O segundo livro da nova série de Bilal.

Conforme a Arte de Autor tinha prometido aquando da edição do primeiro volume da série Bug de Enki Bilal, este mês é publicado em território nacional o segundo livro. Trata-se, inclusivamente, do terceiro lançamento da editora este mês, tendo provavelmente como efeito catalisador a edição de 2019 do Amadora BD. Bilal anunciou que esta série seria composta por um conjunto de 5 tomos, estando até ao momento publicados apenas estes 2 volumes, com o segundo volume a ter sido lançado no mercado francófono a 17 de abril deste ano.

Curiosamente, aquando do lançamento deste segundo tomo, o autor afirmou que a ficção científica já não existe. “Nós estamos num mundo em permanente mutação tecnológica e científica. Na realidade, já estamos num universo de ficção científica”, refere Bilal. “[Em Bug] eu conto uma história dos dias de hoje. Tornámo-nos extremamente dependentes dos objetos digitais. O digital é, de certa forma, considerado uma expansão do nosso cérebro. Todo o conhecimento está ao nosso alcance, desde que tenhamos um smartphone ou tablet por perto.”

Bug gera uma reflexão sobre os potenciais perigos da invasão do digital em tudo. O autor refere a omnipresença do digital, como nos novos implantes, no transumanismo, na vigilância e consequente intrusão na vida privada… Se quando George Orwell escreveu 1984, os leitores se revoltavam com a ditadura do Big Brother, “hoje em dia, lamentavelmente, não só se aceita, como nos tornámos viciados. Perdemos a nossa capacidade de revolta porque já estamos contaminados pelo digital. É uma doença”.

A série evoca uma das obsessões do autor: a memória e a transmissão de conhecimento. “O que aconteceria se tudo o que nos conecta ao mundo desaparecesse amanhã?”, questiona o autor. “O digital gera um défice de transmissão da memória. Quem ainda anota os telefones dos seus contactos ou as suas reuniões numa agenda? Quem consegue viver sem a internet?”

Clique nas imagens para as visualizar em toda a sua extensão:

Eis a sinopse da editora:

Bug, faz-nos mergulhar num futuro digital, onde uma nebulosa azul, por trás da face oculta da lua, ameaça o equilíbrio das coisas e o futuro da civilização. Um homem, cosmonauta, que inicia o seu regresso à Terra após uma missão marciana, contrai um vírus estranho que matou todos os seus companheiros de tripulação. E se for ele o salvador?
De volta à Terra, o astronauta Kameron Obb será o homem mais procurado do planeta: este único sobrevivente tem dentro dele uma entidade microscópica viva que pode estar na origem do bug informático, mas este dá-lhe algumas capacidades mnemotécnicas sobre-humanas. No seu encalço, há um punhado de grupos criminosos e a maioria dos grandes governos.
Neste segundo volume da série, o suspense gira em torno de Gemma, filha de Kameron, que todos consideram o melhor engodo para deitar a mão ao infectado. Bug apresenta-se como um Bilal puro, com a sua forma única de sobrepor desenho e pintura, e esse efeito continua aqui impressionante. Em resumo, os admiradores do desenhador ficarão felizes e os neófitos ficarão estupefactos.

Enki Bilal
Há já quase 50 anos que o autor de banda desenhada Enki Bilal trabalha na construção de um edifício sem rival na nona arte. Nasceu na Jugoslávia, em 1951. Aos 10 anos viaja com a família para Paris. Faz uma breve incursão nas Belas-Artes e em 1972 publica a sua primeira história – Le Bol Maudit – no jornal “Pilote”. O seu encontro com Pierre Christin é determinante para a sua carreira e é para um argumento deste autor que em 1975 desenha o seu primeiro álbum O Cruzeiro dos Esquecidos. A partir de 1976, colabora na revista “Metal Hurlant” e em 1980 escreve para o jornal “Pilote” a sua primeira grande obra como argumentista e autor: A Feira dos Imortais. Em 1982, desenha uma parte dos cenários do filme de Alain Resnais La Vie est un Roman e em 1983 com o lançamento de A Caçada (argumento de Christin), Bilal consagra-se finalmente como um dos desenhadores realistas mais conceituados da BD contemporânea. Em 1990, a Humanoides Associeés reedita o conjunto das suas obras inicialmente publicadas pela Dargaud. Em 1993, o último volume da Trilogia Nikopol, Frio Equador é considerado o melhor livro do ano, um livro inédito na história da BD onde se todos os géneros se misturam. Em 1996, assina Mémoires d’Autres Temps, uma reedição aumentada de Bol Maudit e Crux Universalis. A sua nova série BUG conta já com 2 livros publicados. Para além da BD onde o seu nome é venerado, Bilal é conhecido no mundo cinematográfico, tendo realizado em 1989 o seu primeiro filme “Bunker Palace Hotel” a que se seguiu, em 1997, “Thykho Moon”.

Bug: Livro 2
Enki Bilal
Editora: Arte de Autor
Páginas: 76, a cores
Encadernação: capa dura
Dimensões: 234 x 312 mm
ISBN: 978-989-54326-6-0
PVP: 19,90€

SOBRE O AUTOR |

Nuno Pereira de Sousa
Nuno Pereira de SousaAdministrador
Fundador e administrador do site, com formação em banda desenhada. Consultor editorial freelance e autor de livros e artigos em diferentes publicações.