A edição da BD inédita de Manuel Zimbro.

Em maio de 2019, a Galeria Quadrum das Galerias Municipais de Lisboa inaugurou a exposição com o maior conjunto alguma vez apresentado de obras de Manuel Zimbro (1944-2003), intitulada “História secreta da aviação e alguns meteoritos”. A escolha das peças exibidas – cerca de uma centena – esteve a cargo da artista plástica funchalense Lourdes Castro, com quem Zimbro foi casado. Foram selecionados trabalhos de desenho, aguarela, escultura, cartazes e outros objetos como pedras e livros, sendo a maioria delas pertencentes à coleção de Castro.

Por essa ocasião, a chancela Documenta da editora Sistema Solar, a empresa municipal lisboeta EGEAC – Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural e a a organização francesa sem fins lucrativos Paraguay – Association Section Sept coeditaram o livro de banda desenhada Le Lait de la Voie Lactée / O Leite da Via Láctea da autoria do artista plástico Manuel Zimbro.

A obra reproduz em fac-símile as pranchas da banda desenhada parcialmente deixada por terminar no início da década de 80 do século passado, quando Zimbro habitava em Paris. Não se trata, porém, de uma narrativa inacabada, sem um final. A narrativa está completa e pode ser lida enquanto tal. O facto de não estar finalizada deve-se ao facto de haver uma diversidade na apresentação das pranchas, desde o esboço às linhas de arte a grafite ou à tinta. Nalgumas pranchas, surge também a cor. E, para todos os leitores que se interessam pelo processo conceptual, esta edição tem um detalhe de extrema importância – o fac-símile é integral, mantendo as anotações nas margens, permitindo, para além da narrativa, fazer uma leitura sobre a criação desta banda desenhada. No final da obra, encontra-se ainda um mapa desdobrável da viagem realizada pelos personagens antropomorfizados dos cinco sentidos no Planeta Corpo.

Clique nas imagens para as visualizar em toda a sua extensão:

Eis a sinopse da editora:

Este livro foi realizado no contexto da exposição «história secreta da aviação e alguns meteoritos» na Galeria Quadrum das Galerias Municipais de Lisboa em 2019, e reproduz em fac-símile as pranchas da banda desenhada parcialmente deixada por terminar no início dos anos 80, quando Manuel Zimbro habitava em Paris.

Dans ce livre il y a une carte, qui tout en étant un abrége de l’action, la situe en hauteur et en profondeur. Le rapport du dessin entre les deux elements, — livre, carte — est, tant que faire se peut identique. Alors son déchiffrage invite l’Imagination et la lecture, si j’ose dire, se fait en trois dimentions. – Manuel Simões [Manuel Zimbro]

Tudo quanto o Manuel fez é para mim como o cheiro da terra depois da chuva, como a gota de orvalho numa folha, como um arco-íris inesperado ao fim do dia. A Lourdes [Castro] contou-me um dia que o Manuel, quando criança, queria ser invisível, em vez de ser arqueólogo, cientista, aviador ou bombeiro, como tantos de nós. Todos quantos o conheceram sabem que o conseguiu… O Manuel não gostava de dar nas vistas. Por isso fazer coisas era para ele um modo de se integrar no mundo, descobrindo algumas das coisas que ao mundo faziam falta para nele se estar bem. O Manuel sempre teve um grande cuidado em não acrescentar a nada mais do que o necessário, dispensando com grande lucidez tudo quanto nos possa distrair de ser e existir. Por isso ele renunciou a deixar vestígios de si para além dos momentos que construía com as suas palavras, com os seus silêncios, com o seu olhar, com as suas mãos, que sabiam descobrir coisas na vida mais do que acrescentar coisas à vida. – João Fernandes

Manuel Zimbro nasceu em Lisboa em 1944 e estudou na Escola de Artes Decorativas António Arroio. Instalou-se em Paris no final dos anos 60 onde foi assistente de René Bertholo e conheceu Lourdes Castro. Nas décadas de 70 e 80 colaborou no Teatro de Sombras de Lourdes Castro com a criação de dispositivos de iluminação e partilhando a autoria das obras As Cinco Estações, 1976-80, e Linha de Horizonte, 1981-85. O trabalho de Manuel Zimbro foi exposto em seis momentos: Torrões de Terra, Assírio & Alvim, Lisboa, 1995; história secreta da aviação, Porta 33, Funchal, 1997; história secreta da aviação, Assírio & Alvim, Lisboa, 1998; história secreta da aviação, Galeria Lino António, Escola Artística António Arroio, Lisboa, 2005; À Luz da Sombra, Museu de Arte Contemporânea da Fundação de Serralves, Porto, 2010; e Linha de Horizonte, Chiado 8, Lisboa, 2013. Aproximou-se do pensamento de David Bohm e do budismo zen, cuja filosofia divulgou em Portugal. Em 1993 organizou com Pedro Morais a exposição Sutra do Coração. Caligrafia do mestre zen Hôgen Daidô no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian. Cotraduziu e coordenou os livros Folhas Caem, um Novo Rebento e No caminho aberto, ambos da autoria de Hôgen Yamahata. Em 2003 coordenou a edição do volume colectivo Desenho com Nuno Faria, uma iniciativa da Fundação Carmona e Costa. Morreu em 2003 na Ilha da Madeira.

Le Lait de la Voie Lactée / O Leite da Via Láctea
Manuel Zimbro
Editora: Documenta / EGEAC / Paraguay
Páginas: 96
Encadernação: capa mole
Dimensões: 24 x 32 cm
ISBN: 9789898902771
PVP: 24,00€

SOBRE O AUTOR |

Nuno Pereira de Sousa
Nuno Pereira de SousaAdministrador
Fundador e administrador do site, com formação em banda desenhada. Consultor editorial freelance e autor de livros e artigos em diferentes publicações.