Relendo Pêra Verde de Patrícia Guimarães.

Pêra Verde é um belo conto realista sobre a última caminhada, dor e grito e dos que cuidam desse enorme jardim em decadência. O cuidador formal e informal, no limite do amor e da paciência. Será que caminham juntos? Dizem que sim. A natureza “fala” dessa paciência como um fruto maduro. A Pêra Verde é a memória suculenta de infância, sublimando o fim. Uma pessoa que cuida da outra, trabalha muito. E, por vezes, amarga. É necessário uma catarse. Neste conto, quem cuidou da dor, cortou a memória e doçura dessas saudosas pêras da infância.

Não conhecia Patrícia Guimarães e apaixonei-me por este conto e pela sua forma poética, leve e assertiva no traço e escrita, apesar do tema e rigor. Fade in e fade out, assim começa e assim termina.

No fanzine “Pêra Verde”, temos direito também a uma pequenina história nonsense, onde alguém corre e avista outro ser.

Uma sinopse e previews, bem como uma biobibliografia da autora, encontram-se aqui.

Pêra Verde
Patrícia Guimarães
Coleção Toupeira n.º 12
Páginas: 16+4
Edição: Bedeteca de Beja / Câmara Municipal de Beja
Ano: 2019

SOBRE O AUTOR |

Ana Ribeiro
Ana RibeiroColaboradora
Costumava desenhar de joelhos, com os braços em cima da cama quando era pequenita e mais tarde numa mesa de escola. Os joelhos agradeceram. Cresci com banda desenhada e criei o fanzine "durtykat" em 2001. Viajei quase à pala e fui colaborando e comunicando através de desenhos, nascendo assim as Nits, em 2014. Voltei a desenhar de joelhos mas eles não se têm queixado. A última exposição foi na Galeria Mundo Fantasma, no Porto, no ano de 2019.