Com a série televisiva, o romance The Handmaid’s Tale nunca foi tão popular. Uma obra com muitas adaptações…

Quando o romance The Handmaid’s Tale foi publicado no Canadá, em 1985, Margaret Atwood (n. 1939) já era autora de uma vasta obra, que entretanto tem crescido exponencialmente. Na altura, entre outros trabalhos, já tinham sido publicados 16 livros de poesia, 5 romances, 3 livros de contos, 3 ensaios e 2 livros infantis da sua autoria, para além de ter escrito um libreto, vários guiões televisivos e gravado audiolivros. Tinha também já sido galardoada com o Governor General’s Award devido a um dos seus livros de poesia, condecorada com a Ordem do Canadá e recebido a Bolsa Guggenheim, as primeiras distinções importantes de mais de uma trintena que tem recebido ao longo da sua carreira.

Com o seu 6.º romance, The Handmaid’s Tale, é galardoada pela segunda vez com o Governor General’s Award, bem como com o Arthur C. Clarke Award. Como refere a sinopse do livro, “extremistas religiosos de direita derrubaram o governo norte-americano e queimaram a Constituição. A América é agora Gileade, um estado policial e fundamentalista onde as mulheres férteis, conhecidas como Servas, são obrigadas a conceber filhos para a elite estéril. Defred é uma Serva na República de Gileade e acaba de ser transferida para a casa do enigmático Comandante e da sua ciumenta mulher. Pode ir uma vez por dia aos mercados, cujas tabuletas agora são imagens, porque as mulheres estão proibidas de ler. Tem de rezar para que o Comandante a engravide, já que, numa época de grande decréscimo do número de nascimentos, o valor de Defred reside na sua fertilidade, e o fracasso significa o exílio nas Colónias, perigosamente poluídas. Defred lembra-se de um tempo em que vivia com o marido e a filha e tinha um emprego, antes de perder tudo, incluindo o nome. Essas memórias misturam-se agora com ideias perigosas de rebelião e amor.”

O romance de Atwood surgiu numa altura em que a direita religiosa discutia o que fariam com as mulheres se tivessem o poder político. Atwood imaginou então algumas das tendências e ações praticadas levadas ao extremo, numa espécie de resposta a todos os que eram da opinião que regimes teocráticos, totalitários e opressivos podem ocorrer noutros países mas nunca nos EUA.

Em Portugal, o livro foi inicialmente publicado pela editora Publicações Europa-América em 1988 com o então título Crónica de uma Serva. A atual edição, já designada A História de uma Serva, é da Bertrand, que lançou a obra em agosto de 2013.

O filme

A adaptação para o grande ecrã deu-se em 1990 com o filme A História da Aia, realizado por Volker Schlöndorff, com guião de Harold Pinter, o qual estreou nas salas de cinema nacionais a 30 de maio de 1991.

Contava com Natasha Richardson no papel de Defred, Faye Dunaway como Serena Joy e Robert Duvall como o Comandante. Atualmente, encontra-se em exibição no nosso país nos canais TVCine.

Com um guião mal construído, uma realização desinteressante e interpretações pouco convictas, o filme não passa atualmente de uma curiosidade.

É certo que está lá muito do material que os leitores reconhecerão do livro – ou da série televisiva, para os que não leram a obra de Atwood – mas esta obra menor torna penosa a sua visualização, não deixando espaço para que as questões major realmente tenham qualquer tipo de significado.

Eis um trailer do filme:

A série televisiva

Em 26 de abril de 2017, estreou na plataforma de streaming norte-americana Hulu a série televisiva The Handmaid’s Tale, criada por Bruce Miller e interpretada por Elizabeth Moss (Defred), Joseph Fiennes (Comandante), Yvonne Strahovski (Serena Joy), Alexis Bledel (Emily), Madeline Brewer (Janine), Ann Dowd (Tia Lídia), O. T. Fagbenle (Luke), Max Minghella (Nick) e Samira Wiley (Moira). Esta conta já com três temporadas e foi galardoada, entre outros, com o Prémio de Programa do Ano e Série Dramática no Television Critics Association e oito Prémios Primetime Emmy, incluindo Melhor Série Dramática, sendo a responsável pela grande popularidade de que goza a obra.

Tendo já sida renovada para uma quarta temporada, a vontade de Bruce Miller é continuar a desenvolver a série nos próximos anos. Na verdade, cronologicamente, o final da primeira temporada coincidiu com o final do romance – exceto o epílogo metaficcional, que tem lugar cerca de 200 anos no futuro. Deste modo, as temporadas seguintes têm expandido cronologicamente o universo criado por Atwood, apesar de irem abordando alguns tópicos e eventos do romance que não tinham sido abordados na primeira temporada.

Em Portugal, a série pode ser visualizada na plataforma de streaming NOS Play. Eis um trailer:

A banda desenhada

Em março de 2019, foi lançado no Canadá “A História de Uma Serva – novela gráfica”, a adaptação do romance de Atwood pela autora de banda desenhada canadiana Renée Nault.

Entre a escrita do argumento e a ilustração a tinta e aguarelas, Nault demorou cerca de 3 anos a concluir a sua visão da história, com cada uma das etapas a ser aprovada pela própria Atwood, como nos revelou na entrevista que nos concedeu.

No dia 7 de fevereiro, é editada em Portugal esta obra, que apresentámos aqui.

Outras adaptações

Para além de ter servido de inspiração para um álbum conceptual da banda Lakes of Canada ou a uma canção de Snax, a obra tem vindo a ser transposta para dramas radiofónicos, balé ou diferentes peças de teatro.

No entanto, importa destacar a ópera do compositor Poul Ruders – com libreto de Paul Bentley -, que estreou no Teatro Real de Copenhaga em 2000 (estando a obra gravada em álbum), passando a produção em 2003 para English National Opera em Londres e em 2004 para Toronto.

A sua especial importância deve-se a Renée Nault, que viria a ser convidada a fazer a adaptação do romance de Atwood para a banda desenhada anos mais tarde, ter assistido à mesma, como nos declarou na sua entrevista.

A sequela

Com o sucesso da série televisiva e, por consequência, a redescoberta internacional ao romance, é publicada a 10 de setembro de 2019 a sua sequela, intitulada The Testaments, a qual tem sido bem recebida. Inclusivamente foi um dos dois romances galardoado com o The Booker Prize 2019. Ambientado 15 anos após os eventos do primeiro romance, é narrado pela Tia Lídia – uma personagem do romance anterior -, Agnes – uma jovem que vive em Gileade e que desconhece ser a primeira filha de Defred – e Daisy – uma jovem que vive no Canadá e desconhece ser a segunda filha de Defred. No dia 20 de março, a Bertrand edita a edição portuguesa, que terá como título Os Testamentos.

Apesar das diferenças entre a série televisiva e o romance original, de um modo geral, é intenção dos produtores da série televisiva terem em atenção o futuro dos personagens narrado em The Testaments aquando da criação dos futuros guiões. Os produtores estão também a estudar qual a melhor forma de adaptar o novo romance.

SOBRE O AUTOR |

Nuno Pereira de Sousa
Nuno Pereira de SousaAdministrador
Fundador e administrador do site, com formação em banda desenhada. Consultor editorial freelance e autor de livros e artigos em diferentes publicações.