Os Prémios de Angoulême em 2020.

O 47.º Festival Internacional de Banda Desenhada já divulgou os Prémios deste ano. O Grande Prémio da cidade de Angoulême já tinha sido atribuído no passado dia 29 de janeiro a Emmanuel Guibert, o qual já era um finalista pela terceira vez. Sendo provavelmente Le Photographe o seu trabalho mais conhecido, o autor tem um álbum editado em Portugal pela Witloof, A Filha do Professor.

Entretanto, na cerimónia de abertura, como vem sendo hábito, tinha sido atribuído o Fauve d’honneur a Robert Kirkman, com direito à exposição Walking Dead et autres mondes pop.

Entretanto, hoje foram anunciados os seguintes prémios da competição oficial, incluindo o prémio do público, que regressou este ano com um novo patrocinador:

Eis a listagem:

  • Fauve d’or : « Révolution t.1 » de Florent Grouazel e Younn Locard (Actes Sud – L’An 2)
  • Prix spécial du jury :  « Clyde Fans » de Seth (Delcourt)
  • Prix de la série :  « Dans l’abîme du temps » de Gou Tanabe et H. P. Lovecraft (Ki-on)
  • Prix révélation : « Lucarne » de Joe Kessler (L’association)
  • Prix du patrimoinen :  « La main verte et autres récits » de Nicole Claveloux (Cornelius)
  • Prix Jeunesse : « Les Vermeilles »de Camille Jourdy (Actes Sud)
  • Fauve Polar SNCF : « No direction » de Emmanuel Moynot (Sarbacane)
  • Prix de la bande dessinée alternative : « Komikaze » (Croácia)
  • Prix du Public France Télévisions: « Saison des roses » de Chloé Wary (Flblb)
  • Prix de l’Audace: « Acte de Dieu » de Giacomo Nanni (Ici même)

Quanto ao Prémio René Goscinny para o melhor argumento, o vencedor foi:

  • Prix René Goscinny – Prix du Scénario : Gwen de Bonneval e Fabien Vehlmann, coargumentistas do álbum Le Dernier Atlas (Dupuis)

O manga traduzido para francês tem também direito a uma categoria própria, o Prix Konishi. A obra galardoada foi Stop! Hibari-Kun! de Hisahi Eguchi, traduzido por Aurélien Estager para a editora Le Lézard Noir.

Por seu turno, os alunos elegeram a sua banda desenhada favorita:

  • Prix des écoles d’Angoulême : La quête d’Albert de Isabelle Arsenault (La Pastèque)
  • Prix des collèges : Obie Koul, Un week-end sur deux chez mon père (Tome 1) de Pierre Makyo e Alessia Buffolo (Kennes)
  • Prix des lycées : Le Voyage de Marcel Grob de Philippe Collin e Sébastien Goethals (Futuropolis)

No âmbito do festival Off to Off, que promove a cerimónia anti-prémios de Angoulême, foram galardoados dois autores:

  • Prix “Couilles au cul” (que valoriza a coragem dos ilustradores de imprensa) foi atribuído ao argelino Benabdelhamid Amine, de nome artístico Nime, o qual foi preso em novembro de 2019 devido a uma ilustração do Presidente da República do seu país.
  • Prix Schlingo (que premeia o humor poético e delirante, herdeiro da obra de Charles Schlingo) foi atribuído à banda desenhada Cher dictateur (Fluide Glacial), da autoria de Fabien Toulmé (argumento) e Caloucalou (desenho).

Em Angoulême foram ainda atribuídos dois outros prémios:

  • Prix Tournesol (que premeia o álbum mais sensível aos problemas ecológicos ou aquele que aborda valores como a justiça social, a defesa das minorias ou a cidadania): Femme Sauvage de Tom Tirabosco (Futuropolis)
  • Prix de la BD Fnac-France InterIn Waves de AJ Dungo (Casterman).

Por fim, o Prix de l’ÉESI 2020, atribuído pela Escola Europeia Superior de Imagem (Angoulême & Poitiers), distinguiu Oriane Lassus.

Como vem sendo hábito, todos os álbuns premiados este ano em Angoulême encontram-se inéditos no nosso país e a maioria dos seus autores também. E se se analisar as obras nomeadas, verificar-se-á uma situação praticamente idêntica.

SOBRE O AUTOR |

Nuno Pereira de SousaAdministrador
Fundador e administrador do site, com formação em banda desenhada. Consultor editorial freelance e autor de livros e artigos em diferentes publicações.