Segundo livro de Dampyr editado no nosso país.

A Colecção Aleph, atualmente da editora A Seita, prossegue com o seu quarto volume, lançado durante o Fórum Fantástico no início deste mês. O universo é novamente o bonelliano mas marca a estreia de Dampyr numa coleção cujos primeiros 3 volumes foram dedicados a Dylan Dog. O Suicídio de Aleister Crowley conta com o argumento de Mauro Boselli e os desenhos de Michele Cropera.

A escolha da editora quanto à banda desenhada de Dampyr a publicar é semelhante ao critério de seleção utilizado pela Levoir na Colecção Bonelli, editada o ano passado – uma aventura de Harlan Draka passada em Portugal.

Relembra-se que a origem do personagem chegou aos pontos de venda de periódicos nacionais através da importação das revistas brasileiras de Dampyr editadas pela Myhtos, que corresponderam aos primeiros 12 números italianos. Na verdade, em 2004, a editora brasileira Mythos fez uma tentativa de renovação da sua oferta de séries bonellianas, iniciando a publicação de dois novos títulos, com géneros que se distinguissem dos demais publicados pela editora. Um desses títulos, era Dampyr, uma série iniciada em Itália 4 anos antes. Tratava-se de uma série que misturava fantasia, terror, suspense e policial, tendo os vampiros como tema central.

Devido à possibilidade de acompanhar uma série bonellina desde o número 1, à temática da mesma e à divulgação realizada nos sites nacionais  especializados, a série teve, proporcionalmente, direito a boas vendas em Portugal aquando da sua importação, apesar do pequeno número de exemplares que era remetido mensalmente para as bancas. No entanto, este cenário de sucesso não foi espelhado no Brasil, tendo a série sido cancelada no número 12 (somente em 2018, a série prosseguiria com a sua publicação no Brasil, desta vez pela mão da Editora 85).

Deste modo, os leitores portugueses puderam tomar contacto com o primeiro ano de produção da série – que este mês atingiu o #235 em Itália – e, ao mesmo tempo que o protagonista, ir descobrindo o que significar ser um dampyr, quem são os seus aliados e os seus inimigos. Esta demanda pela identidade era acompanhada de outro ponto, que viria a ser uma das características da série. A série era ambientada em diversas cidades e países reais, reconhecíveis não só a nível do argumento mas também do desenho.

Ao longo destes anos, a série italiana já “visitou” os mais diversos países e continentes, não sendo, portanto, de estranhar que três das suas aventuras sejam passadas em Portugal, tendo a Levoir publicado em Dampyr: Aventuras em Portugal as que tiveram lugar em Trás-os-Montes e no Porto / Vila Nova de Gaia, que correspondem aos #75 e #147 da série italiana.

Como a capa de Enea Riboldi deixa antever, com a ilustração do Poço Iniciático da Quinta da Regaleira, sita em Sintra, é na revista #222, originalmente intitulada Il Suicidio de Aleister Crowley, publicada em Itália a 4 de setembro de 2018, que Dampyr regressa mais uma vez ao nosso país. Nesta obra, para além da referência obrigatória ao ocultista Aleister Crowley, que intitula o volume, estão também presentes Fernando Pessoa e o universo de H. P. Lovecraft.

Uma exposição da obra está patente no festival Amadora BD 2019. O desenhador Michele Coprera está presente no primeiro fim de semana, com sessões de autógrafos agendadas para sábado, dia 26 de outubro, entre as 16 e 18h00, e domingo, dia 27, entre as 16 e as 18h00, segundo nos informou a editora.

Clique nas imagens para as visualizar em toda a sua extensão:

Eis a sinopse da editora:

Depois de Dylan Dog, A Seita traz-nos mais uma aventura dos fumetti italianos, desta vez protagonizada por Harlan Draka, o Dampyr, criado por Mauro Boselli e Maurizio Colombo. Nascido da união de um vampiro com uma mulher mortal, Harlan está entre dois mundos, e percorre o globo em busca de todas as criaturas sobrenaturais do mal.
O que une o poeta Fernando Pessoa, o mago Aleister Crowley, Ofélia Queiroz, as criaturas saídas dos contos de H. P. Lovercraft e o terramoto de 1755, que praticamente destruiu a cidade de Lisboa? Para responder a esta questão, Dampyr regressa a Portugal para investigar o aparente suicídio de Crowley ocorrido em 1930, na Boca do Inferno, perto de Cascais.
Depois de Aventuras em Portugal, que a Levoir publicou numa coleção dedicada às personagens da Sergio Bonelli Editore, Dampyr está de regresso a terras lusitanas, desta vez para investigar o aparente suicídio de Aleister Crowley, ocorrido em 1930 na Boca do Inferno, perto de Cascais. Uma aventura fantástica saída da pena de Mauro Boselli e ilustrada por Michele Cropera, que recupera o encontro histórico entre duas figuras cujo saber esotérico estava em pólos opostos, Pessoa, profundo conhecedor de astrologia e das novas tradições neo-herméticas de finais do século XIX, e Crowley, mágico e cultor de variados rituais e conhecedor das práticas e filosofias orientais.
O que uniu então estes dois homens? Este é o fio condutor de uma história que aproveita os acontecimentos para evocar a atmosfera de Lisboa da época, unindo habilmente a passagem de Crowley por Lisboa, o terramoto de 1755 e todo o universo lovecraftiano, sublinhando a capacidade de uma série como Dampyr poder desenvolver-se em várias épocas e estender-se a diferentes cenários, ambientes e influências.

Mauro Boselli nasceu em Milão em 1953 e, para além dos seus múltiplos trabalhos na Sergio Bonelli Editore, teve diversas experiências como tradutor e realizador na TV. Na SBE, vai ser redactor nas revistas Pilot e Orient Express. A primeira história que escreve é para Tex, com La Minaccia Invisibile, com Gianluigi Bonelli. Entra na equipa de Zagor com a aventura La Fiamma Nera, em 1991, passando a ser o editor da série. Com Il Passato di Carson, entra oficialmente em Tex, série onde é hoje o grande responsável e editor. Em 2000, com Maurizio Colombo cria Dampyr, a sua primeira personagem original e que nasce da paixão do autor pelo mito do vampiro.

Michele Cropera, nascido em 1978, vai dedicar-se à banda desenhada a partir de 2000, colaborando com Ade Capone na mini série Erinni II e em Lazarus Ledd. Nesta série da Star Comics, Cropera desenha oito aventuras e torna-se no ilustrador das capas a partir do #121. Colabora com a editora Narwain, realizando ilustrações e um projeco para o mercado norte-americano. A sua entrada na Sergio Bonelli Editore ocorre em 2005, estreando-se no ano seguinte em Dampyr, série onde já desenhou cerca de uma dezena de aventuras com um estilo que destaca as cenas onde emerge o lado fantástico.

Dampyr: O Suicídio de Aleister Crowley
Mauro Boselli & Michele Cropera
Editora: A Seita
Páginas: 104, a preto e branco
Encadernação: capa dura
Dimensões: 17 x 23 cm
ISBN 978-989-54574-0-3
PVP: 12,50€

SOBRE O AUTOR |

Nuno Pereira de Sousa
Nuno Pereira de SousaAdministrador
Fundador e administrador do site, com formação em banda desenhada. Consultor editorial freelance e autor de livros e artigos em diferentes publicações.