Uma releitura de Pepedelrey (Antologia 1984-2018).

Pepe trabalha bastante na cena da BD portuguesa. É espontâneo e rápido de pensamento. A sua antologia retrata algo assim: escrito e desenhado de uma forma livre, bruta e sentida. É irónico, sarcástico e crítico de uma sociedade de consumo, capitalista, vazia e “oca”. Através das suas personas deambulantes, das suas figuras trágicas, dos seus anti-heróis e “heróis”, das “suas” mulheres sempre em contradição (ora distantes ora demasiado próximas, se assim se pode dizer) para nos revelar um mundo sujo, doente, viral, sexualmente “comercializado” para obter lucro e rendimento fictício, contudo, também e why not? prazer, um prazer algo solitário.

Escolhi algumas ilustrações das quais gosto bastante e mostram o estilo de Pepe. Traço firme, a preto e branco em alto contraste, ora trabalhado ora esgalhado rapidamente. Todo o traço tenta acompanhar os seus mais ansiosos pensamentos, desejos, paixões e medos e consegue-o. O que deve dar alegria e satisfação. Pena seja que a BD portuguesa não dê dinheiro. Todos nós temos contas para pagar e, isso sim, pode ser altamente desanimador. Espero que Pepe nunca desanime.

A sinopse e previews do livro podem ser vistas aqui.

Pepedelrey (Antologia 1984-2018)
Pepedelrey
Editora: Escorpião Azul
Páginas: 208 páginas, a preto e branco
Encadernação: capa mole
ISBN: 978-989-54252-0-4
PVP: 18€

SOBRE O AUTOR |

Ana Ribeiro
Ana RibeiroColaboradora
Costumava desenhar de joelhos, com os braços em cima da cama quando era pequenita e mais tarde numa mesa de escola. Os joelhos agradeceram. Cresci com banda desenhada e criei o fanzine "durtykat" em 2001. Viajei quase à pala e fui colaborando e comunicando através de desenhos, nascendo assim as Nits, em 2014. Voltei a desenhar de joelhos mas eles não se têm queixado. A última exposição foi na Galeria Mundo Fantasma, no Porto, no ano de 2019.