O terceiro e último livro da série.

A G. Floy demonstrou ter um especial empenho na publicação de Jessica Jones, a personagem criada por Brian Michael Bendis e Michael Gaydos para a Marvel, que originou uma série na Netflix em nome próprio com direito a 3 temporadas e um total de 39 episódios.

Ao longo destes últimos anos publicou a série de banda desenhada onde a personagem se estreou, Alias, seguida de The Pulse (Jessica Jones: Pulsar) e, finalmente, Jessica Jones.

A série de BD Alias foi escrita por um Brian Michael Bendis então há apenas 2 anos a produzir argumentos para a Marvel, mas já uma estrela em ascensão na editora graças aos recordes de venda de Ultimate Homem-Aranha. Inclusivamente, Alias foi o título fundador do selo MAX da Marvel, uma das linhas criadas em 2001 pela editora após ter abandonado o Comics Code Authority. O selo MAX destinava-se a um público adulto, razão porque todas as revistas apresentavam em parangonas parental advisory explicit content, numa altura em que a editora dava os primeiros passos a explorar o que a aparente “liberdade” lhe permitia nos EUA.

Alias aglutinava algumas tendências da época, como o facto de na estreia da personagem se lhe dar um passado pré-existente no Universo Marvel, o qual era desconhecido dos leitores – como já tinha recentemente acontecido com Robert Reynolds, o Sentinela (Sentry, no original), criado por Paul Jenkins e Jae Lee com a colaboração de Rick Veitch, e que Bendis curiosamente integraria nas suas histórias 3 anos mais tarde. Por outro lado, na altura verificava-se uma tendência em existirem sucessivamente várias séries televisivas norte-americanas populares do género thriller, policial ou espionagem, protagonizadas ou coprotagonizadas  por uma mulher, culminando inclusivamente na série televisiva de J. J. Abrams também designada de Alias, estreada alguns meses antes da banda desenhada, com Jeniffer Garner – a futura Elektra no grande ecrã – no papel de Sydney Bristow (e que também teve direito a ser transposta posteriormente para BD).

Sendo a escolha do título da Marvel uma grande coincidência ou não com a série televisiva, Bendis transportou para a mesma a experiência do género policial que trazia da banda desenhada mais indie da Caliber Comics e posteriormente na Oni e Image (onde iniciou Powers – cujo primeiro volume, Quem Matou a Retro Girl?, foi publicado pela Devir em 2004; Powers viria também a ser adaptada para televisão em 2015-2016, tendo as 2 temporadas sido exibidas em Portugal).

A aparente liberdade do selo MAX – cuja “ausência de limites” fazia sorrir o leitor de banda desenhada europeia – dificultava, contudo, o cruzamento com outros personagens do Universo Marvel. Esse facto, bem como a coincidência do título com a série televisiva da ABC (cuja popularidade garantiria 5 temporadas), têm sido as razões postuladas para o cancelamento do título 28 números depois e ao praticamente imediato relançamento sem o selo MAX e com o título The Pulse (que a Devir batizou como O Pulsar da Cidade no primeiro e único TPB que publicou e que a G. Floy editou integralmente num único volume em 2018 com o título Jessica Jones: Pulsar). The Pulse teria uma vida editorial mais curta, terminando passados 14 números. Com Alias, tinha-se praticamente encerrado a premissa de que era possível construir histórias sobre detetives privados no Universo Marvel. The Pulse, um suplemento do Clarim Diário, aproximou-o mais do cliché de super-heróis no meio jornalístico, apesar da tentativa de abordagem original. Foi também a transição definitiva da personagem para o mundo dos super-heróis. Os Novos Vingadores de Bendis herdariam um pouco da história de Alias e The Pulse, mas as histórias policiais mais ou menos noir da detetive privada já tinham desaparecido por completo nessa altura.

É a Alias original que Bendis e Gaydos tentam recuperar, com o foco de atenção que a série da Netflix colocou novamente na personagem. Após um número gratuito de Jessica Jones de Bendis e Gaydos disponibilizado a 7 de outubro de 2015, treze dias antes da primeira temporada da série, como uma espécie de preview para a mesma, estavam os dados lançados para que os criadores de Jessica Jones regressassem à mesma com uma nova série.

Tal ocorreu um ano depois, com o primeiro número da série Jessica Jones a ser distribuído nos EUA a 5 de outubro. De um modo geral, esta nova série teve uma boa aceitação por parte da crítica e o público até ao seu final. O fim ocorreria com o número 18, na altura em que Bendis deixou a Marvel para ir trabalhar na DC Comics. São estes últimos números (#13-18) que estão compilados no volume Jessica Jones vol. 3: O Regresso do Homem-Púrpura, publicado pelo G. Floy e distribuído nos pontos de venda de periódicos nacionais no passado dia 5 de fevereiro.

Para os leitores curiosos quanto à Jessica Jones pós-Bendis, apesar do #18 anunciar que a série continuaria com uma nova equipa criativa no número seguinte, Jessica Jones regressaria somente 2 meses depois com uma minissérie digital original, escrita por Kelly Thompson e ilustrada por Mattia de Iulis. Esses 3 números produzidos seriam mais tarde reunidos no livro Jessica Jones: Blind Spot. A segunda minissérie digital surgiu em abril de 2019, pela mês equipa, sendo reunida no volume Jessica Jones: Purple Daughter. Como curiosidade, registe-se que o último número desta segunda minissérie contou com a colaboração do português Filipe Andrade no desenho e arte-final. Segundo a G. Floy, não está nos planos da editora a publicação destes 2 volumes em português.

Clique nas imagens para as visualizar em toda a sua extensão:

Eis a sinopse da editora:

O regresso do Homem-Púrpura! A única coisa que é pior do que ser perseguida pela verdadeira figura do Mal que o Homem-Púrpura representa, é ser perseguida por essa figura maléfica quando se tem uma bebé pequena. O maior inimigo de Jessica Jones, o vilão que a definiu e que assombra a sua mente e o seu passado, regressa para acertar contas com ela. Será que Jessica consegue finalmente encerrar este capítulo da sua carreira? Os criadores originais de Jessica Jones, Brian Michael Bendis e Michael Gaydos, despedem-se da sua personagem, numa história que é a conclusão de anos de aventuras da mais conhecida detective privada do universo Marvel.

Jessica Jones vol. 3: O Regresso do Homem-Púrpura
Brian Michael Bendis & Michael Gaydos
Editora: G. Floy
Páginas: 136, a cores
Encadernação: capa dura
Dimensões: 263 x 177 mm
ISBN: 9788365938794
PVP: 14,00€

SOBRE O AUTOR |

Nuno Pereira de Sousa
Nuno Pereira de SousaAdministrador
Fundador e administrador do site, com formação em banda desenhada. Consultor editorial freelance e autor de livros e artigos em diferentes publicações.