A publicação integral de Johnny Comet, restaurada por Manuel Caldas.

Uma das novidades de abril é Johnny Comet, banda desenhada com desenhos de Frank Frazetta e argumento de Earl Baldwin – apesar do editor utilizar o nome de Peter DePaolo, o piloto que venceu as 500 Milhas de Indianápolis de 1925, como argumentista. Tal razão devia-se ao protagonista ser um piloto de corridas num circuito automobilístico local, que, entre sabotagens e conspirações, defrontava os gangsters e adversários dispostos a tudo para colocá-lo fora do jogo dentro e fora da pista.

Distribuída pela McNaught Syndicate, esta BD surge em 28 de janeiro de 1952. Se as pranchas dominicais e diárias apresentavam inicialmente duas histórias de aventuras distintas, em agosto desse ano as pranchas dominicais abandonaram aquele género dedicando-se ao humor, enquanto as tiras diárias permaneciam repletas de ação, numa tentativa de captar uma audiência mais abrangente.

A alteração seguinte é mais radical. Em novembro do mesmo ano, com a entrada em cena de um produtor que pretendia transformar Johnny numa estrela de cinema, a partir de 1 de dezembro de 1952, o protagonista e a série mudaram seu nome para Ace McCoy. Apesar de manter o mesmo elenco de protagonistas, o cenário muda-se para Hollywood, onde o piloto dá os primeiros passos como ator. Só então o nome de Earl Baldwin apareceu nos créditos, pela primeira vez, em vez de Peter DePaolo. Esta autêntica revolução no enredo, no entanto, não dá os resultados desejados – em 31 de janeiro de 1953 a série fechou definitivamente as suas portas, deixando a história atual inacabada. Tinham decorrido somente 372 dias desde o início da publicação.

Não tendo sido uma série redescoberta pelo grande público, nem graças ao posterior sucesso planetário de Frazetta, tornou-se um série de culto para alguns profissionais e entusiastas incondicionais. Nunca tendo sido anteriormente reproduzida na totalidade após a sua publicação original, a sua edição integral era um projeto de Manuel Caldas que se realiza agora. Para além do seu restauro no desenho, contou ainda com o restauro das cores por Julio-David Sotelo nas pranchas dominicais. Como tem sido hábito nos últimos anos, a edição de Caldas encontra-se em castelhano.

Clique nas imagens para as visualizar em toda a sua extensão:

Eis a sinopse da editora:

Após a sua aparição e o seu rápido final no início dos anos 50, Johnny Comet foi redescoberto no final dos anos 60 e, desde então, a série de Frank Frazetta e Earl Baldwin tem aparecido em vários fanzines, revistas e livros em vários países. Ainda e infelizmente, nenhuma edição conseguiu resgatar o trabalho na sua totalidade (nem mesmo quando o anunciaram como feito, como a da Vanguard, de 2011). Em todas faltavam vinhetas, pranchas e/ou tiras inteiras.
Isso não acontece nesta edição! Pesquisando, investigando e indagando, Manuel Caldas acabou por encontrar em jornais e revistas antigos nos Estados Unidos, Brasil, Espanha, França e Austrália TODAS as vinhetas de Johnny Comet. Restaurando tudo o que era necessário – num trabalho gigantesco – e, nalguns casos, recorrendo a reproduções dos originais desenhados por Frazetta, a reedição verdadeiramente abrangente da série é, agora, uma realidade!

O volume pode ser encomendado diretamente ao editor (mcaldas59@sapo.pt), recebendo de oferta uma cartolina com a repdorução de uma tira de Johnny Comet em tamanho original.

Johnny Comet
Earl Badwin e Frank Frazetta
Editora: Libri Impressi
Páginas: 168, 56 das quais a cores
Dimensões: 30 x 23 cm
Capa: mole
ISBN: 9789898355355
PVP: 29,00 €

SOBRE O AUTOR |

Nuno Pereira de Sousa
Nuno Pereira de SousaAdministrador
Fundador e administrador do site, com formação em banda desenhada. Consultor editorial freelance e autor de livros e artigos em diferentes publicações.