diretor, Adolfo Simões Müller, iniciando a colaboração com aquela publicação no âmbito da BD. Após a narrativa sobre civilizações antigas (Egito, Índia, Arábia, Fenícia, Pérsia, Caldeia e Assíria), segue-se a criação do Boneco Rebelde, publicado pela primeira vez em 27 de julho de 1939. Em setembro desse ano, muda-se para a capital com parte da família para que o irmão possa prosseguir os estudos (que Sérgio abandonara no final do 6.º ano devido à sua doença) e ele ser melhor tratado. O facto de residir em Campo de Ourique, perto do Cinema Europa, estimula Sérgio para se dedicar aos desenhos animados. Realiza diversas curtas-metragens, que são exibidas no Jardim Cinema, alguns dos quais chegaram aos nossos dias em existência física, o que os torna os filmes de animação portugueses mais antigos cuja película foi preservada. É também colaborador de outras publicações, como Pim-Pam-Pum, O Passatempo, Diabrete e Engenhocas, seja na área da ilustração, elaboração de construções de armar ou na conceção de esquemas de brinquedos. Falece em 24 de janeiro de 1943, com 21 anos. O Boneco Rebelde seria publicado ainda durante alguns meses devido a ser desenhado com avanço.

Güy Manuel nasceu a 24 de março de 1923, em Leiria. Aos 15 anos iniciou-se como colaborador n’ O Papagaio, com as Aventuras de Gonçalo, o menino Fugido. Aos 16 anos, em Lisboa, frequentou o último ano do Liceu Normal de Pedro Nunes. No ano seguinte, foi admitido no curso de Arquitetura, na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, começando, por interesse pessoal, a frequentar as aulas de Anatomia. Entre as várias bandas desenhadas que criou para publicações como O Papagaio, Acção Infantil e O Faísca, destaca-se A Lenda dos Argonautas. Para além destas publicações, teve ilustrações publicadas no livro infantil Bicharada Endiabrada, de Lídia Correia Serras Pereira bem como nos periódicos O Passatempo, Estandarte, Diário Popular, Diário de Lisboa, Renascença, O Comércio do Porto, Engenhocas e Coisas Práticas, Microfone e O Senhor Doutor. Faleceu em 5 de agosto de 1943, com 20 anos, vítima de tuberculose.

Coleção Boneco Rebelde
Sérgio Luiz, Güy Manuel et al.
Encadernação: caixa de arquivo com 5 livros de capa mole
Editora: Município de Leiria

SOBRE O AUTOR |

Nuno Pereira de Sousa
Nuno Pereira de SousaAdministrador
Fundador e administrador do site, com formação em banda desenhada. Consultor editorial freelance e autor de livros e artigos em diferentes publicações.