O plano editorial da G. Floy começa a ser desvendado.

A G. Floy foi a editora que mais livros de banda desenhada publicou em 2019 no nosso país. Os 3 livros mais vendidos pela editora o ano passado foram Deadpool Mata os Clássicos de Cullen Bunn e Matteo Leoni, Indeh: Uma História das Guerras Apache de Ehan Hawke e Greg Ruth e Gideon Falls vol. 1: O Celeiro Negro de Jeff Lemire e Andrea Sorrentino. No entanto, o editor José de Freitas previne que, devido a diferirem quanto ao seu mês de lançamento, “isto vale o que vale, porque estes livros estiveram à venda em períodos diferentes“.

Para os que têm curiosidade em comparar os resultados nacionais com os 3 livros mais vendidos pela Mucha Comics, a contraparte polaca, naquele país as principais vendas foram Saga vol. 9, Criminal vol. 1 e ex aequo Uncanny X-Force 4 e Gideon Falls vol. 1.

Quanto à série que ficou aquém das expectativas da editora, trata-se de Moonshine de Brian Azzarello e Eduardo Risso. “Embora as vendas não sejas más, parece-me que deveria estar a vender mais e ter mais visibilidade“, afirma Freitas. “Já saíram dois volumes, é uma série ongoing com a publicação de cerca de um volume por ano e, sobretudo, é a mais recente colaboração «continuada» de uma das maiores duplas de criadores de comics atuais, que irá, previsivelmente, durar mais uns anos. Dada a visibilidade dos autores e a sua fama, estranho um pouco Moonshine passar meio «despercebida»“.

Entretanto, é já conhecido o plano para o primeiro semestre de 2020 da G. Floy para o nosso país. Segundo a editora, o número inicialmente previsto de obras editadas para este ano é ligeiramente inferior ao do ano passado, estando planeadas cerca de 30 publicações. Relembre-se que, parcialmente, esta redução relaciona-se com os projetos de publicação de obras portuguesas e bonellianas terem transitado para a cooperativa A Seita. Entretanto, nestes primeiros 2 meses do ano, a editora já publicou 7 livros.

Entre as diferentes publicações agendadas para o primeiro semestre, encontram-se “três novas séries, Novos X-Men de Grant Morrison, o aclamado Seven to Eternity, de Rick Remender e Jerome Opeña, e Stumptown, um policial de Greg Rucka e Matthew Southworth. De Mark Millar teremos o primeiro da nova série de Kick-Ass, e o célebre The Magic Order, com arte de Olivier Coipel.“, explica Freitas. Estão também planeados “dois títulos do brilhante Jeff Lemire, Roughneck, o seu grande romance gráfico, e Berserker, este último com arte de Mike Deodato.” E “continuarão as nossas séries ongoing, com volumes de The Wicked + The Divine, Harrow County, Descender, Gideon Falls e Criminal“.

Entretanto, várias séries chegam ao final nos primeiros 2 meses de 2020. Para além de O Círculo de Júpiter, a prequela de O Legado de Júpiter, “Jessica Jones termina a sua história em O Regresso do Homem-Púrpura e Ms. Marvel enfrenta o fim do mundo no volume final deste arco de história“, informa Freitas.

Atendendo a que o quarto volume de Ms. Marvel, Os Últimos Dias, reúne os últimos comic books da 3.ª série norte-americana de Ms. Marvel, a primeira com Kamala Khan (2014-2015), questionámos a editora se iria prosseguir com a 4.ª série, segunda de Kamala (2015-2019). “Não vamos continuar“, revela Freitas. “A Ms. Marvel fez parte de uma série de livros que pudemos comprar na altura, por negociação com a Goody, que ficou com o grosso das edições e da escolha – inclusive de muitos títulos que queríamos ter comprado. Nós apenas ficámos com Wolverine Arma X, Ms. Marvel e a série de Deadpool.

Quanto ao futuro da Marvel no catálogo da editora, Freitas afirma que “tirando Deadpool, nenhuma das outras séries vendeu particularmente bem. As vendas não foram más, mas teria sido melhor investir em livros não-Marvel. A Disney tem vindo aos poucos a tomar conta da Marvel e aumentou bastante os royalties e custos de ficheiros de imagem, o que, aliado ao facto de que se tratam de livros que temos de imprimir somente para Portugal e que exigem, portanto, tiragens portuguesas maiores, faz com que neste momento a Marvel não seja especialmente interessante, tirando algumas séries que podemos coimprimir com os nossos colegas polacos, como os Novos X-Men. Acredito que se pudéssemos ter ficado com séries mais visíveis, talvez as coisas fossem diferentes. E qualquer futuro plano para a Marvel – e continuamos em negociações com a Panini – terá de esperar por meados de 2021, de qualquer modo, para que o mercado fique um pouco mais «limpo» da Marvel da Salvat.”

Tendo solicitado a José Freitas o que ainda nos poderia revelar sobre o restante ano editorial, adiantou que não era possível neste momento confirmar mais nenhuma série ou título, para além do facto de que prosseguem as negociações relativas a The Old Guard e Black Magick, de Greg Rucka, estando a editora a tentar resolver alguns obstáculos de última hora. Outras novidades ocorrerão certamente no segundo semestre do ano.

SOBRE O AUTOR |

Nuno Pereira de Sousa
Nuno Pereira de SousaAdministrador
Fundador e administrador do site, com formação em banda desenhada. Consultor editorial freelance e autor de livros e artigos em diferentes publicações.