Relendo Ângulo Morto de João Fazenda.

Vou arriscar “falar” (e porque não?) sobre um livro de uma coleção da qual gosto bastante: O Filme da Minha Vida da Ao Norte. Não tenho muitos livros desta coleção, mas adoro os que tenho pela história e escolha dos filmes – o Negative Born Killer de Marcos Farrajota com a sua banda sonora sempre presente, e o Ângulo Morto de João Fazenda.

Neste caso, o filme que mais “me comeu o caco” foi sem dúvida o Vertigo ou A Mulher que Viveu Duas Vezes de  Alfred Hitchcock – o Ângulo Morto, sequencialmente rápido e voraz nas suas ações e descrições minimalistas e elegantes, sem esquecer a completa crítica de João Paulo Cotrim. É o número quatro desta coleção.

No site Lugar do Real, encontramos, na voz do autor, alguma da simbologia da banda desenhada e do cinema, aliada ao seu desenho e ilustração.

Entremos, então, sem medo mas seguros do fim (?) neste vórtice de suspense e misticismo. Aliás, falo em misticismo, arrisco até em dizer policial místico, não só porque as cenas fulcrais da ação se passam na torre de uma igreja, como pela ideia de Madeleine estar possuída por uma outra mulher – o “eterno retorno” ou algo como a coisa  se repete, inconscientemente, tal como num disco de vinil, riscado e velho. E nós? Meros espetadores, sem nada podermos fazer. Uma coisa é certa: a morte. Aqui, abísmica e cármica. Talvez. Não sei. Vá, é um filme. Apenas um filme. Hora de acordar? Para outro filme, com certeza.

Clique nas imagens para as visualizar em toda a sua extensão:

Ângulo Morto
(baseado no filme A Mulher que Viveu Duas Vezes de Alfred Hitchcock)
João Fazenda
Editora: Ao Norte
Série: O Filme da Minha Vida, n.º 4
Páginas: 32, a preto e branco
Encadernação: agrafes
ISBN: 978-989-95938-2-4
PVP: 3,00€

SOBRE O AUTOR |

Ana Ribeiro
Ana RibeiroColaboradora
Costumava desenhar de joelhos, com os braços em cima da cama quando era pequenita e mais tarde numa mesa de escola. Os joelhos agradeceram. Cresci com banda desenhada e criei o fanzine "durtykat" em 2001. Viajei quase à pala e fui colaborando e comunicando através de desenhos, nascendo assim as Nits, em 2014. Voltei a desenhar de joelhos mas eles não se têm queixado. A última exposição foi na Galeria Mundo Fantasma, no Porto, no ano de 2019.